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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Quando os santos cairam do altar

Anabark, Fogo de alma (DEZ07)

Quando os dias parecem correr fora de ordem, perdidos numa espiral de contrariedades, vêm-me à memória lembranças de um tempo em que pouco era tudo e o suficiente para me salvar a alma. Relembro a tua meia volta no dia de hoje há um ano atrás e a volta que a minha vida deu desde esse dia. E penso nas voltas que o mundo deu depois disso. Queria mesmo dar-te a volta e que segurasses o que a alma nos meus olhos te dizia. Queria que voltasses mais do que tudo na vida. E o pouco que segurei entre as mãos foi o primeiro passo do regresso ao sempre do qual nunca desistimos. Recordo esse pouco, feito de números novos e olhos de uma transparência incontornável. Recordo o sopro de vida que me voltou nessa tua meia volta inesperada. O santo que cai do altar nesse dia caiu a meus pés sem se partir. Não te dei a volta, voltei-me a mim contigo.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Regresso

Linda Alstead, Coral Bark Maple 2, 2003

Amanheço sempre no abraço infinito em que me guardas a noite inteira. Lá fora, ainda que chova, a paisagem reflecte cores vivas que escapam do sorriso dos teus olhos. Acordo mais cedo para que me chegues mais depressa e embrulho-te em sonhos felizes antes mesmo de adormecer. E os dias confundem-se com as noites porque nos sonhamos o tempo inteiro e no que sonhamos todos os momentos são verdadeiros. Passamos pelos dias multiplicando os instantes plenos em que tudo acontece para além do imaginável, porque neles acontecemos por inteiro em pouco tempo, como quem vive a vida num só dia. Roubamos o tempo para dividi-lo em fracções a nosso favor e existimos em horas diferentes das contadas pelo mundo. Existimos no relógio do Amor, que não tem ponteiros, nem horas nem dias. Somos o intemporal que escapa à matémática do tempo. Somos a parte real de um conceito abstracto que não sabemos descrever. Mas sentimos, sempre mais, sem peso nem medida. Nem os dias são dias nem as noites são noites, o tempo só existe quando nele nos encontramos. Depois de nós existem apenas intervalos em que o mundo fica suspenso até que nos regressemos em cores vivas de sol pendurado no olhar.

sábado, 28 de abril de 2007

Começas-me os dias

Stephane Bouchard, I Miss You Tonight, 2006

Hoje o dia chegou sem ti.
Minto.
Os dias nunca chegam sem ti. Tu estás sempre presente mesmo nas horas que passo sem ti. O dia não chegou propriamente sem ti porque tu chegaste logo a seguir.
Minto.
Não chegaste logo a seguir. Não chegaste simplesmente, porque estiveste sempre aqui. O dia chegou quanto tu entraste por ele adentro e me enconcontraste à tua espera.
Minto.
Eu não estava à tua espera, porque tu nunca chegas a partir. Não sei como o dia começou realmente, apenas me lembro de te ter sempre comigo. Só sei desta saudade infinita como os dias que chegam sem ti. Sei que o dia chegou e eu amanheci nesta promessa constante de nunca partirmos do que somos... eternamente Uma.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Dentro e fora do copo

