domingo, 16 de janeiro de 2011

Olá

Anabark, A penny for yor thoughts..., JAN2011 (foto de telemóvel)

Hoje foi o dia, o primeiro momento da aventura que não tem tempo, mas que é essencial recordar como tudo começou. Hoje é sempre o dia. Sempre para sempre.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Opacidade

Anabark, Ameixoeira nebulosa, JAN2011 (foto de telemóvel)

Hoje sou nevoeiro. Caminho lentamente, a medo, não sei o que a névoa opaca esconde, mas sei que algo nela se oculta e eu quase não me vejo. Hoje sou nevoeiro, à espera de resgate e de resiliência minha e tua.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira

Rob Oele, Algarve in the Spring Series, 2010

"...O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". (...) Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. (...) O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

(...) O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Expresso'

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Jogo a feijões

Ace of Spades

Irritam-me profundamente aquelas pessoas que dizem: 'Não gosto de perder nem a feijões!'. Mas alguém gosta?! Que frase tão estúpida e pequenina! Um vencedor sabe que perder faz parte da vida, que a vida é uma jogo, e sabe perder. Um vencedor respeita os adversários e, acima de tudo, respeita as derrotas, as dele e as dos outros. Ganhar não é 'gostar de não perder', ganhar é saber jogar, ser mais forte. Ganhar é, também, saber perder quando o adversário prova a sua grandeza. Vencedor é aquele que respeita o jogo para além do espiríto de competição. Um vencedor mantém a dignidade e nunca fala de feijões para justificar falhas de carácter como a ganância e a pequenez de alma do 'disposto-a-tudo-para-ganhar'.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Diferença substancial

Anabark, Luz de toque, JAN2011 (foto de telemóvel)

"Being deeply loved by someone gives you strength, while loving someone deeply gives you courage."
Lao Tzu

domingo, 9 de janeiro de 2011

Desafiando a gravidade

Anabark, Gravidade, 2009

"Quand une femme est la douceur et le trouble, l'ammusement et la gravité, la nouveauté et la memoire, le voyage et la demeure... Quel homme / femme digne de ce nom refuse ce miracle et choisit de fuir en invoquant l'inconfort d'aimer?"

Erik Orsenna (2001)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Irreflexão

Anabark, Múmia, JAN2011 (foto de telemóvel)

Há dois ou três dias atrás, já não sei, o tempo agora é irrevelante, estava tão chateada que peguei numa tesoura e numa máquina de cortar cabelo e mudei-me. O cabelo deixou de estar onde antes estava. Mudou a minha imagem no espelho e o cabelo espalhou-se pelo chão. Corajosamente, saí para a rua e toda a gente reparou. Gostaram e não acreditaram que foi um acto de frustração nem acreditam que foram as minhas mãos! Elogiaram-me o jeito. E eu ri-me, não por vontade, para ser agradável. Por fora, aparentemente, não se nota, mas, por dentro, continuo mumificada de tão imenso aborrecimento...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Conselho

Bob Reynolds, Mud volcanoes of the Salton Sea

"...Be patient toward all that is unsolved in your heart and try to love the questions themselves, like locked rooms and like books that are now written in a very foreign tongue. Do not now seek the answers, which cannot be given you because you would not be able to live them. And the point is to live everything. Live the questions now. Perhaps you will then gradually, without noticing it, live along some day into the answer."

Rainer Maria Rilke, Cartas a um jovem poeta (Carta Quatro, 16 Jullho 1903)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Oportunidade

Armando Jorge Espinho, Sem título

"Año nuevo no es vida nueva pero si es una nueva oportunidad para hacer mejor las cosas"

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Bom Ano...

Vincent Isler, Sands Of Time, 2010

Contagem decrescente... 
Que 2011 traga felicidade, com tudo o que a palavra felicidade inclui.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Votos de...

Anabark, Gelo, 2009

...FELIZ NATAL

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Aviso


FECHADO PARA OBRAS

Não há motivo para te importunar a meio da noite


Não há motivo para te importunar a meio da noite,
como nâo há leite no frigorífico, nem um limite
traçado para a solidão doméstica

Tudo desaparece. Nada desaparece. Tudo desaparece
antes de ser dito e tu queres dormir descansada. Tens
direito a um subsídio de paz.

Se eu escrever um poema, esse não é motivo para te
importunar. Eu escrevo muitos poemas e tu trabalhas
de manhã cedo.

Toda a gente sabe que a noite é longa. Não tenho o
o direito de telefonar para te dizer isso, apesar dessa
evidência me matar agora.

