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quinta-feira, 5 de março de 2015

Nessa noite...

Anabark, Meeting point, [OUT.2014]

...havia uma página em branco e um livro interminável para acontecer. E podia ser tudo porque tudo estava ali, à minha frente, corpo contra corpo. E foi o príncipio e o fim do mundo, a eternidade prometida e nunca alcançada.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Piso 0

Joseph Jachna

E de repente pisou-se o risco e nada voltou a ocupar o mesmo lugar, nem antes nem depois e o durante foi um sonho. Pisou-se o risco com a ponta dos lábios e mudou-se de vida num segundo.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

De preto no branco

Anabark, Museu, [2013]

Tão fácil... mas sem o final feliz dos filmes antigos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Inbox

Anabark, Looking Back [Nov 2014]

Um outro mundo começou neste dia há milhares de dias atrás...

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Entre a vida e a morte

João Castilho, Redemunho series

Parece-me fácil perdoar. Perdoamos por amor, e só nos magoam as pessoas que amamos realmente. E porque amamos é difícil não perdoar. Difícil é odiar, por muita mágoa que esteja desarrumada, quem nos foi vida numa espécie de infinito. Porque amamos encontramos em nós, apesar de tudo, margens de tolerância que, em tempos de guerra, nos faltaram. E perdoamos. O ódio é coisa ruim que consome a alma como a carne até que, um dia nada nos fica da pessoa que fomos nem ninguém resta à nossa volta. Porque odiamos e odiar é a mais fria das solidões. E morremos. Porque viver sem amor é impossível.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A propósito de silêncios

Anabark, Lágrimas que não se acabam (SET13)

Medo tenho da infinidade do silêncio, apenas disso e não da morte. Não me doem as palavras mas a falta de coração na voz. O silêncio que me aflige é o de quem não sente nada nem tem coisas para dizer. Porque não existe pior morte do que morrer-nos o coração em vida, porque nos condena a uma solidão interior irreparável. Porque a voz sem coração mata para sempre a felicidade. Alma que não sente morre lentamente de sede, seca e deserta. Ser feliz é ter muito para dizer, ouvir, ensinar e aprender. Porque a felicidade acontece no sobressalto do sentir, no reboliço da alma que quer crescer, no contrário do silêncio. Tenho tantas coisas para dizer que me irrito facilmente com a falta de oportunidade! Porque tenho medo de morrer de silêncio, esquecida de voz na sua infinidade.

sábado, 14 de setembro de 2013

Rigidez

Anabark, Insegurança (SET 2013)

E a vida é tão curta para fechar portas a quem foi a nossa vida!... Tudo quanto temos é emprestado, nada é realmente nosso, a não ser o que sentimos na alma. E a vida é tão curta para viver de alma fechada! Nada é mais valioso do que quem por nós passa e nos toca a alma, essa porta não fecha nem tem chave.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Hoje é dia de festa

Anabark, Lobo Mau (SET 2013)

Foram apenas quatro os beijos de parabéns que tive tempo de te dar. Das quatro vezes que te beijei este dia te desejei o mesmo: que a vida te seja um passeio feliz. Hoje que não te beijo o desejo não me morreu: vive muito anos e sorri todos dias.

Ass. O lobo mau

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Ponto de situação

Anabark, Ideias Fixas (AGO 2013)

Gostava mesmo muito de estar enganada como tu achas sempre que estou. Gostava de não ter razão nenhuma e de ser surpreendida por melhor razão!...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Quando os instantes da manhã se acumulam...

Regina Deluise, Three Chairs

Quando os instantes da manhã se acumulam nas
paredes da casa, eu rasgo as páginas onde te escrevo,
porque sei que tudo será desnecessário, tudo será
frágil, quando imagino o sol que não sei se poderei ver,
esqueço as paredes e,


com tanta força,

quero que sejas feliz.


José Luís Peixoto

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O que não me dói

Corinne Mercadier, Une fois et pas plus

São, em mim, dor todas as palavras que já disse e que foram mal interpretadas, distorcidas ou esvaziadas de sentido. Dói-me tudo o que não quis dizer e que me ouviram de coração esquecido. Dói-me tudo o que não disse um segundo antes do orgulho ferido. Dói-me o quis dizer e que ficou no silêncio perdido. Dói-me a falta de sentido, o desperdício das horas e o caminho destruído. Dói-me o equívoco nunca esclarecido. Dói-me a dor de quem mal me entendeu quando eu própria me deixei de ouvir. Dói-me a falta de amor do erro, o abandono da alma no que gritei e o abraço que não recebi nem dei quando era preciso. Mas não me dói o que, no melhor e no pior de mim, nunca deixei de sentir. Amor.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Coisas a menos

Anabark, Pintura Incompleta (SET12)

Um céu à espera do azul que lhe falta. Um espelho imperfeito, de contornos distorcidos. Um copo de vidro de coração partido. Tempo perdido em verdades relativas. Um azul à espera do céu que lhe falta. Silêncio à solta e palavras cheias que sobram, proibidas, que não podem voltar a ser ditas ao ouvido, ensurdecido, de quem se escolheu como infinito. Toda a alma que o coração segura no que sente e não desmente. Tudo o que se adormece para não viver cansado, permanece. O sentido não se esquece mesmo sentindo só de um lado, apenas aprendeu a estar calado.

domingo, 9 de setembro de 2012

Sete vidas te desejo...