Stephane Bouchard, Splash, 2005


Enquanto dormes fico a olhar este copo que transborda do que julguei perdido. Dentro de um copo vazio passava-se um universo de amor à tua espera, que era infinito como eu te prometi. E hoje, neste copo que componho com o que somos e sempre fomos, guardo o amor sem peso nem medida em que nos redescobrimos. O vazio foi ausência, falta e a tortura das saudades que nunca chegam ao fim. O vazio foi sentir-te na distância dia após dia. O vazio era saber que existes e não poder partilhar essa existência. O vazio era muita coisa e o nada que me sobrava por detrás do vidro. O vazio era uma escada de palavras para te chegar e dizer o que te digo hoje ao ouvido. Dentro do copo vazio estava apenas eu e o sonho de me voltares e te deixares ser comigo. E tu dormias, sonhavas e amanhecias ao meu encontro dentro do copo. Um dia acordámos juntas a vontade de abreviar o vazio e deixar o Amor escrever-se a si mesmo. Hoje, enquanto dormes no abraço em que te guardo a noite inteira, transbordo de palavras de amor a transparência do vidro. E este mar infinito e intemporal de amor que coloco dentro do copo, é o tudo que cabe dentro, o que sobra eu guardo em pensamento que é infinitamente maior neste tanto em que existes em mim. Noite após noite, colecciono a nossa imensidão 'dentro de um copo vazio'.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Pedido

Shinta Djiwatampu, Ten, 2005

Que sintas sempre o meu calor ao acordar e antes de adormecer, porque o fogo em que me sinto em tudo o me és, não tem noite nem dia. Que me sintas ao teu lado a cada instante mesmo naqueles em que pareço não fazer sentido. Que me sintas sempre neste amor que me tranborda o corpo, alma e coração. Que nunca me procures por não saber onde estou, porque estou sempre contigo. Que me compreendas sempre mesmo quando não entendes o que eu digo. Que me ames perdidamente mesmo quando te dás conta da minha imperfeição. Que repares sempre no abraço que te dou, porque não tem tempo nem distância, tem a força da eternidade. Que acredites sempre em mim, porque a minha única verdade é querer-te infinitamente e amar-te incondicionalmente.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Eternamente fogo

Wes Hargrove, Flame, 2006

Quando se sente o Sempre um incêndio permanente, não podemos ignorar a chama que nos habita e nos recorda que a vida tem um princípio e um fim. E porque não duramos para sempre, procuramo-nos no pouco tempo que temos, procuramos um sentido, uma resposta a uma pergunta maior. Procuramos algo indefinido que nem sabemos existir; procuramos, nem sempre conscientes da procura, mas sempre certos da falta. Procuramos e nem sempre encontramos e, às vezes, desistimos, outras vezes a inquietude é demasiada para desistir do que nos falta. E um dia encontramos e, então, damo-nos conta de que a vida nos foge num instante e há que não perder tempo a imaginar o calor do fogo se podemos senti-lo debaixo da pele como chama de vida. Assim te encontrei eu, assim me incendiaste tu, assim me acendeste um 'nós'. Descubro a vida, que por pouco me escapava, neste incêndio permanente do sempre que te prometo, porque a minha eternidade és tu neste fogo em que te sinto dentro. Guardo-te em chamas, vivo-te em chamas nesta fogueira que alimento no coração infinitamente. Encontro-me a mim no que encontrei em ti - a vida por inteiro, com princípio, meio e fim, e a certeza de que tu e eu seremos para sempre este incêndio de amor.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Dias felizes

Carol E. Sandgren, Happiness, 2007

Sou feliz o dia inteiro, no desfilar das horas, minutos e segundos... E se o dia mais tempo tivesse, maior felicidade eu sentiria pelo que somos na intensidade do que sentimos. É impossível desejar mais do que ser feliz. E ser feliz é pensar-te a cada instante sem tempo nem distância e saber que me pensas também. Ser feliz é sentir, do outro lado do mundo, que adormeces a meu lado, embrulhada nos meus braços que crescem ao teu encontro sempre e em toda a parte. Ser feliz é sentir-me no teu corpo abraçada a noite inteira e acordar num beijo metafísico que nunca chega ao fim. Ser feliz é saber-te comigo com a certeza absoluta do que te diz o coração. Ser feliz é olhar-te nos olhos e encontrar neles o mesmo amor com que te visto e dispo quando te vejo chegar. Ser feliz é este querer sempre mais porque tudo é pouco e será sempre pouco para quem ama infinitamente. Ser feliz é adormecer no mesmo sonho de que, um dia, seremos tudo completamente. Sou feliz o dia inteiro e mais feliz ainda quando te sei feliz comigo e nada é mais verdadeiro do que a imensa felicidade do que só sei ser contigo.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Bom-dia, meu amor


