quarta-feira, 25 de julho de 2007

Fora de horas

John Wayne, No Use Crying Over Spilt Milk!, 2006

O presente importa porque existe e porque é hoje que o futuro começa pelo que esperamos de nós e de nós esperamos um universo cheio de mundos por descobrir. E por cada dia que passa quero-te mais, sem peso nem medida, quero-te sem fim - ontem que já passou, hoje que te vivo aqui e amanhã pelo que nos sonho cumprir. Acertei o coração pela intensidade do Amor e assim me dou conta de que o tempo é uma falsa aritmética, apenas útil a quem vive desapaixonadamente. Tu e eu faltamos ao tempo, tanto quanto nos falta o tempo para sermos tudo o que nos prometemos sem darmos conta do vento que nos sopra as horas para fora de nós. O porvir é uma promessa de infinito, uma ideia de 'sempre', um conceito vago, abrangente, mas talvez insuficiente para viver o que nos falta quando o que nos falta é a eternidade. O Amor acontece fora de horas, foge aos planos, vive de improviso e da capacidade de entornar o tempo pelo chão. Quem ama passeia pelos dias e selecciona instantes para viver por inteiro e torná-los eternidade. O que vivo contigo é intemporal, sinto-te infinitamente e na imensidão do amor perco-me de saudade.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Em código

Adalberto Tiburzi, I Need a Key

Por mais que leiam em livros escritos em todas as línguas do mundo, por mais que saibam de ouvir dizer, por mais que reconheçam nos outros aquilo que dá pelo nome de 'Amor', nunca saberão o que é realmente a sua essência se não sentirem na pele o arrepio da saudade, por breve que seja o espaço de tempo que nos separa de quem amamos. Porque entre um segundo e o outro se pode morrer de saudades, porque entre a ausência e a falta é possível morrer de amor, porque a saudade mata e a falta de amor também. Por mais que achem que conhecem e que sabem o que é o Amor, é preciso ter a chave e usá-la com sabedoria como num código a decifrar. Porque o Amor não se copia nem se reproduz por imitação, porque amar é desaprender frases feitas e versos de poetas, porque amar é sentir na alma o que manda o coração. O Amor vem de dentro, sem juízos nem preconceitos, sem palavras suficientes a dar-lhe forma ou uma definição. Por mais que penses que nos conhecem e que sabem tudo sobre nós, não saberão certamente, porque de nós só existe uma chave, aquela que guardamos ao peito, que só nós sentimos do lado de dentro do coração, como um segredo apenas nosso do qual só nós conhecemos a solução. Ninguém sabe o tamanho do que se sente infinitamente, apenas eu e tu no 'nós' que vivemos tão completamente.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Caído do céu

Robert Faraday, Hope (La Speranza), 2006

Do céu caiu um coração e entrou-me pela casa adentro no dia em que acordaste o resto das nossas vidas sem sequer saberes porquê. E porque entraste pelo telhado da minha casa sob a forma de coração, hoje sei o que é verdadeiramente Amar. Todos os dias te descubro maior no meu encontro com o Amor. O meu coração não tem tamanho, alarga e estica com o que pões dentro. O Amor, sem fim, que nele mora é feito do que te guardo em mim do que me dás de ti e do que somos nós do que aprendemos a ser juntas infinitamente. Lado a lado, dois corações sobrepostos não têm tamanho porque o Amor verdadeiro é para sempre, ainda que 'para sempre' seja insuficiente para viver e morrer o amor da minha vida. Por muito tempo que seja, parece pouco a quem se passeou demasiado tempo pela vida à espera de um coração. Caiste do céu em cheio no meu peito que embalas com a mesma certeza de Amor no te oiço dizer:
"Hoje sei o quanto é diferente Amar. Amar de verdade é o que sinto nas mais pequenas coisas que sei que é contigo que sinto pela primeira vez na vida: é acordar só para te sentir aqui e poder tocar-te, é ser embalada pela tua respiração enquanto dormes; é a minha pele vibrar ao toque da tua; é, quando te digo 'Amo-te' ou tu me dizes a mim, senti-lo na alma e no coração; é sentir-te única e insubstituível; é saber que, sem ti, porque já vivi 'longe', a minha vida não faz sentido; é ao teu lado todo o mundo à volta desaparecer; é beijares-me e eu perder o chão e o norte; é estares doente e eu ficar doente também, é temer o pior e perceber que se te perdesse eu queria 'ir ter contigo' a seguir; é sentir que te pertenço por inteiro e adorar pertencer-te, como se nos pertencêssemos e nos completássemos uma à outra desde sempre; é observar-te sem que te dês conta e pensar comigo mesma: 'Meu Deus, amo-te tanto, mas tanto'; é fundir-me no teu corpo numa urgência que não sei de onde vem e que tem uma força incontrolável; é querer-te sempre entre os meus braços; é ter intuido, inexplicavelmente, tudo isto no momento em que nos conhecemos e reconfirma-lo todos os dias num Amor infinito que cresce mais e mais a cada dia." *
E porque és tudo e porque vou viver mil vidas contigo, não sei amar-te menos do que este tanto que aprendo ao mesmo tempo que tu. Do céu só cai um coração uma vez na vida e, às vezes, nem isso. Não sei se te mereço, mas quero cuidar-te em Amor nesse infinito que aumenta de dia para dia.
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* U-Turn (23. Julho. 2007, 01:31)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Antes de adormecer

Terry Clarke, October (Reflections), 2005)

E nos dias que passam por tudo com pouco tempo para nós, sonho acordada com o dia seguinte, lento e vagaroso cheio de eternidades nossas. A saudade fica sempre para além do tempo, porque o que é infinito é intemporal também. Penso no que pensas enquanto eu te penso naquilo que te escrevo sem reparar nas horas. A esta hora dormes e eu sinto o abraço em que me embrulhas enquanto vou ficando por entre palavras ensonadas que te acordem pela manhã. Espero pela luz do dia para te dizer o que sei que sabes de cor, mesmo quando quase te esqueces de te lembrar. Por agora encosto-me a ti à distância de um beijo e fecho os olhos para te encontrar mais depressa depois de adormecer. Não acordes - aninha-me onde estiveres em sonhos e deixa-me ficar até serem horas de voltarmos ao dia.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

