terça-feira, 11 de maio de 2010

Antinatural

Luc Tricot, How would you name this one, 2010

Hoje, que não é sábado nem feriado, apetecia-me organizar as coisas e partir como na semana passada. Voltar de férias é tudo menos motivador... O egoísmo de ter os dias feitos por medida é um prazer supremo que a 'alegria do trabalho' não consegue igualar. E aqueles que dizem que 'adoram trabalhar' são loucos ou não têm vida para além daquela que o ambiente de trabalho proporciona – não são ninguém, apenas uma ilusão que se mantém em horário de expediente. Ser o dia inteiro implica uma liberdade rara, um luxo, algo só atingível pelo dom da contemplação. Há ruído por toda a parte e distracções por todo lado - estamos demasiado habituados a acreditar que somos o que nunca seremos realmente. A liberdade de ser completamente é um estádio de evolução. Nascemos, morremos: talvez um dia, se tudo correr bem, tenhamos novas oportunidades.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Reticências

Dragomir Vukovic, All, 2010

Que acontece aos espaços em branco que ficam dos dias? Porque há dias incompletos e horas que não se esgotam totalmente no que esperamos delas. Que acontece a esses intervalos de tempo imaterial? Acumulam como pontos de um crédito impalpável para usar numa outra ocasião de maior conveniência? É confortável a ideia de que existem vazios, intervalos e branco, espaços de tempo disponível, alternativas de voltar a fazer e fazer melhor o que ainda não aprendemos totalmente, o que perdemos ou o que não demos conta que existiu. É importante agarrar essa possibilidade como fruta fora de época que nos desperta maior vontade, porque viver é mais do que tempo contado, universal. A vida é a subjectividade do espaço temporal que ocupamos combinada com o desejo de rosas quando não as possa haver. Se assim não fosse, o universo inteiro seria uma imensa maçada, porque a previsibilidade é cansativa e porque não vivemos realmente se sabemos invariavelmente o que vem a seguir.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Liberdade

Sanjibm, Flying in the wind, 2009

Free your mind and the rest will follow

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Se calhar hospital

S. Sabine Krause, A try at perfection, 2010


Hoje acordei mais envelhecida do que o habitual, hoje dói-me o corpo e o dia pesa demasiado. Deitei-me doente. Durante a noite senti a tua mão cheia de calor aninhar-me e o sono veio e levou-me. Ou então, acordada, esqueci-me de tudo, dos ossos fora de sítio e de nervos inflamados, debaixo da tua mão quente reparadora. Durante o dia, quando o corpo se impacienta dorido, regresso à palma da tua mão quente sobre a minha pele da noite anterior e aí me recomponho e restabeleço a força que preciso para chegar a casa...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tu também não

Maria João Arcanjo, Theatre of the escape, 2010
Sou capaz de não ter razão. E tu também não. E talvez ninguém tenha a razão que quer ter porque é essencial acreditarmos em nós mesmos íntegros, sobretudo quando sobramos em fragmentos, onde não cabemos nem sabemos encaixar. Querer ter razão é uma procura de sentido quando nos apercebemos em pedaços, sem nexo, pelo chão. Sou capaz de não ter razão. Sou capaz até de nem saber o que é ter razão. Talvez não conheça, de todo, a razão. Talvez assim me justifique a minha intolerância e o desejo, oblíquo talvez, de razão. Ou talvez não. Talvez queira apenas aprender a reconhecer a razão e não teimar em tê-la simplesmente. Talvez a ti te seja indiferente a diferença, mas para mim são dois mundos à parte e um barco entre eles que não sei equilibrar. Não espero que percebas, entende apenas o esforço do meu querer, em ti e por nós, navegar.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Insatisfação

Aziz J. Hayat, Broken Metal, 2009
"Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos..."

William Shakespeare

terça-feira, 9 de março de 2010

Parece que é

Cosmo, Dusseldorf Hafen #2, 2009

No fundo, vemos o que queremos, da forma que melhor nos convém. A realidade será outra coisa qualquer, nem concreta nem definida, algo elástico, variável em função de factores inconstantes como a luz, o ponto de observação ou a capacidade cognitiva do sujeito, por exemplo. No fundo, nada do que parece é e de nada do que é realmente temos absoluta certeza. E ainda que acreditássemos na realidade tal como a observamos, erraríamos, porque a verdade é inatingível como a essência do tempo, que só usamos de forma conceptual por uma questão funcional e porque temos absoluta necessidade de medir o universo à escala humana. Porque não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. No fundo, a dúvida define-nos como espécie viva. No fundo, a maior parte dos mortais não tem a menor ideia do seu propósito de vida. Respiram apenas um dia atrás do outro. A realidade é o que cada um conseguir perceber de si próprio na sua relação com o mundo. No fundo, o Amor é um estado avançado de percepção do ser.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Sobreaquecimento