Linda Alstead, Haircut 100, 2006

E enquanto acordamos em desalinho de saudades e vontade de sermos livremente, olho-te nos olhos para te dizer: 'Sinto a tua falta como a falta de mim mesma', porque tu e eu somos a mesma parte de nós, somos o que não desiste para além do tempo e da distância. E nos olhos que se encontram regressamos à vida que ficou suspensa na ausência da pele. E se pergunto 'Dormiste bem, meu amor?' é porque quero dizer-te 'Acorda agora, já é manhã e as horas são nossas'. E sorrio a olhar-te despertar e aninho-me na vontade dos teus braços. Abraças-me com a intensidade de quem hiberna nas horas ausentes de nós. Embrulho-te em mim com a força de quem dormiu muito tempo no sonho deste abraço. Despertamos uma na outra muitas horas de saudades. Sorris-me um mundo infinito que começa e acaba em nós. Sorrio-te um coração do tamanho do universo onde só cabes tu. Sorrimos no mar sem fim em que nos navegamos e nos sentimos Uma. E quando adormeces novamente, acordo-te durante a noite para te dizer: 'Bom-dia, meu amor, para o resto da minha vida'.

domingo, 1 de abril de 2007

Sem tempo

Bryan Miller, Lichen

O que é o vazio senão o espaço de tempo ausente de ti? Ausência é o vazio que se sente em cada segundo que passa lentamente pelo ponteiro mais rápido da contagem das horas. Fico a olhar para o relógio, contigo em pensamento, e não saio do mesmo sítio enquanto tu não chegas. E entre o aqui e o agora beijo-te infinitas vezes, à espera do logo em que seremos novamente o que nunca deixamos de ser por mais que o tempo se demore a encontrar-nos. A vida que me acontece no entretanto é feita do que existo contigo debaixo da pele. No que sou existes tu sem intervalos. E ainda que as saudades me descompassem a passagem do tempo, os meus braços prolongam o abraço que te quer de volta para te embrulhar de eternidade.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Sempre e mais um dia

José Pinto, Infinite, 2005

Quando te digo 'eternamente', quero dizer 'para sempre e mais um dia'. Eternamente é pouco, mais um dia faz toda a diferença porque te quero para além da eternidade. Não sei dizer-te de que é feito o amor a não ser por esta vontade de ser contigo sempre, para além do tempo e sem distância, porque não há longe entre quem se ama, apenas uma saudade infinita. Este 'nós' em que tu e eu nos confundimos sem princípio nem fim é, certamente, o amor dos poemas de amor que, antes de ti, nunca senti para além da forma. Contigo aprendi o que me faltava - o sentido do verbo amar que conjugo no presente e no futuro na primeira pessoa do singular. No teu abraço encontro a certeza da segunda pessoa do singular e quando adormeço tu e eu somos 'nós' no infinito. Amar-te é adivinhar-te sem te ver e sentir-te em pensamento nos intervalos de nós, é querer-te todos os dias mais, porque cresço todos os dias mais um bocadinho na verdade do que sinto. O amor é perceber que te esperei a vida inteira e nunca desisti de te encontrar, é procurar-te em toda parte e morrer de saudades no desencontro do tu aí e eu aqui. E este contentamento descontente que é o amor vem da falta que me fazes no que sou contigo, porque sinto a tua falta como a falta de mim mesma, porque não sei onde tu começas e eu acabo. O Amor é este nó cego que nos demos para sempre... e mais um dia.