No outro tempo

José Pinto, Outro Mundo

Havia no fundo do mar uma promessa, quase tão grande como o Amor, resumida numa única palavra 'Sempre'. E lá no fundo onde eu vivia sem luz do sol, iluminava-me essa ideia de ti - 'Sempre'. Como desistir da certeza de 'Sempre'? No fundo do mar segurou-me a esperança de que me sentisses como eu te sentia a ti, sem longe nem distância. E ainda que não te soubesse, acreditava-te a pensar em mim e chorar ao mesmo tempo que eu enchia de mais lágrimas o mar que me afundava. Sentia-te sem terra firme, à deriva e eu deixava-me naufragar todos os dias ao fim do dia, sem vontade de adormecer e acordar para mais ausência na manhã seguinte, porque a ausência torna-se doença e acaba por matar. No fundo do mar, era eu e tu comigo no que eu sentia e acreditava. Lá longe, do outro lado do mundo, vivias tu o mesmo 'Sempre' da promessa, silenciosamente, tão silenciosamente que só eu te ouvia. E enquanto te enrolavas na areia sem queres ouvir o que te respondia, eu, no fundo do mar, cuidava do 'Sempre' teimosamente, tão teimosamente que toda a gente se ria. Mas eu e tu tínhamos razão, da certeza de 'Sempre' não desistimos. Salvou-nos o Amor e nele nos navegamos numa ideia de mar infinito e intemporal. Sempre - tu és insubstituível.
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"They couldn't hear him. They couldn't see him. But he was there when they needed him... Even after he was gone." («Always», Steven Spielberg, 1989 - EUA)

terça-feira, 17 de julho de 2007

Infinitamente mais!

Anabark, Veludo (JUN07)
Amar-te é encontrar uma forma de te abraçar nos dias em que os braços nos doem de esticar sem conseguir tocar. Amar-te para além de tudo é ultrapassar-me a mim mesma para te chegar primeiro. Amar-te por inteiro é sorrir quando te penso num bom ou mau momento. Amar-te tudo é procurar-te em toda a parte e encontrar-te antes de tu saberes onde estás. Amar-te infinitamente é arranjar maneira de te lembrar sempre que vamos viver eternamente, porque juntas não temos fim. Amar-te perdidamente é sentir-te pele da minha pele e, sendo Uma, nem tu começas nem eu acabo. Amar-te incondicionalmente é não saber desistir porque gosto de ti contra tudo e contra todos se tiver de ser. 'Eu mais' é o infinito do que te sinto que fica por dizer.
... eu mais, infinitamente mais!...

Thinking Blogger Award

Sonia Mak, The Thinker, Houston, TX, 2005

Ando sempre distraída e fora de tempo. Nos mundos paralelos o tempo não existe ou, se existe, perdi-me algures entre um ponteiro e outro.
Assim, e com o devido atraso, agradeço-te a nomeação do que está dentro deste 'Copo' no «The Thinking Blogger Award». É meu privilégio a tua escolha, sobretudo, pelas palavras simpáticas que acompanham a nomeação - que te sintas sempre bem ao passar por aqui. Obrigada!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Nascemos uma estrela

Anabark, Entre o Céu e o Mar (JUN07)

Enquanto dormes e eu caio de sono, sopro-te ao ouvido aquilo que te repito, vezes sem conta, em voz alta a olhar-te nos olhos nos olhos, 'amo-te incondicionalmente'. Deixo, sem dares por isso, um beijo nos teus lábios adormecidos e sinto-te reagir, como sempre, aos meus lábios ensonados. Entre beijos , digo-te boca a boca, 'O champagne é um truque de magia, vou fazê-lo aparecer só para sentir o abraço cintilante com que me seguras no olhar. E não será ilusionismo, é a magia da força de vontade e do compromisso que assumi em mim de fazer-te feliz para o resto das nossas vidas. Fecho os olhos e, nas saudades que te tenho, embrulho-me a ti. Encontro-te em sonhos, onde posso esgotar-te de forças, mas nunca extinguir-te o fogo, tão intenso quanto o meu, que nos descontrola o corpo por via do coração. De manhã quando acordarmos seremos uma nova estrela a brilhar, intensamente, no céu.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Viver além de existir

Hubble Image: Dark Matter Halo around Galaxy Cluster Cl 0024+17

E será sempre assim, porque o chão nos foge dos pés em cada beijo e tudo é um mar infinito em que navegamos a vontade de nunca chegar ao fim. Ser de outra maneira nao seria simplesmente, porque o tudo só faz sentido quando nos damos por inteiro. E quando nos temos completamente, o mundo é mais pequeno do que o nosso tamanho. Viver é acordar em ti e adormecer-te na certeza de que o tempo não existe para além de nós, e nós somos a vontade de infinito. Viver de outra maneira não seria viver simplesmente, sobreviver talvez. Antes de ti eu existia e pensava que vivia, mas só vivia pela metade. Antes de ti, a vida era outra coisa qualquer, uma ideia de existência, sobrevivência talvez. Contigo tudo começou como um universo inteiro em expansão, porque a vida só começa quando acorda o coração.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Cobrar ao tempo

Dennis Rogers, Rusty Nail, 2005

Agora que sei mais do alguma vez soube, agora que sei que existes, vou procurar-te e encontrar-te em todas as vidas que me estejam destinadas por desígnio superior. Porque te quero o tempo do antes de nós, porque não me chegam nem mil vidas nem um universo inteiro para o tanto que és em mim. Quero o tempo que passou antes de sermos, aquele tempo perdido de um lado para o outro, quando não passávamos de uma ideia vaga de Amor, baseada numa qualquer passagem de um livro ou numa história de cienema. A vida acontece quando estamos desprevenidos e nós mudamos, crescemos e reinventamo-nos e, às vezes, renascemos. Hoje, que sei que és tão real quanto o sangue que me percorre e dá vida, quero-te tudo completamente. Querer-te tudo é olhar-te nos olhos, mesmo sem estares à minha frente, e sentir-te única num arrepio que me atravessa a pele e me chega ao coração. Querer-te tudo é sentir-te pele da minha pele e viver-te intensamente mil vezes por segundo. Falta-nos o tempo que vivemos antes de nós, àparte disso sobra-nos a eternidade e o infinito do verbo amar que nos embrulha corpo, alma e coração.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Caminhar-nos em caminho

Scott Wright, Trails of Traffic - A27, 2003

Olho à nossa volta e só um caminho se descobre à nossa frente, um trilho cheio de luz alimentada pela nossa vontade de palmilhar a vida lado a lado. E a força que nos faz caminhar com certeza de pisar o chão é marcada pelo compasso uníssono do bater do coração. Não me lembro do que ficou para trás no dia em que te conheci, nem sequer tenho a certeza de ter existido antes de ti. E ainda não há muito tempo descobri que depois de ti não há nada a não ser a memória do tudo que és tu. Hoje estamos aqui incondicionalmente Uma. Sabemos por onde vamos e por onde queremos ir é uma vida inteira a descobrir. Hoje, que somos para sempre, crescemos um universo inteiro em busca de nós e seguimos em frente. O Amor serve de guia, de escudo e arma ao mesmo tempo. E há uma luz mais alta que nos ilumina a vontade de chegar ao que queremos ser por inteiro. E esse sol que trazemos por dentro é a fé que precisamos para nos mantermos de pé, mesmo que tropecemos mil vezes pelo caminho. À minha volta só consigo ver-te a ti e seguro-te com a fé de quem vive certezas de alma e coração infinitas. O nosso caminho é longo, sabemos. Mas o nosso querer não tem tamanho.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Horas de incêndio