Ilse Rehn, Secret Journey, 2010

Tocar o corpo a caminho da alma encontrada. Sentir o corpo com a intensidade da vida que o coração controla. Fundir a alma no mesmo compasso que nos descontrola o corpo. Derreter por dentro a queimar por fora. Ontem é também hoje e assim será deste lado do universo, onde tu e eu somos o espaço infinito de um corpo só.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Capricho da Natureza

deep-x, sem título, 2010

Continua a chover por todo o lado. A chuva passeia-se pela rua e dentro de algumas casas, não poucas, também. E de pouco nos adianta a saudade de dias de roupa leve e céu aberto e lento. De nada serve queixarmo-nos do corpo encharcado e cheio de frio que arrastamos todos os dias por entre os intervalos da chuva, vento ou as duas coisas ao mesmo tempo. O Inverno reina no tempo dele, indiferente à indignação humana. E nós queixamo-nos por haver estações do ano umas menos azuis do que outras. Queixamo-nos da falta de água quando a chuva não chove e, quando chove, achamos sempre que é em demasia, convencidos de que sabemos melhor do que a Mãe-Natureza em que quantidades deve vir e ficar o Inverno. Melhor seria preocuparmo-nos em pensar soluções para melhorar o tempo dos homens em vez de dedicarmos os nossos dias debaixo de chuva a discursos inúteis sobre a metereologia, cheios de queixas infantis e caprichosas contra aquilo que realmente não podemos mudar nem alterar de acordo com vontades, jeitos e conveniências... e ainda bem.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Antes de chegar

h-pom, untitled 093, 2010

Ponto de partida, de chegada, ou simplesmente porto de abrigo. Os dias são viagens numa viagem desconhecida. O destino pouco importa, é durante a viagem que acontecemos e que o mundo muda de sítio e nas voltas que o mundo dá multiplicamos a nossa oportunidade de crescer. Ser adulto é assumir a responsabilidade e o compromisso dessa evolução. O erro e o medo fazem parte da viagem, assim como a vontade de descobrir e de vencer os dias pela experiência e conhecimento adquiridos no dia anterior. E do medo se faz força e do erro sabedoria. Durante a viagem podemos escolher viver.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Viver com urgência

Misu Schwartz, Temporary Structure, 2010

Talvez não sentisses frio se te abandonasses à fome de viver e percebesses que o resto da tua vida não começa amanhã, mas ontem ou hoje o mais tardar. Talvez não sentisses frio se te permitisses essa urgência de sangue a queimar por dentro pela falta de tempo a que, inevitavelmente, todos estamos condenados pelo simples facto de nascermos e morrermos demasiado depressa.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Escrever de luvas

Anabark a partir de Mischa Bronstring, Lockedbibles, 2007

Hoje lembrei-me de ir buscar as polaroids que nunca tirámos à gaveta das coisas impalpáveis e publicá-las aqui ou arquivá-las noutro sítio, de acordo com a sua importância. Assim, a olhar para elas, percebo que são muitos os momentos que ocupam este armário a guardar dentro a memória do que somos e do que erámos quando tudo começou. Hoje, sem mais nem menos, lembrei-me de desarrumar a memória e reviver o tempo desordenado. Foi assim que passei o meu dia, não me apeteceu fazer mais nada. Porque está a chover e está frio, refugiei-me no cheiro reconfortante de um móvel de madeira imaginário cheio de coisas nossas quentes, momentos de agasalho de ontem, hoje e sempre, que nos embrulham até que as massas de ar frio, que lá fora sopram os dias, deixem de o ser.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Inesperado

Derek Pullan, Hawai'Ian Islands

Outra vez o beijo, o mesmo beijo, sem tempo, de sabor infinito, vivo, intenso a queimar para além da boca. O mesmo fogo no corpo e nos lábios... Outra vez, meu amor, hoje e daqui a um ano e sempre, essa mesma força infinita de um momento inesperado.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Horas de gelo

F-Pappenheimer, Starlight, 2010

Conto as horas gota a gota, o tempo estende-se, torna-se longa a espera. Reparto os grãos de areia que ficam entre o que eu aguardo e o que me separa. Conto sem fim o fio de areia que vejo esvaziar lentamente minuto a minuto. Espero. E tudo anda mais devagar no tempo em eu espero. As gotas de água que substituem a areia cansada de contar as horas quase se tornam gelo e suspendem o tempo na ponta das folhas das árvores. Tenho as mãos e o corpo frio, porque me fazem falta os teus braços durante as horas geladas que as gotas de chuva prolongam na distância em que não estamos embrulhadas e no tempo que, daqui até aí, nos demora o calor do abraço.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Chão de água