segunda-feira, 26 de março de 2007

O que não te escrevo

Steward Lloyd-Jones, A sort of self-portrait, 2004

E, ao fim da noite, dou-me conta de que as palavras que conheço são insuficientes para te contar o que sinto tão completamente. Nas histórias que te invento, falho a intensidade do que consigo dizer porque dentro de mim tudo é mais, infinitamente mais, do que sei descrever. Neste amor que é maior todas as manhãs, vou procurando maneiras de te dizer o muito que gosto de ti e tudo é pouco nos arranjos de palavras que vou conseguindo, comparado com o que me transcende no infinito que sou contigo. E neste falhar do que quero dizer-te, vou baralhando e voltando a dar as palavras que falam de amor, na esperança de te inventar algo único, só para ti, em que sejas capaz de me sentir na intensidade do que te abraço. Já te escrevo há uma eternidade e nesta eternidade que sinto contigo cada palavra é um pedaço de mim e do que me és sem fim. Só existo nestes pedaços soltos que te dizem, sem engano, que a minha vida és tu. Colecciona-me como partes do todo que somos nós.

domingo, 25 de março de 2007

Caminho em chamas

Bruce Berrien, Milford, 2004

Passo a passo no que falta andar, caminho com a certeza de que não me enganei na encruzilhada quando virei na tua direcção. Caminho cautelosamente como se reaprendesse a andar depois de muito tempo no mesmo sítio rente ao chão. Sigo em frente e o meu sentido és tu. Quero chegar-te no que nos falta e só nos falta o que ainda não sabemos mudar à nossa volta. Chegar-te é segurar-te na distância, dentro do coração. Segurar-te é saberes que te abraço todas as vezes que me pensas durante o dia. Amar-te incondicionalmente é viver-nos nesta espera feita de beijos sem princípio nem fim. E se morro de saudades no tempo que nos falta é porque tenho pressa de sentir o fogo que somos pelo caminho. A minha urgência de ti é um principio de vida: não existo no que não te tenho, sobrevivo embrulhada neste querer-te infinitamente. No caminho que tu e eu vamos andando tudo se incendeia, tudo é fogo da nossa eterna chama. Tu e eu somos um oceano que nos queima de sangue a ferver.

Nos intervalos

Steve Price, 2006

Que faço eu nos intervalos da vida, nesses intantes em que não existo pelo que não me vês? Que faço eu nos buracos do tempo que me ficam do que não estás comigo, nesses momentos em que me sinto ausente de mim mesma? Não faço nada - paro de respirar para não perturbar a calma perfeita do sonho em que te encontro uma e outra vez para além da distância. Fico aqui parada, na companhia das estrelas que guardam o infinito do nosso amor. Seguro-te no que te sinto e no que tenho para te dar e te receber também, que é imenso como o horizonte onde repouso a alma enquanto espero. A distância só existe quando não sentimos e nós sentimos um universo inteiro a acontecer entre nós. E neste infinito em que te vivo debaixo da pele não há intervalos nem ausências. No teu lugar em mim, só existimos nós a corpo inteiro e um coração do nosso tamanho.

sexta-feira, 23 de março de 2007

A melhor parte

ALB, Shades of Indigo, 2006

De que é feita esta força inexplicável que nos confunde corpo e alma num só, indistinto e uno? Adivinho-te do que me conheço e do que te aprendi do muito que temos em comum. Sei-te no que sentes pelo que eu sinto também para além do silêncio e da distância. Conheço-te através de mim, na forma inteira com que sempre estive contigo e tu comigo. Tu e eu somos muito mais do que conseguimos explicar e mesmo que soubéssemos dizer tudo o que somos, seria demasiado e ninguém nos acreditaria. 'Acreditamos nós e é isso que importa', dizes-me tu. Sim, nós acreditamos no que sabemos ser verdade por incrível que pareça. Se vivi uma vida inteira à espera de te encontrar e te reconheci no primeiro instante em que te vi, não preciso de explicações para o que acontece com a simplicidade do que é puro e genuíno. Porque as coisas simples são as mais verdadeiras, aquelas em que confio com uma certeza inabalável. E eu tenho-te naturalmente dentro de mim, sempre e em todo lado, como aquela minha parte que quero salvar sempre primeiro. Foi essa parte que salvei todos os dias ausentes e nela acreditei muito para além das evidências. Foi dessa parte que não quis desistir pela absoluta certeza do que sinto e do que quero viver contigo. Foi essa parte que me tornou melhor pessoa pelo que aprendi a amar verdadeiramente. Essa minha parte que preservo sem tempo nem distância és tu e o teu lugar em mim, hoje e sempre, incondicionalmente. Somos enquanto existimos e no que sentimos somos eternamente.