Ann LT, Sprayed 2
Às vezes fico a olhar para as manchas do tecto, outras vezes apetece-me riscar o teu nome nas paredes da cidade. Deixo as saudades incendiarem-me e espalho o fogo à minha volta. Não sei estar quieta com uma floresta a arder por dentro, não sei calar-me quando os meus lábios queimam em chamas de paixão descontrolada. Às vezes sinto tudo isto e, nesses momentos, as manchas que descubro no tecto, para passar o tempo, têm o teu contorno e, quase de certeza, o teu cheiro também. E fujo do impulso de correr para ti e abandonar-me a esta vontade de te ter, o tempo todo, refém do meu Amor. Tento distrair o pensamento, mas tudo acaba e começa em ti. E, entre o que vou pensando em desassossego permanente, o tempo vai correndo em ritmos diferentes - umas vezes, passa com a toda a pressa, outras vezes, tudo fica suspenso, tudo pára na contagem dos minutos que nos separam de sermos de novo Uma. O tempo é injusto com o Amor. As saudades de Amor queimam por dentro o corpo, a alma e o coração. No tecto vejo umas vagas manchas que teimam em mudar de sítio. Não são manchas, são cinzas do incêndio que acontece enquanto penso em ti.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

À espera das estrelas

Gili Levy, Sea Star (Zanzibar), 2007

As estrelas dos teus olhos esperam por mim e os meus olhos brilham a contar o tempo que falta para lhes chegar. Estou tão perto que quase consigo tocar-lhes através das memórias que guardei para matar as saudades. As memórias nunca são suficientes, as saudades persistem e multiplicam-se. E os dias passam lentamente quando estamos à espera. O teu coração feito de estrelas bate feliz e espera com a mesma ansiedade. 'Agora já é logo?', pergunto, contando que o tempo passe mais depressa se eu perder a noção das horas. Não, agora ainda não é logo nem daqui a bocado. O meu agora é daqui a uns dias. Sento-me e aguardo a luz que te veio de dentro como dois astros-sol. Já faltou tudo, agora falta muito pouco e eu sei esperar. As estrelas dos teus olhos são um bocadinho minhas também e eu espero o tempo que fôr preciso para as ver brilhar. Vai-me contando histórias desses teus pedaços de céu para eu não sentir tanto o tempo por passar. Nesse entretanto, os meus olhos brilham na luz dos teus onde eu posso esperar.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Definição

Ann LT, Street Shots Series

O Amor é uma estrada de dois sentidos para percorrer, um dar e receber para cumprir em igual medida, um saber dizer e ouvir equilibrados. O Amor é adivinhar e compreender, mas também é não saber e perguntar. O Amor é feito de curvas e contracurvas e uma mesma velocidade. O Amor é medir tudo o que não tem tamanho, é querer segurar o vento, o mar e o tempo tudo mesma mão, ou apenas um beijo que nos faz fugir o chão. O Amor é encontrar-te em tudo o que penso e digo e acreditares em mim mesmo quando não te faço sentido. O Amor é sonhar-te durante a noite e acordar de manhã a teu lado, é embrulhar-te em pensamento nos meus braços duas ou três vezes por segundo e morrer de saudades a toda a hora. O Amor é acreditar em ti antes de uma explicação e fazer entender por entre o silêncio o que se perde nas palavras e o que falhamos em dizer. O Amor é ter a certeza de que fazemos tudo bem intencionado, esteja certo ou esteja errado. O Amor é o lugar onde tu e eu habitamos por debaixo da pele, é o brilho que te descubro no olhar quando olhas para mim e saberes que te espero para além do tempo e te desejo infinitamente.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Urgência

Ann LT, Emergency Calls Only

Tenho urgência de te dar aquele abraço que tu e eu sentimos urgente. Tenho urgência de correr para ti para te dizer 'estou aqui' e me encontres no exacto instante em que me procuras. Tenho urgência de te dizer que as horas que demoram até ti são horas desertas de tudo, áridas e sem vida, porque tudo pára nos intervalos de nós. Tenho urgência de te mostrar que as saudades são infinitas e uma forma eficaz de tortura do corpo e da alma. Tenho urgência de fotografar o brilho dos teus olhos feito do que somos uma na outra para que nunca me falte essa luz primordial. Viajo nesta espiral de urgência da vida que és em mim e nela eu te regresso antes de partir, mesmo que a nossa ausência só demore alguns segundos. Tudo em mim é esta urgência de te ter sempre comigo à distância de um beijo. Tudo em mim te procura, tudo em mim te adivinha onde estás, como tu a mim. Todos os abraços são urgentes. Embrulho-te todas as noites com a urgência de braços que te querem para sempre, quando para sempre é tempo infinito, como infinito e intemporal é este Amor em que te sinto em tudo o que existo à tua beira. Tenho urgência de ficar a olhar para ti só pelo prazer de olhar para ti e sentir-te em mim tão completamente. O Amor é este estado de emergência em que nos vivemos todos os dias e alegremente sorrimos sem perceber porquê.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Amor a cores

Sharon Rogers, Paintjob Series

Guardei-te um coração desenhado na parede para te dizer 'bom-dia' enquanto eu estou a dormir. Passei a noite a pintá-lo em cores de uma eterna primavera para que, quando lhe tocares, me sigas os traços da tinta por debaixo da pele. No meu peito, um coração cor de sangue em fogo sonha contigo e aninha-se na meiguice que sente nas tuas mãos. Na parede, um coração em cores de prado verdejante fixa-se no teu olhar e nele fica a perfumar o dia inteiro. E quando a noite cair vem desenhar-me na pele a primavera inteira a florir por entre os dedos. E depois disso, vamos perder-nos em poemas cheios de Verão em cada palavra a transpirar do corpo. Baixinho e ouvido, oiço o que me dizes. A minha resposta tu adivinhas: 'Eu mais!'. E por mais que me contraries dizendo que não, eu teimo no tamanho do que não cabe no coração, porque o Amor é infinitamente grande: 'Eu mais, Meu Amor, muito mais!' Não podemos pesar na balança, mas posso escrevê-lo e pintá-lo por toda a parte e, depois, correr para ti, para te ouvir contrapôr o que aprendeste comigo: 'Não, EU mais!'. E, no amor infinito que nos sinto, eu sorrio.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Segurar-te sempre