Rudi Kokic, Nirvana, 2010

E, caminhando o Inverno, o chão tornou-se água, que abraça os pés em toda a volta, como se fosse essa a forma de fazer entender que assim é mais fácil a caminhada. Aqui e ali encontramos pedras, reais e imaginárias, pequenas, grandes, do tamanho que nós lhe inventarmos à nossa medida. Aqui e ali perdemos o pé e estremecemos. Depois olhamos para baixo. A água continua a embrulhar-nos os pés, como se fosse essa a forma de nos fazer saber que a carícia translúcida das ondas nos faz ver melhor por onde vamos. De resto, pouco importa se o Inverno se mantém invernoso, se a maré sobe ou desce, se o ceú se abre ou escurece. Não faz diferença a quem tem a claridade de saber onde quer ir.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dentro, uma janela

Jola Dziubinska, Frosty Diamonds, 2010

Nem sempre reparamos nos diamantes que tropeçam no nosso andar. Nem sempre perdemos tempo para contemplar a luz que nos ilumina, não a noite mas os dias por inteiro para além do tempo contado em unidades. Nem sempre estamos há altura de ver mais longe, para lá da matéria em que fixamos o olhar. Nem sempre encontramos a beleza onde ela existe sem senão - pura, translúcida, infantil. Perdemos tanto e percebemos quase tudo pela metade. Os olhos enganam-se e, às vezes, derrapamos numa cegueira continuada. Perdemos. Anoitecemos sem reparar. E o tempo foge mais depressa do que a nossa teimosia. O tempo é curto. Não nos espera. Vem, meu amor, à procura de tudo o que ainda não sabemos, e sabemos quase nada. A casa que construimos é o que nos falta descobrir e o que já encontrámos pelo caminho. A viagem é uma janela aberta virada para os diamantes que guardamos dentro e que nos oferecemos generosamente quando saimos à rua ao encontro uma da outra.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Podemos almoçar?...

Barry Green, Helical Pink, 2006

Não foi há muitos anos, mas já passaram alguns. Não temos muito tempo, mas temos uma outra vida. Podia ter sido ontem, lembro-me como se tivesse sido hoje, há poucas horas atrás. Podia ser amanhã e eu saberia reconhecer-nos, como me reconheceste da primeira vez. Seria fácil, como foi quando inesperadamente nos chegámos. Seria fácil hoje, amanhã, sempre. Porque há momentos instintivos, como nascer, respirar e morrer. Reconhecer-nos esse instinto de quem se acolhe na manta quente que corpo e alma sempre precisaram e nunca antes desse dia nos embrulhou, é renascer, crescer e viver. A vida só existe nesse acto instintivo que reconhecemos como Amor. Foi neste dia que te conheci e, reconhecendo-te, conheci-me. De forma inesperada, aprendi a respirar e a correr riscos pelo prazer de viver. Viver é amar-te e continuar a reconher-nos todos os dias.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A dimensão do básico

Cindy Diaz, Wiltered Flower, 2005

Espaço básico, a dimensão do que somos dentro de nós e não o espaço que apropriamos. Espaço básico. As fronteiras são por dentro e por dentro o espaço tem o tamanho da alma que nos anima. Na alma tenho-te a ti e a fronteira do que te quero não tem fim. O espaço básico do meu querer é um infinito de nós, sempre em frente um horizonte sem longe em que o abraço em que nos embrulho tudo torna perto aqui e agora. Neste espaço básico em que te enlaço não existem recantos abertos ou pontos de fuga. Tudo é amplo, tudo é desejo de mais. Maior e mais além. Porque nada limita o tamanho do coração. O que somos dentro do espaço que a vista não alcança, tem a grandiosidade de todas as coisas impossíveis de medir numa escala precisa. O que sentimos é palpável como espaço básico de existência. Por dentro existes como minha vontade infinita de vida.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A culpa é da vontade, amor da minha vida

Linda Mingay, Playing with FIRE, 2004

Uma canção que não me sai da cabeça quando penso em ti. 'A culpa é da vontade que vive dentro de mim e só morre com a idade, com a idade do meu fim':

A culpa não, não é do sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa não, não é do sol
Se o meu corpo se queimar
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te abraçar

A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa não, não é da praia
Se o meu corpo se ferir
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te sentir

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade


A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa não, não é do mar
Se o meu olhar se perder
A culpa é da vontade
Que eu tenho de te ver