segunda-feira, 19 de março de 2007

As saudades em que morri

Alfisti, Nail

Deixa-me falar-te do que sei de cor e, de cor o que sei melhor são as saudades em que te vivi nos dias em que me faltaste. Nesses dias tudo era espuma, frágil e inconsistente. Tudo era um inverno infindável, cinzento e chuvoso. Nesses dias só havia noite e um sol negro ao meio-dia. A tua ausência deixava-me rente ao chão e, no teu silêncio, eu morria muitas vezes sem nascer ao outro dia. E no tempo que passava só a minha dor me acordava do pesadelo em que dormia. Não sonhava depois de adormecer nos dias em que adormecia, procurava-te durante o dia em sonhos de quem não dorme há muito tempo. E neste mar de destroços em que me flutuava, eu ia aprendendo a respirar debaixo de água. Amava-te e, de vez em quando, sorria contente por saber amar e ter bem concreto e definido este sentir-te em mim tão completamente. E adoecia nas saudades como um castigo de mau marinheiro à deriva num voltar a casa impossível. E quando caia no fundo do mar, vinha uma voz de longe, de dentro de mim, que te trazia e em mim ficavas por instantes. E as saudades matavam-me mais um bocadinho. Enquanto a dor dessa saudade me consumia, sentia-te e, pouco a pouco, passei a acreditar no que não via, mas sentia tão intensamente quanto a dor que me mantinha viva. Guardava-te dentro de um copo a transbordar de saudades e aprendi a sentir-te para além da distância em que me fugias. Guardei-te em amor do qual nunca desisti e no amor silencioso em que me guardavas também. Desencontrada de mim no que te perdi, reencontrei-me na fé do que se sente e não se vê. Falo de cor dessa saudade porque a conheço bem. Mas hoje que me voltaste, as saudades que tenho tuas são tão infinitas quanto o meu querer-te sempre embrulhada em mim. Sinto a tua falta quando te tenho e tendo-te na certeza de estares sempre comigo e eu contigo em pensamento.

domingo, 18 de março de 2007

Dentro e fora fogo

Bryanl, Volvano NP lava flows, 2002

Quando a vida me regressa no abraço em que nos queremos a vida inteira, só dou pelo tempo que passa pelas vezes que morro de saudades tuas de hora a hora. A tempestade em que me deixas quando partes, mesmo nunca partindo do que te guardo dentro, é a urgência deste querer-te eternamente. E nesta minha inquietação percebo que o Amor é este descontentamento de tudo saber a pouco pelo muito que se sente e pela falta que me fazes mesmo quando estás comigo. Porque somos muito nada é suficiente. Porque sem ti os dias não existem. Porque a minha vida é este fogo de querer-te infinitamente. Porque não sei amar-te menos do que amei completamente no silêncio e na distância de um copo vazio. A certeza com que me habitas corpo e alma é, hoje e sempre, a força desta vontade de amar-te mais, quando mais é impossível. Daqui até ao infinito será sempre insuficiente para sossegar o meu desejo de ser contigo.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Aqui, sabemos onde