Sharon Rogers, Life's a Drip Series, 2006

Seguro-te e não me esqueço de te abraçar vezes sem conta entre o aqui e o agora. Abraço-te por dentro de mim mesma a saber que me sentes completamente. Sei segurar e manter intacto. Sei embrulhar-nos de amor e oferecer-te a melhor parte. Sinto por inteiro a força com que me abraças e a paz de espírito que te envolve quando a pele se toca e os lábios se encontram. Seguro-te com aquilo que me sei capaz e sou capaz de muito para te fazer sorrir. Seguro-te com a mesma vontade com que me seguras a mim. Caminhamos no que é nosso e somos mais fortes porque avançamos juntas e estamos mais perto porque sabemos o que queremos. Caminhamos firmemente no que somos uma na outra e, no que nos vamos descobrindo e renovando, somos tudo. E tudo vale a pena quando nos sentimos a vida inteira e mais vidas que venham depois disso. Seguro-te esse infinito que nos aproxima da eternidade. Sempre é o que sinto em cada beijo teu e no aperto dos teus braços feitos de coração quente e amor para sempre. E quando te adormeço seguro-te o final das histórias infantis... 'e foram felizes para todo o sempre'.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Em toda a parte tu

Adalberto Tiburzi, Yes, I've said "You", 2007

E se dúvidas houvesse da certeza com que te guardo dia e noite, bastaria olhar à minha volta e ver-te escrita por toda a parte, porque em tudo o que me rodeia eu te vivo, porque a vida só faz sentido no que nela ponho de nós. Em todo o lado te encontro, no ar que respiro, nas saudades que transpiro, nos muros que seguram o pronome, nas promessas de beijos que os meus lábios não contêm, no desejo de que a força com que me abraças nunca chegue ao fim. Em todo o lado passo por ti e demoro-me no que te sei e no mais que te quero saber ainda. E este cruzar-me contigo em toda a parte onde tu não estás desassossega-me e apressa-me a chegar-te e a desafiar a física do Tempo para que nos sobrem mais horas, mais dias, mais vidas lado a lado. Já vivemos outra vida separadas e desperdiçámos anos desencontradas. Se à minha volta tudo és tu, deixa-me ser tudo o que me desejo contigo: a noite e o dia embrulhada em ti. Se dúvidas houvesse deste sempre em que te sonho, bastaria uma palavra para me definir a eternidade - 'Tu'.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Pedaços de ti

Carol J. Phipps, RainRainFallingFall, 2006

Faz mal à saúde esta ansiedade de querer abraçar-te para sempre enquanto me dizes:
"És o 'meu amor para sempre', também tenho a certeza, de outra forma nada faria sentido. Por ti vivo, contigo me encontrei a mim própria e contigo me completo - estas são sensações de certeza raras (só contigo as senti), tão reais e tão plenamente vividas como no primeiro momento. Das pequenas às grandes coisas, tudo contigo é perfeito: fazer amor é como se nunca o tivesse feito com mais ninguém - contigo é tão natural, tão espontâneo, tão livre, tão cheio de nós, tão fantástico; dançar contigo a mesma coisa coisa, como se nunca tivesse sido capaz de dançar agarrada a alguém porque não fazia sentido - contigo os movimentos são sincronizados, completam-se, sem qualquer esforço tudo parece inato e é encadeado na perfeição, com o mesmo ritmo, com a mesma sintonia com que fazemos tudo. Tudo em nós é único e especial. Nunca tive esta sintonia, esta sensação de perfeição, de plenitude, de me completar por inteiro com ninguém. Parece inacreditável, mas Somos Uma." *

...Como faz mal à saúde certamente este querer-te sempre e em toda a parte e obrigar-me a ter juízo. Sou contigo tudo: o Amor e a própria Vida.
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* U-Turn (26. Junho. 2007, 01:19)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Debaixo da pele

Kevin Sargent, Just Underneath, 2006

Por debaixo da minha pele estás tu e depois de ti o mundo acaba. O vazio que se me prende aos lábios, quando as horas fogem a este tudo que somos, faz-me saber que depois de ti não há nada. Depois de ti são águas paradas, perdidas de esperança de navegar. Depois de ti ficam bancos de areia à espera de vento. Depois de ti o azul é de noite porque até mesmo o sol se esquece de acordar. Tenho-te debaixo da pele até ao fim do mundo que nunca vai ser porque tu e eu existimos para sempre. Somos o mar infinito e intemporal que nos prometemos no Amor que navegamos cada vez mais seguro no seu rumo. Somos azul celeste reflectido no mar pelo sol que nos ilumina por dentro e nos torna imortais. Somos a vontade de luz, certeza de sempre e querer infinito. Debaixo da pele somos nós, inseparáveis e indivisíveis. Debaixo da pele somos tudo, sem tempo e sem distância. Debaixo da pele somos o encontro do que sou em ti e tu em mim - a soma de duas partes: o tudo o que te dou e o tudo que me dás. No sangue que nos passa pelo coração somos Uma no infinitamente da alma.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Tudo e tanto

Kevin Sargent, Fire and Ice, 2007

Imagino-te o dia inteiro feito à nossa medida. Os nossos dias não têm horas, têm vidas presentes, passadas e futuras. Sem intervalos, vivo-te em mil planos de te fazer feliz porque não existo fora do que sou contigo, porque contigo sou tudo. Sou por inteiro e tão completamente que não me lembro de ter existido doutra maneira senão nesta urgência que me faz correr à frente de mim própria para chegar-te mais depressa e teres sempre os meus braços à tua espera. E à minha espera está sempre o abraço em que me embrulhas e o desejo com que me despes, num impulso tão intenso e tão urgente que nos confunde a pele e nos funde a alma. E deixamos de ter chão e nada mais existe. Quando deixamos de saber onde começas tu e acabo eu, muito para além do corpo, cumpre-se a promessa de sermos Uma. Desenho-te o que sinto em cada recanto do que te sei de cor. Nos teus lábios beijo a certeza de que somos tudo eternamente. Nos teus olhos me encontro e, no Amor que vejo neles, tu e eu existimos para além do tempo. E enquanto escrevo recordo-te quando dizes 'Amo-te muito mais do que algum dia vou saber dizer-te ou escrever-te, porque as palavras são limitadas para expressar o tudo e o tanto que sou contigo e que somos juntas.' Sim, meu amor, as palavras nunca serão suficientes, mas o coração sente o que fica por dizer.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Vai correr tudo bem