A culpa não, não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa não, não é do vento
Se a minha voz se calar
A culpa é do lamento
Que sufoca o meu cantar

A culpa é da vontade
Que vive dentro de mim
E só morre com a idade
Com a idade do meu fim
A culpa é da vontade


ANTÓNIO VARIAÇÕES

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Olhar esverdeado

Hideki Shiota, Snap Shots Series, 2009

Ainda está a chover. O verde que a chuva afoga mantém a esperança de que nenhuma estação do ano dure para sempre. Tal como a vida que nelas se vai enrolando e desenrolando, porque nada se perde, tudo se transforma. E não somos mais do que apenas isso - vento, chuva e tempo quente alternados, partes de um todo. E mesmo que a chuva nos incomode, faz parte do ciclo que nos descreve e nos inscreve a vida, passo a passo, como lágrimas entre o céu e a terra. É preciso acreditar que o verde não acaba e que a chuva é o princípio de tudo o que vem a seguir, mesmo quando o céu cinzento nos desanima. O conforto é um intervalo, sem garantia vitalícia. Somos, intrínsecamente, primavera, verão, outono e inverno. Porque a vida é um ano inteiro e não apenas dias combinados.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O dia em que o mundo mudou de sítio

Manuel Guerra, Cable, 2006

Regresso ao passado e celebro o presente. Estou eternamente grata às novas tecnologias que te trouxeram até mim.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Contrastar

Patrick Smith, Under the Berkeley Pier, 2009
Em tudo em nós há sempre uma perspectiva diferente que varia em função do ângulo de abordagem. Umas vezes cheia de tudo, outras errante no nada. Numa e noutra situação, importa dar passos, grandes e pequenos, em busca do que não está ao alcance da vista, mas que sabemos algures no horizonte que nos contempla, numa distância que aumenta ou diminue conforme a nossa forma de olhar. A paisagem e os obstáculos são construções nossas, prolongamentos de nós, do que nos sobra por dentro e não sabemos arrumar. Nem sempre estamos em ordem porque nem sempre temos noção da nossa própria escala. Nem sempre somos nós mesmos, por inteiro, no que temos de melhor. Nem sempre sabemos dar. Generosidade é dar e receber também. Por vezes, falta-nos a calma para fazer entender a nossa disponibilidade. As horas assimétricas que nos desencontram são apenas circunstâncias e não factos. O Amor constrói-nos num espaço e tempo únicos, onde as imperfeições são poeira numa paisagem que nós pintamos de horizonte mais alargado. De resto, os constrastes de luz são o elemento fundamental na definição do quadro. O Amor é luz que aprendemos a misturar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Horizonte

Michel Corboz, La zone Orange, 2009

Os anos passam e o poeta escreveu que para além dos tempos, mudam os ventos e também as vontades; muda-se o Ser e a confiança. Ainda que seja tudo isso verdade, a essência do que somos permanece, e o que somos essencialmente define tudo o resto, para o bem e para o mal. O Amor não muda. O Amor é o amor, a essência do princípio, meio e fim. O Amor é a origem do Ser, o príncipio que nos começa e que não se acaba porque é, por definição, inesgotável. Quando, em nós, descobrimos a capacidade de amar, a vida é sempre um infinito princípio. Não sei explicar essa qualidade humana, mas sei o que sinto e no que sinto os anos não passam, os tempos não mudam nem se modificam as vontades. O Ser muda e com ele a confiança, mas não a essência nem o princípio de vida. E ser adulto é aceitar que não há bem que sempre dure nem mal que não se acabe e amar sempre por igual. O Amor cresce-nos na interiorização da verdade nua do que somos. Não somos perfeitos, nunca seremos perfeitos. Quero que me ames sempre pelo que me sabes, despida de artíficios, despojada e nua. Quero que saibas com absoluta certeza que te amo pelo que és essencialmente e não pelo que julgas ser. Porque, às vezes, dou-me conta que não te conheces tão bem como eu te conheço. E é nesse espaço ou margem que te sobra, em que não te encontras facilmente, que eu semeio e colho os frutos da minha vontade imutável de te amar completamente.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz nova década

Lisa Feuer, Fiber optic snowman, 2004

Que os dias que vamos estrear no ano mesmo à beira de chegar sejam cheios de saúde, de paz e permitam a concretização de sonhos e expectativas. Tudo isto embrulhado em muito Amor. A todos desejo um Feliz Ano Novo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Que seja realmente Natal

Clinton Chin, Frozen Night, 2005

A todos desejo um NATAL FELIZ como nas fantasias de infância, nas quais o mundo começa e acaba no sapatinho sobre a chaminé. Porque o Pai Natal existe quando acreditamos que um outro mundo é possível e fazemos alguma coisa para isso acontecer.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

