quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Perdidos

Bruce Berrien, Lost, 2004
Excerto de "Uma História de Sobrevivência", o episodio-resumo da série 3 de «LOST»:

"...Once upon a time, there was an island. Some said it was in the South Pacific. But you wouldn’t find it on any map. Many people have been drawn to the island throughout time… lost in their travels, lost in their lives.
Oceanic 815 was a flight like any other… a plane full of strangers, bound from Sydney to Los Angeles. Among them, the doctor who lost his father … and lost his way. The girl next door, turned fugitive; the con man out for revenge, who killed the wrong man. The couple, whose marriage was slipping, the soldier, the rock star, the lottery winner, the single mother-to-be and, of course, the man whose faith was lost, and whose body had failed him…
These were just a few of the many who were brought together high over the ocean, but something they could not understand at the time… something that caused their plane to split apart and fall from the sky… they could not imagine how they survived such a crash… but then again they could never have imagined the power of this island and the tests it would provide. Two groups of passengers survived. They would be separated for a time. And before they united, would experience with the island in very different ways..."

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Flashback... "Hi"


'Subject: Hi - 16.Janeiro.2006'

Foi no dia de hoje, no calendário do ano passado, que vieste à minha procura. Encontrei-te por palavras no mesmo dia. Tens boa memória, mas vais passear-te pelas horas de hoje sem te lembrares, sem um sinal de vida. Não tenho nada para comemorar, mas não me esqueci... sem tempo como prometi, com a distância que me exiges.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Tu e as estátuas

Inês, Poema, 2007
"[Estátuas]...Como se conseguíssemos condensar, desenhando com a nossa ponta dos dedos, alguém que nos foi especial." (Inês, JAN07)
Num divagar de noite em branco, acorda-me a ideia da vida que as estátuas escondem na sua existência estática e fria como a tua. Neste silêncio de noite sem horas imagino-lhes uma história, um gesto, uma troca de olhares a condizer com a expressão fixa com que me contemplam em pensamento. Invento-lhes um poema feito das palavras que me deixam sentir nessa ausência de vida em que, aparentemente, as conheço. E lembro-me de ti e do que deixaste em mim. As estátuas são momentos de sentir desenhados na pedra e no metal. Não lhes corre sangue na matéria, mas o sentir está lá, na expressão suspensa que nos enfrenta sem tempo nem cansaço. Tu tens um coração e sangue a animar-te o corpo, mas escapa-te a vida, o sentir e a hipótese de imortalidade, porque as memórias não são estáveis e o corpo é finito. As estátuas ficam na história de que são feitas. Tu existes longe, num espaço e tempo incerto onde te não sei nem te queres mostrar. Anima-te a frieza da pedra num poema em que as estátuas ganham uma vida que lhes inventei mais próxima de mim.

domingo, 14 de janeiro de 2007

sábado, 13 de janeiro de 2007

Salada: The L Word (Series 4 - Epis 1)




Só mais este bocadinho de Marina antes da refeição chegar à mesa.

Aperitivo: The L Word (Series 4 - Epis 1)




Para quem está à espera do regresso de Marina Ferrer...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Número de telefone delas?

Para animar o dia porque nem só de tristeza vive a alma.
Que melhor inspiração posso deixar do que a proposta das duas mulheres mais belas do mundo juntas de numa só?
Angelina Jolie e Peta Wilson...
...Humm... de qual eu gosto mais?...
...Posso ficar com as duas?
Please...

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Lost in time like tears in the rain


Do filme «Blade Runner», real. Ridley Scott, 1982, EUA

[Deckard does some amazing climbing, then jumps to next building. Roy follows, holding a white dove.]


Roy: Quite an experience to live in fear, isn't it? That's what it is to be a slave.
[Deckard spits at Roy as he falls; Roy catches him with one hand.]
Roy: I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the darkness at Tannhäuser Gate. All those moments will be lost in time like tears in rain. Time to die.
[the white dove flies off from his hand...]

Deckard: I don't know why he saved my life. Maybe in those last moments he loved life more than he ever had before. Not just his life, anybody's life, my life. All he'd wanted were the same answers the rest of us want. Where did I come from? Where am I going? How long have I got? All I could do was sit there and watch him die.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

E Depois Do Adeus... vagamente

Jonas Svedberg, All those moments will be lost in time like tears in the rain, 2004