Jenfu Cheng, July 2004

Não será a solidão um luxo quando sabemos que temos alguém à espera? Alguém que nos sonha dia e noite à distância de um beijo? Alguém que sustem a respiração e que não vive, sobrevive, nas horas de ausência? Alguém que nos quer com a certeza de 'para sempre'? Alguém que nos ama incondicionalmente? Quando não temos algo completamente devemos lutar para conseguir tudo ou ficar pelo que poderia ter sido? Quando temos a certeza do Amor à nossa porta não será isso suficiente para construir o que nos falta? Já tive medo da morte, já não tenho - se tivesse vivia tudo pela metade e a vida passar-me-ia ao lado. E tive medo do Amor até ao dia em que o reconheci. Não tenho medo nem receio de amar-te tão completamente e tenho a certeza deste tudo em que te sinto e desta vontade de nós para sempre. Faltar-te é faltar-me a mim também, porque te sinto a falta como a falta de mim mesma. Seguro-te e nunca te deixarei cair. Mas se caires sem eu dar conta, estarei no chão para te amparar a queda e erguer-te de novo pela força do meu abraço. Juntas, vai correr tudo bem.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Embalar-te

Anabark, Sonha Comigo (MAI07)

Meu Amor, esta noite queria muito contar-te uma história de embalar e ficar à espera que adormecesses para eu dormir também. Esta noite queria abraçar-te com a força dos meus braços que são longos o suficiente para te segurar na promessa 'Vai tudo correr bem'. Esta noite queria dar-te um beijo feito de lábios que te desejam mil vezes entre um beijo e outro. Esta noite queria segurar-te no amor que não tem fim, que começa e acaba em ti quando tu és tudo o que existe em mim. Esta noite quero amar-te ainda mais do que todas as noites juntas e todos os dias que nos faltam. Esta noite quero que me sintas verdadeiramente sem tempo nem distância. Se esta noite for a primeira do resto da tua vida quero que aconteça com a certeza de que não estás sozinha e que ganhas muito mais do que imaginas. Quero que acredites que valho a tua paz de espírito e que sou capaz de te amar um universo inteiro com duas estrelas ao centro e tu em toda a parte. Adormece, meu amor, e sonha comigo. Quero que me sonhes depressa e amanheça para te abraçar à luz do dia.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Fluidez

José Pinto, Disintegration

Gota a gota pressinto o rio que corre para um mar imenso e infinito do tamanho do que os os meus braços gostam de ti. Procuro-te a água em que te abandonas e onde eu quero mergulhar sem fim, à procura do momento em que nos tornamos translúcidas como água pura na transparência do vidro. Guardo-te gota a gota em beijos que se enrolam boca a boca no desejo infindável de ti. E nesse rio, que acontece quando tu aconteces em mim, passa uma corrente que nos segura e nos salva com a força da eternidade. Sinto-te infinitamente nesse tudo que nos transborda, como um mar infinito e intemporal que tenho sempre à flôr dos lábios. E nas ondas, que são gotas feitas de marés vivas em nós, eu encosto corpo e alma e agradeço ao coração - porque o corpo se cansa e descansa, porque a alma sonha e cumpre-se, porque o coração sente um coração de igual tamanho no teu peito, com o mesmo ritmo e intensidade. Gosto-te em tudo o que te sinto, amo-te para além desse tudo em que te descubro sob o sol radioso que me acrescentas aos dias.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Sorrio-te

Linda Altead, 15 day of advent smile, 2004

De tão feliz adormeci sem querer. E agora que a noite me acorda para dormir o que falta, sorrio-te um bom-dia para que te dês conta da felicidade em que adormeço a pensar no Amor e no sempre que descobri contigo. Sonho-te infinitamente acordada e a dormir. Sorrio-te este tudo em que te sinto por inteiro. No sei outra forma de amanhecer do que abraçar-te com a força deste querer sem fim e sorrir-te pele na pele.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Sem destino

Doug Kessler, Lost Highway, 2006

Perde-te comigo, perde-te em sonhos e, depois de acordares, parte comigo sem destino planeado para além de nós. Sabemos o caminho que nos leva ao 'sempre' e como lá chegar. Perde-te no sonho de sermos nós completamente, estarei por toda a parte onde me procurares. Perco-me contigo em todas as direcções e, numa estrada sem ponto de chegada, passeamos por todos os pontos de encontro lentamente, sem pressas de chegar ao fim, mas com urgência de nos viajarmos. Parto contigo onde me levares pela tua mão, pelo teu corpo e coração. Encontro-te em cada passo que dás em mim e daí partimos as duas entrelaçadas numa só. Perde um dia e uma noite para sentir o mar infinito e intemporal que nós somos juntas, ou muitos dias e muitas noites se pudermos. Mas não percamos tempo em partir - não pela pressa de chegar, mas pelo prazer de ir e vir muitas vezes, ao encontro do que sabemos ser intensamente e do que nos transcendemos em sentimento. Parte comigo para um único destino: nós infinitamente, onde me quero perder contigo para lá de sempre.

terça-feira, 5 de junho de 2007

'Vês, foi fácil!'

Linda Alstead, Old Anchor Point, 2004

- ...Sinto que sempre te conheci...
- "Sinto o mesmo desde que te conheço, sabia que iria reconhecer-te e reconheci. Não tenho uma explicação, mas o sentimento foi tão forte que, ainda hoje, recordo o momento em que te olhei pela primeira vez e senti que éramos tão transparentes uma para a outra que nos líamos, que o passado não existia, nada mais existia à nossa volta. O mundo inteiro desapareceu quando te vi a primeira primeira vez. Era, dali para a frente, como no poema do David Mourão-Ferreira: "Passado e futuro não são nada só o presente é infinito". E assim foi a partir de então. Quando estamos as duas nada mais existe, só nós e o nosso mundo eterno (sem longe nem distância). Somos uma desde sempre e para sempre."
U-Turn (5.Junho. 2007, 00:18)
- Obrigada, Meu Amor!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Em chamas

Sue Beatrice, Fire Sensuality

No meu corpo tudo é fogo, um mar em chamas descontroladas, onde o sangue é lava incandescente. No meu corpo aconteces noite e dia debaixo da pele incendiada pelo amor inadiável que vivemos a cada instante. O teu corpo, feito de lume, abraça-me com o mesmo calor e, encontradas numa só, desaparecemos numa floresta feita de braços que amam para além de qualquer definição. Encontro em cada beijo o sabor de uma paixão maior e mais ardente, que o corpo não esgota nem hoje nem amanhã nem nos dias e nas noites que estão para vir. Quem se deseja com tanta urgência, vive para sempre em Amor. Queres-me como eu te quero e, no que ambas queremos, o desejo nunca chega ao fim. Tenho-te com a intensidade do sangue em ebulição, vivo-te corpo a corpo com o tudo que guardo no coração. E no fogo em que ardemos sem descanso, sabemos que 'sempre' é pouco tempo para este tanto em que nos desejamos infinitamente. Trazemos chamas cada vez mais vivas em cada beijo e deixamos um incêndio atrás de nós quando partimos. E nas horas que demoramos longe, ardem florestas no desejo de voltarmos a navegar no mar de lava que é vida em nós.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Nós sem fim