9mm


Também tenho munições...
...milimetricamente eficientes.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Acontece no Oeste... e não só



Tenho a pistola... Vá, DESPE-TE!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Electromagnetismo

Steve H, London Visions

E se desatássemos a correr pelos dias, que imagens focaríamos? A velocidade, por desatenta que seja, tem a vantagem de recriar perspectivas e definir paisagens ligeiramente diferentes da realidade. Se pudéssemos fixar esse intervalo entre o que realmente é e o que julgamos ver, que coisas novas descobriríamos acerca de nós mesmos? Enquanto tento imaginar, para passar um pouco mais depressa pelas horas onde estou agora, dou-me conta que o teu tempo, tão diferente do meu, vai passando por onde não nos vamos encontrar senão à noite, quando nos regressamos por inteiro, despidas de contratempos, disponíveis em intensidade. Temos tão pouco tempo para tanto que nos queremos dar! Quem me dera que fôssemos mais velozes e fizéssemos durar as noites tão infinitamente quanto as horas dos dias que nos separam… Quem me dera ser raio de luz e encontrar-te, ao longo do dia, a intervalos regulares, empurrada pela voracidade dos trezentos mil quilómetros por segundo de um impulso e percorrer-te por inteiro com a velocidade desta ideia magnética que me anima!...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma ideia de fé

Jasontheaker, Photographic paradox, 2009

Viver é acreditar. Acreditando vivemos mais coisas no mesmo tempo de vida. Acreditando vivemos, sem dar conta, duas vidas numa só. Acreditar é crescer em altura e em comprimento, porque construímos uma alma maior, mais preparada para chegar a todo o lado. Acreditar é saber que não estamos sós e poder contar sempre com isso, porque fica mais pobre aquele que escolhe desfocar o mundo e ver tudo de um só lado. Acreditar é aprender um pormenor diferente em cada dia que passa, decorá-lo até saber falar dele de cor, sem hesitações. Acreditar é confiar que o lado bom é infinitamente superior ao pior que se imagine, porque vivem bem aqueles que fazem dos obstáculos pontos de apoio para alargar conhecimento. O Amor, que é coisa que não se vê, acredita-se porque se sente e vive-se acreditando que aquilo que não vemos nem tocamos é uma razão maior do que a nossa capacidade de raciocínio. Amar é confiar e confiar é admitir que há coisas que não sabemos explicar e crescer em busca de respostas, sem desistir nem vascilar no que sentimos como força maior, centro do mundo. Assim te sinto eu.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Um lobo chamado António Sérgio


Foi ontem, dia de Todos-os-Santos, durante a hora do lobo que partiu. Ou talvez não. Ninguém parte realmente quando deixa para trás história viva em cada um de nós crescidos ao som de uma voz, de um gosto, de uma estética, de uma maneira de estar sem fronteiras. Apostas, transgressões para a frente, sempre adiante e mais além. Sede de descobrir, de arriscar, de musicar o mundo de forma alternativa, porque o mundo tem ser alternativo para que seja inteiro e completo. Porque o direito à diferença foi o que aprendi na voz, no som, na escolha de António Sérgio, assim cresci embalada pelo uivo da resistência e assim me reconheço parte da matilha do lobo 'Gitano', obrigado António Sérgio - o teu espírito vive para sempre... para além do éter para além do tempo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Dois tons

Mattana, California poppy, 2004

Hoje enfeito o dia de verde esperançoso e vermelho cor de vida a condizer com a paisagem que a minha vista alcança quando olho para ti. Não te dás conta das vezes que fico a olhar para ti e a percorrer campos e colinas de vida, passado, presente e futuro. Não está à vista o tom de sangue que me aquece quando me chegas num beijo. Vermelho de sangue pulsante, incandescente como fogo. Não te dás conta do verde e do vermelho que me pintam o caminho por te saber comigo, sempre e completamente. Não sabes nem eu te consigo dizer mais do que os meus olhos te mostram honestamente todos os dias, ainda que nem sempre te dês conta do tanto que os meus olhos olham para ti.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Delay

Aziz J. Hayat, Water Animation, 2009

Esqueci-me. Foi num dia 4 de Outubro. há 3 anos atrás. Naquele tempo todos dias eram noite escura. O sol deixou de ser e o corpo vivia aos tombos á procura dos pedaços do amor estilhaçados pelo chão. Há 3 anos atrás fingia que havia vida para além de ti e morria ao minuto, morria cada vez mais, fatalmente adoecida pela tua ausência. Foi assim, de olhos sofridos, rasos de água e dôr, que deixei as primeiras palavras dentro de um copo vazio. Foi há 3 anos atrás... noutra vida cujo único elemento constante somos nós, três anos depois, renascidas, mais fortes, infinitas. E talvez imortais.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Anatomia do coração