Enquanto me ocorre vagamente a letra de uma canção que nunca perdi de memória, vou pensando muitas coisas ao mesmo tempo sem me deter em nenhuma. Não são coisas importantes, não o suficiente para perder tempo, que me falta cada vez mais, a pensar com cuidado. Entre o que escrevo hoje recordo fragmentos da canção "... E depois do adeus / Quis saber quem sou o que faço aqui / Quem me abandonou, de quem me esqueci..." É uma canção antiga, dos meus tempos de criança. Hoje recordo-a como eterna no que diz... se ao menos me lembrasse correctamente das palavras... "Perguntei por mim quis saber de nós / Mas o mar não me traz tua voz...". Foi há muito tempo, mas consigo lembrar-me claramente da melodia e da voz que a cantava com a força de uma revolução quase a acontecer "...Em silêncio, amor, em tristeza e fim / Eu te sinto, em flor, eu te sofro em mim..." Nas palavras que vou lembrando revivo muita coisa do que sei, o que aprendi do que me ensinaram e que desaprendi entretanto "...Eu te lembro, assim partir é morrer / Como amar é ganhar e perder...". Já vivi muito tempo desde aí, mas há coisas que nos ficam para sempre, esta canção por exemplo que nunca esqueci e que hoje recordo aos poucos como parte de mim "...Em teu corpo, amor, eu adormeci / Morri nele e ao morrer renasci...". Às vezes uma canção salva-nos de perder tempo a pensar e a escrever coisas insignificantes. Tudo o que era importante já foi escrito há muito tempo por pessoas que sabem realmente escrever, o que não é bem o meu caso. Por isso hoje, deixo a memória vaga de uma canção antiga falar por mim "...E depois do amor e depois de nós / O dizer adeus o ficarmos sós...". Não vale a pena esforçar-me em escrever melhor do que isto. "...Teu lugar a mais tua ausência em mim / Tua paz que perdi / Minha dor que aprendi..." Tudo o que me ocorre esta noite está espalhado entre os versos que aqui recordo com nostalgia "...E depois do amor, e depois do nós / O adeus o ficarmos sós."
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PAULO DE CARVAHO «E Depois Do Adeus», 1974

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Amando quem não és

Zenmatt, Taking a Train, 2006

Apaixonei-me pela pessoa que me beijou num impulso e me fez fugir o chão, assim de repente, à vista de toda a gente, numa sala de restaurante, com coragem, determinação e a certeza de querer nos lábios e no coração. Apaixonei-me pela pessoa que mediu forças e lutou para me oferecer um anel cheio de significado que se fundiu no meu dedo sob a chama que lhe vi no olhar no momento em que o usei pela primeira vez. Apaixonei-me pela pessoa que me queimava a pele quando os corpos se tocavam, embrulhados num desejo insaciável noite e dia. Apaixonei-me pela pessoa que me desassossegava os dias inteiros, numa contagem decrescente para o próximo abraço. Apaixonei-me pela pessoa que acordava a meio da noite para me dar um beijo através da distância e me escrevia com a alma coisas que se perderam para sempre num acto irrecuperável. Apaixonei-me pela pessoa que quis descobrir o mundo numa perspectiva diferente, sem o medo a corromper-lhe a vontade de ser livre e de caminhar segura ao meu lado. Apaixonei-me pela pessoa grande, imensa e infinita que senti, por instantes, abraçar-me com a força de um amor por inteiro, sem reservas. Apaixonei-me por tudo o que vi em ti e pensei que eras. Acreditei em ti, apesar das dúvidas que te deixei saber antes de comerçarmos a ter importância. Dúvidas que, num abrir e fechar de olhos, se tornaram verdades. Hoje sei que essa pessoa não existe - alguém egoísta e cobarde existe em seu lugar, alguém incapaz de segurar o amor entre as mãos, um amor que nunca exigiu, que aceitou e deu sem condições, que jurou ser sem tempo e sem distância à pessoa que eras. Esse amor não morreu, mas a pessoa por quem me apaixonei já não existe e o que és não posso amar.

NIN - Only


NINE INCH NAILS
«Only»
I'm becoming less defined as days go by
fading away and well you might say I'm losing focus
kind of drifting to the abstract in terms of how i see myself
sometimes I think I can see right through myself
less concerned about fitting into the world
your world that is
'cause it doesn't really matter anymore
none of this sh...
and yes I am alone then again I always was
as far back as I can tell I think maybe it's because...
you were never really real to begin with
I just made you up to hurt myself
yeah, I just made you up to hurt myself
and it worked... yes it did
there is no you
there is only me
there is no fucking you
there is only me
only...
well the tiniest little dot caught my eye
and it turned to be a scab
and I had this funny feeling like I just knew it's something bad
I just couldn't leave it alone... picking at this scabit was a door
way trying to seal itself shut, but I climbed through
no I'm somewhere I am not supposed to be
and I can see things I know I really shouldn't see
and now I know why... n-now I know why
things aren't as pretty on the inside
there is no you
there is only me
there is no fucking you
there is only me
only...
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Ao vivo em Lisboa, Coliseu dos Recreios, 11-12 Fevereiro

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Quantas vezes...?