B. Shortall, 2007

Andei à procura de uma definição de sempre - eternidade, infinito, intemporal... tudo me parece insuficiente para dizer que sempre é estares aqui comigo e sonhar-te constantemente até ao fim dos dias. Sempre é olhar-te longamente e apaixonar-me por ti todos os dias. Sempre é sentir-te em mim e perder a noção de tempo. Sempre é amar e ter a certeza desse tudo como sopro de vida. Porque o Amor não se mede em dias, o Amor não pertence ao tempo. O Amor vem de dentro, desse fogo que arde no peito ao centro, num coração que estremece feliz ao ouvir o teu nome. Sempre é este desassossego constante, esta vontade de te chegar mais depressa e mais intensamente. Sempre é saber que existes tal e qual eu te sonhei antes de nos termos encontrado. Porque o Amor não tem peso nem medida, o Amor acontece continuamente no que sabemos ser. A Amor é a força inesgotável com que te vivo mil vezes entre um aqui e agora. Sempre é querer viver eternamente para estar mais tempo contigo. Sempre é dizer-te que te amo tudo cada vez mais quando mais é impossível. Sempre é este crer em que te desenho eterna, embrulhada nos meus braços todas as noites de mil vidas. Sempre é o tempo verbal de todas as vezes que te digo 'amo-te', porque sempre és tu em mim e somos nós sem fim.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A casa em que te sonho

Anabark, Casa (MAI07)

Todas as noites te sonho numa casa feita de nós, com quatro janelas para alma e uma porta ao centro, à entrada do coração. E na nossa casa feita de sonho nenhuma das janelas terá cortinas, porque a luz que nos ilumina vem do sol que trazemos dentro neste tanto que nós somos uma na outra. E a porta, sem fechadura, terá a segurança de um amor infinito tatuado para sempre nos quatro cantos do coração. Na casa que te invento, o tempo não existe, só a vontade de sermos eternamente Uma. Na casa que te invento, o tempo sou eu e tu. E no que nos sonho nesta casa feita de esperança, somos um quarto aberto, imenso, de paredes brancas que escrevemos como páginas de um livro. Adormeço todas as noites na história que se escreve numa tinta permanente que nos escorre da alma com que nos damos. Somos a história que o coração segreda à alma e que o corpo sabe ouvir e viver com absoluta paixão. Na nossa casa feita de sonho nunca adormecemos, porque o desassossego que nos acorda é esta intensidade de sermos tudo completamente - a vida inteira de amor para sempre.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

À porta do nº 8

Anabark, Nº 8 (MAI07)

Há uns dias atrás fui à tua procura noutro tempo que não este onde existimos. Fui procurar-te na infância e deixei-me ficar num abraço imaginário ao que não te conheci. Apeteceu-me adormecer à tua porta de criança, à espera de te ver debruçares-me na janela um sorriso cheio dos dias felizes da infância. Apeteceu-me ficar ali imóvel, de respiração suspensa à espera de ver-te sair a correr para chegares mais depressa a lugares cheios de vagar, que te deixavam ser tu livremente. Enquanto te procurava rua abaixo, fui coleccionando pedaços de ti que ficaram por onde passaste, ainda vivos na tua memória. Aprender-te é também querer conhecer-te nesse ontem e, nesse ontem, senti-te feliz. Procurei-me um abraço feito de ti, precisava de um abraço e esperei-te. Encontrei-te no coração exactamente como no dia em que me apaixonei por ti. E mesmo não te conhecendo dessa infância, tenho a absoluta certeza que já nos cruzámos na vertigem do tempo. Conheço-te de um passado que apenas imagino ou, quem sabe, de outra vida, ou não faria sentido eu sentir-te tão completamente no passado, presente e futuro. Leva-me a esses lugares sem pressa onde passas horas a brincar e nunca me deixes, triste, fora da brincadeira. Tenho saudades de tudo em ti, mesmo do tempo que te viu crescer feliz. Durmo secretamente à tua porta, em pensamento posso tudo. Quando passares, vou soprar-te o meu nome ao ouvido e dizer-te: 'Meu Amor, deixa-me estar para sempre na tua vida'.

domingo, 27 de maio de 2007

Brinca comigo

Anabark, Red (C'MON), MAI07
Anda lá, eu empresto-te o meu boneco.
Podes brincar com o meu C'MON sempre que quiseres, mesmo quando te chateias comigo!
Eu empresto-te na mesma.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Conta-me histórias

John Sands, End, 2004

Passeia-te comigo nos mares de algodão onde te sonho e recorda-me, vezes sem fim, a vertigem do primeiro beijo. Deixa-me navegar-te por entre as ondas do tempo e traz-me à memória o instante em que o 'sempre' nos aconteceu. Fala-me dessas histórias do princípio da vida, embala-me com pedaços de 'nós' até eu adormecer. Gosto de saber que te lembras e de te ouvir recordar coisas que, às vezes, imagino partes de um sonho feliz longe de realidade. Estou acordada e o mundo não é perfeito, mas tu e eu existimos e somos 'nós'. O mundo não é perfeito, mas o mundo não existe, nada mais existe quando estou contigo. Enquanto não adormeço, descreve-me, ao ouvido, o sabor que fica nos lábios quando um beijo nos diz tudo, conta-me outra vez histórias do amor que nos descobrimos. Lembro-me de tudo, mas gosto de passear contigo na seda que nos embrulha, permanentemente, corpo e alma. Adormece-me nesse abraço do que somos infinitamente tatuado no coração.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

'F'... faz bem à saúde

Anabark, No banco da cozinha... (MAI07)

Recordo-te entre um cigarro e outro nesse lugar e imagino-te, vezes sem conta, no momento em que pensas em mim nesse mesmo sítio de onde nunca cheguei a partir. Tantas vezes viajei por lá, em pensamento para te encontrar sem te dares conta, que faço parte das paredes de onde fico a contemplar-te, entre anéis de fumo, no banco da cozinha. E tenho inveja do cigarro que te passa pelos lábios enquanto não te beijo para além do pensamento. Sei que te dás conta que te penso ao mesmo tempo que tu e que te desejo tão incontrolavelmente como tu a mim. Não resisto a revisitar-nos nos intervalos do tempo. Quando não souberes onde eu estou, encontras-me sentada no banco da tua cozinha à espera que acabes o teu cigarro e te venhas sentar em mim.
"...I've been kissing my cigarette wishing it was you..."
The 6ths, "Kissing Things" («Hyacinths & Thistles», 2000)

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Entre o mar e a areia

Anabark, A caminho (MAI07)