Porque às vezes na ficção encontramos palavras certas, cheias de sentido exacto que explicam a verdadeira anatomia do Amor:
"(...) Burke: Cristina...I could promise...to hold you...and to cherish you. I could promise to be there in sickness and in health. I could say...till death do us part. But I won't. Those vows are for...optimistic couples, the ones full of hope. And I do not stand here on my wedding day optimistic or full of hope. I am not optimistic. I am not hopeful. I am sure. I am steady. And I know. I am a heart man. I take 'em apart. I put 'em back together. I hold them in my hands. I am a heart man. So of this I am sure...you are my partner...my lover...my very best friend. My heart, my heart...beats for you. And on this day, the day of our wedding, I promise you this...I promise you to lay my heart in the palm of your hands. I promise you... me. (...)"

Votos de casamento do Dr. Preston Burke de "Anatomia de Grey" (Serie 3, Epis. 25)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Expedição

Patrick Smith, Shores of Eternity - Big Sur, California, 2009

Vá, vem daí, anda contar as pedras que fazem o infinito que temos pela frente por entre terra e mar. Porque nada nos separa e o céu inteiro nos ampara. Anda, vem daí, vem mais longe, sempre mais além, temos tanto para alcançar. Damos voltas e mais voltas porque a terra não se acaba onde o mar começa. Temos sempre um céu infinito como horizonte e mesmo o chão ao contrário é feito desse azul sem tempo e sem fronteiras para além da nossa vontade. Daqui vejo um mundo inteiro para descobrir para além de tudo quanto já temos arrecadado. Anda, vem daí, sempre comigo, pelo caminho que nos segura corpo e alma sem cansaço porque nele confiamos um mesmo coração.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Desabafo

Looseends, Dipped, 2008

Está calor. Estou um bocadinho farta de transpirar todo o dia…
Ontem foi o equinócio de Setembro e eu tenho urgência do aconchego do Outono.
Desculpem a falta de propósito do desabafo...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ponto X

Katfood1, You are here, 2007

Aqui, encontradas, inteiras, numa peça única. Os desajustes de calendário não passam disso, mas são injustos para ambas as partes - quem vai à frente vai sozinho, quem fica quer partir porque a espera se torna longa quando se suspende o abraço. Assim se explica o desassossego deste desencontro de dias que me fez voltar sem ti e te fez voltar a mim mais tarde. Assim explico eu o Amor que se mede pela pressa de chegar-te e tu a mim, com a ansiedade da primeira vez. Aqui de novo, completas, inebriadas reciprocamente, na partilha do mesmo estado de alma como se todos os dias, todos os anos, toda a vida fosse apenas um minuto em que apostar tudo vale sempre a pena.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Quase aqui

Jack P. Williams, Time Flies in the World of Grunge, 2008

Já é hoje e hoje é voltar a estar inteira. O tempo de espera esgota-se e a cor da vida regressa ao corpo, aos olhos e aos gestos. A medida do tempo é um estado de espírito. Hoje somos a terra outra vez em movimento. A medida da saudade, se a saudade se medisse, é a eternidade. Longe ou perto, quem ama vive sempre de saudade. Mas hoje que voltas para onde estiveste sempre, o coração celebra reencontro do olhar. Chega-te depressa a mim que me custou tanto esperar-te.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Falta o quase

Patrick Smith, Walking on Glass - Pismo Beach, California, 2008

Os dias grandes são, por vezes, demasiado grandes, sobram no vagar que arrastamos nas horas teimosas, vazias, que duram mais do que o suficiente. Nesses dias é o inverso que avança e que nos ultrapassa. A sensação de que falta tudo para coisa nenhuma toma conta de nós como uma espécie de bolor antigo. Os dias grandes não se definem, demoram e demoram-nos no impasse, na espera, no porvir. Os dias grandes são erráticos, tiranos. São assim os dias em que te espero, grandes e asfixiantes. Os dias em que te espero são uma prisão onde, hora a hora, sucumbimos à claustrofobia da deambulação.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Falta muito?