Steven Price


Amanhã quando acordares, estarei aqui. E depois de amanhã, também. E todas as manhãs da tua vida. Estarei no muito que existe entre nós e só tu saberás onde me encontrar. Sabes onde fica 'aqui', este 'cá' onde existimos. E eu estou neste lugar em nós e do absoluto em que nos sabemos. Aqui, neste lugar onde somos de verdade. Sou por inteiro no que me dou a ti e recebo-te na mesma proporção. Já quase morremos no vazio, salvou-nos a saudade de um amor que nos eleva deste mundo frágil como vidro. Na espera uma da outra, sentimos o sangue como lava no centro de um vulcão e a vontade de nós transpira-nos em cada poro. Nesta forma única em que nos preenchemos tão completamente, define-se aquilo que dá pelo nome de Amor. Estamos aqui onde só nós nos sabemos encontrar de perdidas de amor que estamos.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Sempre

Anabark, Sempre (OUT06)

Nesta saudade em que me aninho a toda a hora, vou juntando todos os pedaços de ti que me ficam entre a carne e a alma. Gostar-te é querer-te à minha beira a toda hora, demorar-te num abraço antes de ires embora e embrulhar-te de beijos em pensamento pela noite fora. Amar-te é ter-te em mim num sempre para além do tempo e do espaço que nos separa, é sentir noite e dia esta constante vontade de nós e nunca saciar a sede que nos desafia o corpo a cumprir o coração. Não sei amar-te menos do que incondicionalmente nem querer-te menos do que infinitamente. A minha certeza é o absoluto que não se explica. És tu o meu lugar porque és tu a minha raiz. Nasci para te encontrar no dia em que te conheci e vivi uma vida inteira nesta espera de ti. Não somos por acaso, somos a força do que nos permitimos ser felizes. Seguro-te nos dias, nos anos, nas vidas que nos faltam para sermos nós. Sempre é mais do que uma promessa, é a minha forma de estar em ti.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Sonho-te a cores

Zenmatt, Paint Trck, 2006



E quando me adormeces no desejo que te embrulha em mim, não sei se durmo, se sonho ou se de saudades eu já morri. Amanheces-me a pressa de acordar para correr o que me falta para chegar-te. Não durmo, fico horas acordada no amor com que te desenho o corpo quando não estás comigo. No calor que me incendeia corpo e alma, desassossego em tudo o que recordo de ti. Quero-te lentamente no abraço de fogo que não se acaba em nós. Quero-te com a urgência do respirar que nos segura a vida. Dizer que te desejo é pouco, desejar é menos do que a vontade do verbo 'querer' e eu quero-te muito para além do desejo que nos consome. E por todas as vezes que não consegues adormecer porque me pensas na tua pele e por debaixo dela, eu invento mil maneiras de me sentires na mesma saudade que te arranca ao sono. Não durmo, sonho-te com o vagar incendiante de quem te espera numa promessa de beijos que ilumine, por inteiro, a estrela que me és, gravada no meu coração. Deixa-te ser comigo eternamente.

terça-feira, 13 de março de 2007

Mar me quer

José Pinto, Dourada, 2004

Quantos anos passam em cada minuto despido da tua pele? Sinto a vida interrompida nos intervalos em que não acontecemos e a respiração suspensa no que não me canso de esperar. E no tempo em que te demoras vivo-te intensamente do que me ficou do dia atrás. Sinto a marca dos teus braços no meu corpo abraçado de saudades e a ponta dos teus dedos na pele que me tocas mesmo quando não me tens contigo. Sinto-te chegar e partir no mesmo fogo antigo que, longe ou perto, hoje e sempre, nos consome. O que somos não tem tempo porque existimos dentro e fora do pensamento. Tu e eu somos o espaço imenso de um mar de amor sem fundo. Naveguei-te na distância e, nas voltas que dei no fim do mundo, nunca deixei de te encontrar. Ausência é falta, é morrer sem deixar de respirar. Se o mar me quer como eu quero o mar, só a viagem me importa e a certeza que tenho de conseguir chegar. A sede que temos de nós não nos deixará naufragar.