Anabark, Home (MAI2012)

...Mas que sejam mais de sete. E que durem para sempre na memória e no coração dos que importam. Para muitos bens é o desejo infinito de quem te quer bem.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Patamar

Timmy Gambin

Encontrei uma vontade e junto tudo o que não foi para deitar fora e partir. Ao cimo desta escada, haverá uma outra escada para subir. As paredes deixaram de fazer sentido no sítio onde estão, o corredor, cada vez mais estreito e comprido, não tem qualquer utilidade. Encontrei uma vontade, refaço a casa inteira, subo a escada que me leva a outra forma de ocupar o espaço e o tempo. Tudo o que não preciso fica nos andares de baixo, na parte velha da casa, feita de paredes e corredores esguios e imcompreensíveis. Encontrei uma vontade e um quarto amplo, sem mobília, no andar de cima. Lá em baixo não chega o sol e tudo vai desaparecendo na falta de claridade. Desfaço-me do que não tenho, na sombra encontrei-me essa vontade.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

No cimo da escada

Anabark, Saída Luminosa (AGO2012)

Antes havia uma pressa de chegar, uma pressa de voltar, uma vontade de não sair. Antes havia uma urgência, um estado de ansiedade constante fora do abraço, um desassossego partilhado. Antes havia uma ideia crescente, um plano, um encontro de vontades numa escada sempre a subir. Havia luz ao fim do dia e estrelas à noite sobre a cama até o sol colorir a manhã. E havia o desejo sem fim de um corpo de perfume único e cores plenas transpiradas a toda a hora. E havia tempo contado que se vivia infinito, sem desperdício e sem descanso. E havia ausência que era saudade e havia saudade que era dor e havia dor que era Amor. E o pensamento voava sempre para o mesmo lugar e havia uma velocidade escaldante em cada regresso a casa. E havia palavras penduradas nos dedos como abraços à espera de se encontrarem. Antes, quando tudo era 'sempre' no fim das frases.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Jardim de inverno

Anabark, Quase flor (AGO2012)

Recordo flores que eram ideias cheias de cor e ideias que nunca se tornaram flores. Recordo flores que segurei na alma à procura de casa e que ficaram à porta rejeitadas como ervas daninhas. Recordo a noite que me chegou no instante em que, sem terra nem semente, me atiraram ao chão. Recordo flores que apanhei pelo caminho e levei para casa com a pressa de quem tem um beijo urgente para dar. Recordo a urgência que não encontrei nos lábios que tanto eu queria beijar. Recordo sinais e prenúncios de fim e tudo o que me desacreditava preferi ignorar. Recordo um jardim inteiro que definhou à falta de água por preguiça de regar. Recordo Amor, que acreditei de pedra e foi de vidro, julgado e condenado. Recordo a primavera e toda a luz do infinito em mim sacrificada ao passado.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Desengano

Choe Scheffe

Não sei fingir, não sei jogar nem sei mentir. Não sei viver alternativas que não sinto. Não sei procurar o que não perdi. Não sei dizer o que se passa fora de mim. Sei apenas a verdade que o tempo me ensinou. E sei ouvir o que me dizem com palavras certas, porque o silêncio tem a voz do nada. Nas mãos vazias encontro a certeza de que não estou enganada. Ontem foi uma história para contar e a vida é hoje. Sei que o Amor verdadeiro existe e não desiste, mas sei que não me encontrou como eu o encontrei em mim e o guardei  inteiro.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pintura

China.Zhangye, Province of Gansu

Às vezes, pego em lápis de todas as cores e pinto o mundo em tons quentes a condizer com o desejo do meu coração ardente. E não me chegam as cores que tenho, invento, na alma, raios de luz cintilante a condizer com o sobressalto constante que me aninha. E perco a voz a gritar cá dentro o que não me desertou. Às vezes, invento paisagens e acredito que elas existem para além do tempo que passou. E logo acordo num mar sem fundo onde nada vive e nenhum som se escuta nem de perto nem de longe. E pinto um céu cheio de estrelas e um vento fresco que me empurre. E pinto as palavras que trago debaixo da pele da cor do incêndio que, no coração, me sobrevive.

terça-feira, 24 de julho de 2012

O que não posso

Gerd Benninger, Yuanyang, 2011

Pudesse a alma ser de novo construída para evitar o que o coração sente. Pudesse a alma mudar como muda o corpo tão rapidamente. Pudesse eu ser uma pessoa diferente e sentir as coisas de outra maneira ou mesmo deixar de as sentir completamente. Pudesse eu ser apenas eu e não trazer debaixo da pele quem está ausente. Pudesse eu despir-me dessa verdade que o tempo me confirma porque a alma não tem idade nem as horas que passam desfazem a sua verdade íntima. Pudesse eu deixar de ser o que me é tão essencial e arrumar o desassossego que, apenas em mim, resiste como pele da minha pele. Pudesse eu viver pela metade e, não sendo inteira, resistir sem dor ao coração vazio e à alma perdida. Pudesse eu ser ser um corpo ausente de sentimento como princípio de vida.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Em vão

Anabark, Amarras (JUL2012)

Não sei adormecer a alma longe do que sinto nem esconder de mim mesma esse lugar, sem princípio nem fim, que me acordou um dia. São mil noites por dormir em que não falto à verdade de um sentir maior do que permite a força humana. Em vão. Não procuro o que não existe porque não vou encontrar o que me falta. Sobram-me horas vagas para aceitar honestamente esse tudo que não mudou em mim. Sobram-me ideias e certezas que o tempo não apagou. Em vão. Porque tudo é tanto o coração não se cansa. E existe um mar por dentro que são lágrimas que não se acabam. Em vão.