Dond, Polished Stones, Worn Smooth by the Sea, 2007

Agora que voltei, não paro de fixar o ponteiro das horas. Espero. Faltam quantos dias? Menos um do que ontem, eu sei, que é como quem diz faltam quase todos! Poucos, tão poucos para alguns. Para mim muitos, porque até me voltares parte do que sou está ausente, logo não existo completamente. Vim à frente e enquanto não chegas conto as pedras que o mar nos deixou e que não apanhámos. São tantas, muitas, infindáveis... como as saudades.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Descompressão

J_P6, Decompression Bubbles, 2009

Dias de descanso, dias que se resolvem em si mesmo sem pensarmos muito nisso. Dias em cujo o único assunto é a ausência de assunto com que percorremos as horas, como se o tempo fosse todo nosso. Dias que começam sem príncipio e terminam sem fim definido. Dias que podem ser tudo e se forem nada tanto melhor. Dias de vagar que passeamos sem compromisso e sem planos fixos. Dias em que nos demoramos nas horas que escapam de um relógio despreocupado. Dias de férias e férias dos dias matemáticos e disciplinados. Férias para recuperar um outro passo, mais cheio do que é importante e primordial. Férias. Volto depois do intervalo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Momentos abstractos

Petem, Vase, 2006

Tenho dias. Às vezes não sei se existo, se sou ou estou naquilo que muda o sentido do verbo ser para o verbo estar. Tenho dias. Por vezes acredito que sou infinita e que tudo à minha volta é infinito. Tenho dias. Outras vezes sou matéria e vivo um dia de cada vez, porque aprendo que a vida é uma sucessão de dias e não um plano estável, definido e acabado, que cumprimos com rigor ponto por ponto. Tenho dias, mas todos eles contigo e a viagem das horas, sabendo-te comigo, acontece-me lúcida, transparente como água pura de uma nascente do centro da terra que só a natureza tocou. A essência dos meus dias é a certeza de tudo o que existes em mim nesse estado de tal forma translúcido que caminho a noite dos dias desencontrados de lógica sem chocar de frente com o abstracto, porque amar é o oposto do abstracto, é uma linha que desenhamos contínua num espaço com margens de infinito. Assim te desenho eu, em cores de vida todos os dias.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dias sem geometria

Peter Sussex, Ashtray on the floor, 2007

Passam dias demasiado voláteis, quase translúcidos, feitos de matéria impalpável que só a alma toca e segura. Passam dias em que me escondo em ti do mundo e, nesses dias, deixo-me ficar quieta, imóvel, sem tocar em nada para que o encanto não se quebre e as cores não desapareçam e se instalem os cinzentos infinitos que nos vigiam como aves de rapina do lado de fora do que é nosso. Nesses dias suspensos, quase mágicos, pelo desafio de não obedecerem às leis habituais do espaço e do tempo, gosto de te observar sem dares conta, como fazem os anjos invisíveis que, supostamente, olham por nós no alto dos edifícios. Nesses dias tudo fora de ti é superficial, monótono, plano. Procuro-nos, sobretudo, a irregularidade porque nos dá graça e consistência em três dimensões. Procuro-nos a relevância dos planos a partir de dentro, porque assim existimos fora do desenho, para além da projecção. Interessa-me essencialmente a realidade em que tu e eu somos percurso e linha do horizonte.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Natureza curiosa

Natebol, A curious nature, 2009

Porque a curiosidade é sempre um acto espontâneo em qualquer aprendizagem, é essencial observar, integrar e compreender. Somos mais se estivermos atentos. Somos nós por nós mesmos e mais aquilo que nos acrescentamos todos os dias pelo que sabemos aprender através do olhar curioso e espontâneo sobre todas as coisas. Assim é viver. Receber e dar, desinteressadamente, ao mundo o que sabemos em diferentes cores. A vida é assim… tudo a condizer.

terça-feira, 30 de junho de 2009

A linguagem dos objectos

Jackeline R., 3# Project Love

Pé ante pé, antecipando o corpo todo, espalho vestígios pelo quarto onde te encontro um sorriso antes de adormecer. Esqueço-me do dia e das horas que passaram até a noite nos abraçar. No momento em que me arrumo em ti já só cabemos nós e o que desarrumamos com o desassossego do corpo e a febre de quem ateia um fogo descontrolado desde o princípio do mundo. Amanhã, quando a noite chegar ao fim, vou tropeçar, com cuidado, nos restos de ontem espalhados pelo chão e reparar no que ficou escrito no escuro na cumplicidade de objectos dispostos numa espécie de ordem ditada pelo acaso. Mas tudo em meu redor me diz que nada acontece por acaso. Olhando para ti, acredito. Tenho fé nas pequenas coisas, em pequenos gestos, como gotas de água transformadas em oceanos.