Bruce Berrien, There, 2005


Quantas vezes te procuras onde não estás?
Quantas vezes olhas para o relógio a pensar que as horas se repetem e é sempre o mesmo dia? Quantas vezes te perguntas se amanhã será diferente e um bocadinho mais do que hoje? Quantas vezes te olhas ao espelho à procura de algo mais de ti do que o que vês reflectido? Quantas vezes te perdes dentro da tua própria casa sem saber onde descansar? Quantas vezes te apetece ficar só com a tua solidão sem que te incomodem? Quantas vezes gostavas de escapar à noite por entre sonhos e lembrar-te de manhã de um sonho feliz? Quantas vezes, acompanhada por quem escolheste, te sentes mais vazia do que nunca? Quantas vezes te sentes cansada do que tens e instisfeita pelo que perdeste de ti? Quantas vezes deitas fora o que viveste comigo para teres paz de espírito? Quantas vezes desejas que eu e tu nunca tivéssemos acontecido? Quantas vezes te exiges esquecer-te de mim?
E será que alguma vez lamentas ter-me magoado como, antes, lamentavas ter magoado quem vive outra vez contigo?

domingo, 7 de janeiro de 2007

A culpa foi do vinho

Tim Haynes, Half wine glass - cabernet sauvignon, 2006

Não te escolhi. Ninguém escolhe. Se pudesse escolher, não terias sido. Aconteceu, porque o amor acontece, não se escolhe. Tu escolheste-me. Seleccionaste-me e foste à minha procura. Querias muito aquilo que procuraste e acabaste por ter. Uma fantasia realizada, um desejo saciado com alguma imprudência. Uma aventura para distrair dias insatisfeitos. Um erro que te apressaste a reparar, pondo tudo no mesmo sítio, ainda com a cama quente do meu corpo. Não precisaste nem de um dia de luto. Encheste o teu copo no mesmo dia em que envaziaste o meu. Assim se mede a força do querer que me juravas. Assim se mede a intensidade do teu amor, que é tão líquido quanto a culpa de um copo de vinho. Vejo-te através da transparência do cristal puro. Penso na fragilidade da areia transformada vidro e no movimento rápido com que deixaste cair o copo. Escolheste-me como quem escolhe um vinho diferente para experimentar ao serão. Escolheste não amar-me. Ninguém escolhe quem ama. Eu não escolhi, se pudesse ter-te-ia escolhido como um vinho também.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

A resposta certa àcerca do amor

Peter Elköf, 2006

Do filme «THE MEXICAN» (A Mexicana, Real: Gore Verbinski, 2001, EUA):

LEROY (James Gandolfini): I wanna ask you a question. It's a good one, so think about it. If two people love each other... but they just can't seem to get it together... when do you get to that point of enough is enough?
JERRY (Brad Pitt): Never.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Como vais?...

Peter Elköf, Vasteras 2, 2004

Quase um ano depois, desconheço-te. Já passou mais tempo sem nós do que aquele em que fomos uma. Hoje nada sei de ti, não sei como estás, o que sentes, o que pensas, o que te faz rir, o que te preocupa. Hoje já não sei o que te faz correr - o amor sei que não é, não o meu pelo menos, e a paixão é para ti uma doença, pelo menos assim te fiz sentir. Hoje já não sei como és nem como estás. E dirias tu, se me ouvisses falar, 'Não tens de saber nem de te preocupar, já não fazes parte da minha vida. Que interesse tem saberes de mim?' E eu ficaria calada a dar-te razão. Já não estou na tua vida, não tenho nada a ver com o que nela se passa nem com o que sentes ou como estás. Mas tu existes, não posso fingir que não. E mesmo que não queiras, penso-te, preocupo-me e interrogo-me. Sei que não devia, que não queres isso de mim. Sei que não te preocupas nem queres saber como estou. Mas isso não me interessa. Já que não somos almas gémeas, como tu não deixaste de dizer no pouco que disseste quando te foste embora, posso ser e sentir de forma diferente à tua, aqui baixinho, de mim para mim, sem fazer barulho. Fica descansada, aqui neste silêncio em que me queres e na distância que me impões, vou viver a vida inteira sem te incomodar, cumprindo a tua vontade. Quanto tempo é 'para sempre'? Muito tempo certamente.

Diálogo com o vento

Anabark, Sony Ericsson K750i - Self-portrait (2006)

Olha-me nos olhos... sabes o que dizem?... 'Penso em ti'.
Ainda que eu te pudesse perguntar 'Pensas em mim?',
sei que a tua resposta seria: 'Manter contacto para quê?'

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Enquanto dormes...