Os caminhos da pele que te percorro enquanto não adormeço lembram-me a areia lisa beijada pelo mar. E, enquanto não adormeço, beijo o imenso areal em que me desejo num tempo infinito em que a única dimensão és tu. Caminho-te lentamente, não tenho pressa de chegar onde não existe fim, mas apenas o espaço entre dois passos um a seguir ao outro. E neste abraçar-te intensamente com braços do coração, perco-me em ti, procuro-te em mim e encontro-nos em 'nós'. Passeio-me na certeza do caminho em que acontecemos e sorrio a olhar-te nos olhos onde me sinto em casa. Quantas vezes é possível apaixonar-me por ti? Todos os dias te descubro e a paixão, que os outros dizem passageira, acontece com a mesma vertigem de um primeiro beijo. Caminho-nos por todos os recantos do corpo, da alma e do coração num estado de urgência absoluto e incontornável. Mergulho-te no mar que seguro nas minhas mãos e repouso na areia molhada e lisa, onde te desenho palavras de amor que o mar vem buscar. E voltamos ao princípio, tudo recomeça entre a areia e o mar muitas vezes seguidas. O mar enrola na areia porque se sente sente feliz.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Sem mãos

David Boyett, CD V777-1 Radiation Detection Kit, 2006

Ontem eu tinha medo, hoje já não tenho. Ontem não sabia o que ia acontecer, hoje também não, mas pouco importa quando estás ao meu lado. Hoje o dia amanheceu mais inteiro, mais perto do essencial. Sinto-te na mesma certeza que me embala a mim, sinto-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença para o resto da nossa vida. Neste sentir infinito, que abraço - hoje sem mãos - com alma e coração, repouso o sonho de existirmos por inteiro e livremente. O meu sonho e a minha vida és tu e eu não sei viver sem te pensar sempre e em toda a parte. Sinto-te como um sopro de vida e, portanto, hoje já não tenho medo. Os teus braços seguram o que os meus, por hoje, não podem segurar e reparo na tua boca cheia de beijos suspensos à espera de me poderam chegar. O meu corpo não sossega a vontade que tem de ti, mas hoje, que estou sem mãos, embrulho-te em pensamento num guardanapo escrito com a palavra 'Amo-te', sei que vais gostar! Obrigada, meu amor.
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I have no life but this
To lead it here
Nor any death, but lest
Dispelled from there;

Nor tie to earths to come,
Nor action new,
Except through this extent,
The realm of you


Emily Dickinson, XX (1924)


segunda-feira, 21 de maio de 2007

Dá-me lume

Anabark, Gás em estado líquido (MAI07)

Voltei e, enquanto não estive, houve um incêndio na minha cabeça que a distância não impediu. E o fogo queimou-me dias e noites numa cidade sem água nem árvores para arder. Apenas o corpo ardeu por dentro, a transpirar para fora o desejo de voltar rapidamente aonde pertence por inteiro e eternamente. Regresso-te com a urgência da vontade em que te sei e em que me consumo neste espaço de tempo que me separa de ti. Viver-te longe é nunca chegar ao destino porque fico sempre onde parti, porque tu és o meu único lugar onde quero chegar. Neste desassossego constante do que te tenho e do que me faltas perco horas a inventar-nos na intensidade que nos conhecemos. A chama arde sem fim, sempre firme e luminosa. Sinto-te a arder no mesmo fogo que em mim falho em controlar, porque nenhuma de nós sabe controlar o que o corpo, a alma e o coração comandam na mesma voz. Gosto deste calor que me queima a pele por dentro e por fora à tua espera. Gosto do fogo que arde sem se ver quando sozinha ando por entre gente. Mas prefiro infinitamente o incêndio que somos uma na outra, por cada vez que partilhamos saliva, suor e o estado líquido em que nos confundimos num mesmo corpo de prazer. Porque somos Uma, no que o coração ama, a alma sonha e o corpo deseja. Quero-te no meio das chamas em que te regresso. Quero-te nesse estado líquido de gás condicionado à espera de faísca. Quero-nos em constante risco de combustão, nesse perigo iminente que nos impõe o coração.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Volto já


Marisa Taddia, French Kiss, 1995

Enquanto não chego, deixo-te um beijo pendurado na vontade de voltar-te. O calendário contará sete dias, tantos quantos Deus demorou para criar o mundo. No meu coração terão passado sete anos ou talvez setenta, não sei, mas serão anos e não dias certamente, porque as saudades não se medem em dias, mas nos segundos que se contam lentamente e no que se morre entre um segundo e o próximo. Parto sozinha de ti e sempre contigo em pensamento, porque não sei viver de outra maneira senão neste lugar em que me habitas de forma permanente. Parto vagarosamente porque, sem ti, não tenho pressa de partir, apenas urgência em chegar-te. Abraça-me o regresso com a mesma força com que te embrulho neste beijo antes da partida. Enquanto não chego, beija-me lentamente no passar dos dias para que nem eu nem tu morramos de saudades. Espera-me como eu te espero e dá-me um bocadinho deste pouco que aqui deixo, espera-me com o mesmo tudo em que te levo e te trago de volta, num beijo à chegada.

domingo, 13 de maio de 2007

Chega-te aqui

Stu Egan, ... , 2007

Encosta o teu ouvido aos meus lábios e sente a brisa do mar com que te sussurro baixinho 'Amo-te tanto, meu amor'. E depois fecha os olhos, enquanto te embrulho na intensidade das palavras que te soprei, por cima do ombro, como um fôlego de vida em que preciso que acredites sempre. Deixa-te ficar no conforto de um amor que perdura sem tempo nem distância e todos os dias é mais forte do que no dia anterior, porque a força do amor mede-se na resistência ao mar revoltoso, aos ventos contrários e às correntes adversas. Deixa-te sentir que tudo vale a pena quando há braços que desejas e te esperam com igual desejo. Deixa-te estar assim, de olhos fechados, junto a mim, e descansa nos meus gestos que te dedicam toda a minha melhor atenção. Deixa-me dizer-te 'Para sempre' com a voz do coração. Encosta em mim a tua cabeça e deixa ficar comigo os pensamentos que te atrapalham. Deixa-me sentir sempre que és comigo e que juntas somos 'nós' para além do que nos intervala. Encosta os teus lábios aos meus para que sintas na tua boca a saudade que carrego em cada beijo. E deixa-me sentir as tuas saudades por todas as vezes que pensas em mim e que, de repente, te pára o pensamento com vontade de me abraçar. Estarei a sentir o mesmo e ao mesmo tempo de pensamento suspenso em ti e nesta vontade de te amar.