domingo, 28 de junho de 2009

Depois do tempo

Petem, Storage container, 2006
Assim. Arrecandando vestígios e marcas de quase tudo o que surpreende na alma. Assim, coleccionando o tempo no que, da sua passagem, vai ficando em todos espaços dentro e fora de nós, vivemos. Assim te vivo eu no desdobrar das horas sempre a desejar que elas se prolonguem e nos projectem, um dia, nessa prometida dimensão onde nada de nós se acabe, nada morra e tudo cresça para além do espaço e do tempo. Assim te sonho e nos sonho eternas e indivisíveis. Assim nos quero na vida e na morte. Assim, sem tempo. Quero olhar para as paredes, para os livros de letras a perderem-se no papel, paras ruas por onde caminhamos os dias e reparar que o tempo passou contigo ao meu lado. Assim. Com a mesma certeza do primeiro momento e vontade indomável de vivermos para sempre, partilhando com a mesma intensidade o tempo e a sua inevitável relatividade.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Massa de ar frio

Mischa Bronstring, Locked Bibles, 2007

Amanhã, enquanto eu não chego, guarda-me o dia inteiro como se eu fosse um livro que não queres acabar sem me teres à distância de um beijo a sussurrar-me a última frase. Leva-me para todo o lado quando saíres para o dia que começa e não me percas de vista nem me esqueças um instante que seja. Eu estarei a ir, a percorrer quilómetros cheia de pressa, a acelerar a máquina que não é do tempo, mas que eu gostava que fosse para te voltar sem demoras. Amanhã saio mais cedo em direcção ao norte e terei frio durante todo o dia porque deixo os teus braços, ainda adormecidos, à minha espera. Parto agasalhada porque o inverno é o que me fica quando me separo de ti, por breves instantes que sejam. Amanhã segura-me as horas que faltam para voltar-te e sopra-me recados tontos que apressem a viagem e a hora de chegada. Sem longe nem distância, não sei deixar-te sem mim nem sei estar sem te saber comigo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Movimento pela igualdade - MPI

Kevin Rolly, Greystone VII, 2009

Convido todos quantos por aqui passam a assinar a petição do MPI :
e a visitar o site em www.igualdade.net/
Porque um Estado de direito democrático existe para defender os direitos e garantias fundamentais de TODOS os cidadãos e não apenas de alguns e porque não podemos permitir que a sociedade se baseie no príncipio de que 'todos somos iguais mas alguns MAIS IGUAIS do que outros'.

Constituição Portuguesa - Artigo 13.º da PARTE I
(Direitos e deveres fundamentais - Princípios Gerais)
(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Não será isto suficientemente claro para todos sem excepção?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Precisão

Captain Superlekker, Kyoto

Fosses tu uma espécie de lugar que o tempo não define e eu o momento tornado infinito de quem descobre terra a acabar o mar e as palavras que nos explicam e nos descrevem teriam outra precisão. Porque o que não se vê nem sempre se escreve de forma precisa, nem sempre as palavras são fáceis de entender, porque o pensamento e a eloquência falham, porque as ideias nos falham, porque o talento é algo tão raro como o amor e é tão difícil conjugar as duas coisas... Tenho o Amor que sonhei, falta-me o talento da precisão com que sinto para ser exacta na descrição. O valor absoluto do Amor existe numa outra dimensão, onde tu e eu navegamos exactas num mesmo e único plano.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Tu ali, em todo o lado

Don Nieman, Hole in the table, 2005

De pensamento solto sempre ao teu encontro saio para o sol que me espera lá fora. E, enquanto os nossos olhos não se cruzam e ficam um no outro a trocar segredos e outras coisas com e sem importância, vou e venho muitas vezes até onde te sei, ou onde te imagino, para matar saudades. Espero-te em todo lado, ao dobrar da esquina, ao funda da rua, à saída de um edifício de um e do outro lado da estrada. Toda a parte é toda a parte e o meu pensamento solto é indisciplinado e impreciso. Daqui até aí todo o espaço se resume ao momento da chegada.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Éden

Brent, 1st - fresh fruit, fresh water, 2009

Não saias daí. Deixa-te ficar na minha vontade de água fresca todo o ano, nesta sede que tenho do teu corpo transpirado e exausto enroscado no meu. Não te mexas, deixa-me saborear o fruto acabado de colher, de cores vivas e permanentes como o teu perfume omnipresente em todo o lado por onde passo sempre a caminho de ti. Deixa-te ficar neste momento doce em que os meus beijos te procuram a frescura do que me és na alma, no que me fica de forma inteira mesmo depois de adormecermos. Fica assim como um amor primeiro e último porque não quero mais nada do que o infinito que me refaz os dias cheios de certeza de que o mundo é nosso, apenas nosso e todo o resto é fado. Eu contigo e tu comigo somos o destino marcado. Não saias de mim, deixa-te descansar no corpo que te aninha no desejo vivo e fresco, acabado de nascer sôfrego e sempre desassossegado.