Anabark, Awaked Ghost (JUL05)

Esse teu passear silencioso por mim,
com o veludo de quem se quer invisível,
transporta-me para um sonho em que consigo
perguntar-te mais do que que apenas 'Está tudo bem?',
nos sonhos tudo é possível.

Esse passo cauteloso em que te deslocas,
para não acordares e continuares a pensar que durmo,
deixa-me adivinhar que o teu sono não é tranquilo,
que nele tentas enganar a necessidade
de te voltares e de te sentires por inteiro.

Esse deambular felino que nos resta,
no silêncio e na distância com que nos separas,
diz-me que o desassossego persiste
como um fantasma que não desistirá
de nos perseguir.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Não quero mentir mais

Alfisti, Dry

não quero mentir mais, estou cansado de mentir.
vejo o teu rosto parado numa fotografia e a memória
que guardo de ti é tão diferente da realidade assustadora das fotografias.
não vou mentir. estou cansado de mentir.
a minha vida também és tu, o teu rosto parado na minha memória.
a minha vida és tu e todas as mãos que me seguraram e me quiseram,
todos os lábios que me beijaram, todas as línguas que me desenharam figuras
na pele, todos os dentes que me morderam, todas as vozes que me disseram amo-te
e me fizeram acreditar nisso. não quero mentir mais. estou cansado de mentir.
não és quase nada, mas não quero e não vou fingir que nunca exististe.


JOSÉ LUÍS PEIXOTO

Àcerca do mentir

Peter Elköf, 2005

O que são mentiras? Uma mentira não é uma verdade relativa, porque se assim fosse nada seria verdadeiro - as verdades absolutas não existem. Que fundo de verdade existe realmente na mentira, se é que existe algum? Há quem viva numa mentira esforçando-se por acreditar que duma verdade se trata. Há quem se distorça na realidade ao ponto de acreditar na mentira como a única verdade possível, com princípio, meio e fim, na certeza absoluta daquilo que está certo e daquilo que deve ser, como se a vida fosse feita numa escala de preto e branco puros, ignorando que entre o preto e o branco se passam infinitas cores, tudo dependendo da luz que deixarmos entrar. A mentira é a distorção do que somos no que existimos, é uma verdade conveniente que não é verdade, só o é porque nos convém. E nesse mentir somos uma manta de retalhos, sempre demasiado curta para nos tapar o corpo por inteiro. E chega-se a fingir tão completamente que acabamos por acreditar que não mentimos, que tudo o que somos é verdadeiro e transparente. E, no entanto, sentimos o vazio construir-nos uma inevitável solidão, porque a mentira deixa-nos cada vez mais sós e desamparados, pendurados no que não é, no que apenas inventámos porque é mais fácil ser assim. Somos capazes de relativizar a verdade ao ponto de não haver nela nada de verdadeiro nem mesmo em nós que lhe demos origem. Defendemo-nos como verdadeiros quando construímos para nós mesmos uma mentira que nos segura numa imagem frágil e falsa o que somos e a vida que não temos e que nos esconde daquilo que não sabemos nem ser nem ter por falta de coragem. São sempre os mentirosos os primeiros a dizer que não sabem viver na mentira. O que é uma mentira senão uma fuga calculada ao que não sabemos responder? E quando nos mentimos a nós mesmos para nos justificarmos, que verdade defendemos afinal? Mentir é viver pela metade, fingir que está tudo bem na vida que sentimos cada vez mais desordenada. Mentiras são as partes de nós que roubamos e que escondemos de nós e dos outros, para acreditar que existimos realmente.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Mudar de estação



Peter Eklöf, 2005

Enquanto me aqueço embrulhada em abraços que me chegam com o conforto de braços amigos, recordo uma voz, que mal conheço, que há pouco tempo me disse: 'Muda de estação.'... Tenho de mudar de estação, é verdade. O inverno dura há tempo demais, há mais de seis meses que permanece neste lugar dentro de mim. Mantenho tudo o que sou intacto, em hibernação. Sinto o corpo entorpecido e a alma adormeceu, mal me atrevo a pensar porque não encontro sentido nenhum no que penso e sinto. Tenho as mãos geladas e daqui a pouco caem-me os dedos. O coração partiu-se, estalou no primeiro dia deste inverno... Tenho de mudar de estação e colar os pedaços que vou descobrindo debaixo da neve, aquecê-los e pôr tudo no lugar... Tenho de mudar de estação e esperar que um princípio de sol me recomece do sítio onde fiquei antes do inverno se instalar. E enquanto remendo o coração à luz da primavera, espero reencontrar a hipótese de renascer e caminhar... Tenho de mudar de estação, ocupar-me do jardim abandonado e ganhar um coração como aconteceu ao homem-de-lata no país de Oz.