Nevoeiro

Werner Eickenscheidt, Misty distance, 2005

Dói-me a cabeça por tentar ver mais longe do que os meus olhos alcançam. Porque quero ver através do nevoeiro, dar forma precisa às manchas na paisagem para além do contorno disforme em que fixo o olhar. Ver mais além é acreditar que existe algo na distância, algo concreto para além da imaginação. Dói-me a vista pelo que me esforço em alcançar esse longe indefinido onde, provavelmente, nunca irei chegar. Enquanto a noite não me abraça, fecho os olhos para que descansem sem pensar e, assim, me aninho num longe que é para dentro, num nevoeiro que começa e acaba em mim. Na paisagem interior dói-me a distância de mim própria.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Sem peso nem medida

Michael Capozzola, Doorway in Mykonos

Encontro-te em cada esquina do que existo dentro e por detrás da porta da casa em que me invento. Encontro-te num sonho, em pensamento e depois na realidade. Encontro-te num abraço infinito a caminho da nossa eternidade. Encontro-te à minha volta onde tudo és tu e no meu mundo em que tu és tudo. Encontro-te sempre onde te procuro porque és, em mim, um sempre em toda a parte e, de tão presente, não posso deixar de encontrar-te. Guardo-te em cada canto da alma o que sobra do coração, porque o Amor ocupa espaço e o meu não tem peso nem medida. Guardo-te hoje com saudade e a sentir-te a falta mesmo no tempo em que não te conhecia. Não sei viver-te menos do que neste desassossego constante que me percorre noite e dia. Não sei querer-te menos do que este desejo sem fim de sentir-te a pele da minha pele, num incêndio de corpo único. Não sei amar-te menos do que nesta vontade incessante de passear-te o corpo e a cuidar-te com o coração. Encontro-te no que respiro, guardo-te no que sou, quero-te para sempre e amo-te um universo inteiro. Não posso amar-te mais porque mais é impossivel, mas posso amar-te por mais mil vidas ainda.

"...Tudo da tua pele me volta à boca,
volta ao meu coração, volta ao meu corpo,
e volto a ser contigo
a terra que és:
és em mim profunda Primavera:
em ti volto a saber como germino..."

in "Ode e Germinações, I", Pablo Neruda

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Amor Total

Linda Alstead, Loveboat on a sea of burning passion, 2006

Soneto Do Amor Total
Vinicius de Moraes
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e a miúde,
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.

Flor sem tempo

Anabark, Não sou romântica (MAI07)

Já pouco resta à minha volta que não sejas tu. Ofereço-te uma flor. Não é muito, apenas uma flor do campo, mas tu sabes o que guardo em cada pétala para me receberes. Uma flor silvestre não é muito, eu sei, mas a intenção é do tamanho do mundo e o Amor com que a seguro entre os dedos resiste às chuvas do inverno e aos ventos e tempestades da vida. É coisa pouca eu sei, mas é o que tenho mais à mão para te dar aqui e agora. Por enquanto, só te posso dar este coração cheio de vida que te reclama e se reclama teu. Este pouco que te dou é a promessa do tudo que te quero dar ainda. Guarda-me em ti, como a flor que guardas num livro sobre os dias de espuma em que a vida se desconta no tempo. Guarda-me a acreditar que há flores que nunca morrem. Ofereço-te as flores que forem precisas para me acreditares a tua flor sem tempo. Não floresço na primavera nem me encontras nas estações do ano. Renasço a cada instante em que me sorris com o coração. Sobrevivo com a luz do sol que assoma nos teus olhos quando olhas para mim. Ofereço-te uma flor tão pequena que se perde na palma da mão e é tão grande o meu Amor que só cabe num mar sem fim.

O Jogo dos 7

Linda Alstead, Why?, 2005

Angell,
Agradeço o teu desafio, mas eu não sei falar de mim assim, em palavras escolhidas que me definam em exclusivo, tal como não sei escolher 'três filmes' ou 'três canções' ou 'três livros da minha vida'. Não sei excluir em mim e resumir-me duma assentada. Era bom que soubesse, mas não me sei tão de cor e salteado, sem dúvidas nem equívocos. Gostava mas não sei. Obrigada pelo privilégio de estar entre os 7 amigos que consideraste para conhecer melhor.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

A espuma dos dias

Anabark, Toda a noite e todo o dia (MAI07)

De que cor são os dias que vivemos como noites e as noites que vivemos como dias? Têm a cor dos teus olhos e dos meus e do amor que neles vive em estrelas de mil tons. E têm a cor da tua pele na minha e da paixão que nos incendeia de beijos e abraços que não queremos nem sabemos interromper. Os nossos dias e as nossas noites são da cor dos corpos que não dormem nem perdem tempo afastados. São noites em branco e os dias cor dos lençóis das noites em claro. As nossas noites confundem-se com os dias como os nossos corpos se confundem no prazer que nos damos à margem das horas. Porque o tempo não existe quando te passeio de alto a baixo e porque as horas são a força com que me abraças por dentro e por fora e me sentes estremecer, de pele suada, contra ti. As nossas noites entram pelos dias no que nos perdemos de prazer uma na outra. Não perdemos tempo, pedimos tempo emprestado. Queima-nos uma paixão que não conseguimos pôr em dia. Não dormimos, as nossas noites não são noites de dormir. Não despertamos do sonho acordado em que apenas cumprimos uma pequena parte da vontade que nos devora. Adormeço encostada ao desejo de te ter sempre e em toda parte e acordo nesta vontade constante que tenho de ti. Não sei dormir ao pé de ti, mas adoro dormir contigo e ao mesmo tempo que tu. Adormece-me de cansaço apenas e acorda-me cinco minutos depois - é o tempo que preciso para voltar a acontecer na sucessão dos dias e das noites que abraçamos como nossos. Deixa-me embalar-te agora, acordo-te daqui a pouco se não me acordares primeiro.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Enquanto não chegamos

Anabark, À nossa espera (MAI07)

À nossa espera nada acontece e o tempo só existe pelas horas que nos faltam para existirmos completamente. À nossa espera a vontade não desiste porque queremos tudo o que a alma sonha e o coração sente. À nossa espera sonhamos o que, juntas, sabemos ser por inteiro. À nossa espera somos o mundo que inventamos enquanto esperamos. À nossa espera navegamos o mar infinito em que nos amamos. À nossa espera, no universo em que existimos já somos nós. Não sei de mim sem ti, não sei ser eu se te sinto em mim como 'nós' e, quando olhas para mim, nesse sorriso que me chega tão sincero e feliz, oiço-te a mesma voz que me diz 'És a minha vida, o meu princípio sem fim e o meu ponto de chegada'. E nesse sol que escorrega dos teus olhos aos meus, embrulhamos a fé no destino que nos prometemos. Acredito em ti porque acredito em 'nós'. Neste amor maior do que todas as coisas imensas e sem tamanho penduro a nossa espera e sigo, calmamente, a voz em que acredito: tudo vale a pena quando à nossa espera estamos 'nós'.