E morro, mas não morro. Se morresse, perguntavas:
porque não me telefonaste? Se telefonasse, perguntavas:
sabes que horas são?

Ou não atendias. E eu ficava aqui. Com a noite ainda
mais comprida, com a insónia, com as palavras
a despegarem-se dos pesadelos.

José Luís Peixoto

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Química de alcova


Vamos imaginar que é apenas um alcalóide natural, chamado Feniletilamina, que põe em acção a dopanima, a oxitocina, a norepinefrina, a serotonina e todas as outras 'inas' que desconheço mas que acontecem em mim durante um beijo teu. Vamos imaginar que é apenas bioquímica e que o estado de paixão não é mais do que a combinação de diversas substâncias químicas misturadas, sem esquecer as feromonas. Então por que é que os teus beijos são diferentes de todos os outros beijos que experimentei na minha vida? Por que é que os teus braços são mais à minha medida do que todos os abraços que me embrulharam antes? Por que é que só a tua pele é a pele da minha pele? E por que é o teu cheiro é único e inconfundível? Por que é que os teus fluxos de prazer me enlouquecem de sede como se não existisse outra água nem nunca tivesse existido? A endorfina que em mim se liberta quando as minhas e as tuas outras 'inas' se combinam é quase inexplicável, não fosse a ciência dar-lhe nome e um nexo causal. Hoje, recordando o estado de sítio dos nossos lençóis de ontem, lembrei-me de pensar cientificamente no assunto. Não cheguei a uma conclusão diferente daquela que, no estremecimento do prazer, te segredei, ao ouvido: 'AMO TU'.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Leituras do Desassossego

Rob Oele, See Buoys 5, 2010

O desassossego de Pessoa fez-me entender que 'o maior domínio de si próprio é a indiferença por si próprio' e que se pensarmos muito sobre a vida é porque estamos perto da morte e da agonia que é darmos conta de todas as coisas que não fomos e, como diz o poeta, 'não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram'. Viver é saltar muros e não erguê-los. E, mesmo que o poeta diga que 'a vida é a hesitação entre uma exclamação e uma interrogação. Na dúvida, há um ponto final', a verdade é que temos de viver com coração e o coração não pensa, o coração sente. Aliás, 'o coração, se pudesse pensar, pararia', e isso seria a morte. Há em mim 'uma vontade de não querer ter pensamento,(...) um desespero consciente de todas as células do corpo e da alma', uma vontade de vida absoluta e pura, concreta e definida pela certeza de um coração ingénuo e indomável. Porque 'amanhã também eu – a alma que sente e pensa, o universo que sou para mim – sim, amanhã eu também serei o que deixou de passar nestas ruas (...) E tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de ruas de uma cidade qualquer'. E por isso entristece-me não viver a vida num só dia, dia após dia. As perdas de tempo são puro desperdício e desgaste de tudo quanto é belo na alma humana.

Extractos a sublinhado retirados do "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Levemente

Nealy Bob, Butterfly August 2*, 2007

Levemente, com a imponderável leveza daquilo que não se acaba te sonhei a vida inteira. Levemente, como quem chamou por mim, vieste ao meu encontro cheia de cor na alma, num dia cinzento diferente de todos os outros dias cinzentos de todos os invernos. Levemente vieste e ficaste em mim com a mesma cor do primeiro momento. Levemente cresci uma vida e um coração maior do que o peito para te abrigar. Levemente como uma flor que se balança ao vento me tornei prisioneira de um sentimento combinado de intensidade e infinito. Levemente me encostei a ti como a natureza se encosta à chuva e ao sol que a fazem florir. Levemente como um sopro de luz, um céu aberto de certeza, um querer constante e sem idade. Assim, levemente, como uma carícia que só as tuas mãos sabem na minha pele, eu existo e a ti me dou em Amor pleno, por inteiro, porque o Amor é essa leveza de sentir-te permanentemente em tudo o que sou e me descubro.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Intemporalidade

Bob Reynolds, The colors of the Fall #3

O futuro é uma floresta densa, virgem e livre e não um caminho plano, onde o horizonte se adivinha e tudo nos surge sem sobressaltos porque só caminhamos pelo que nos é conhecido. O futuro é uma missão, um compromisso com a vida, o futuro é caminhar livre sobre todo o tipo de terreno com a certeza de que vamos em frente, mesmo quando não fazemos ideia onde vamos, mas sentimos o prazer da caminhada. O futuro é o destino de um 'tu e eu' como nós. São os passos que damos lado a lado, o que tu andas e que eu ando também, o que eu avanço e tu avanças também que nos constrói o tempo, passado, presente e futuro. O nosso futuro é feito do que ontem conquistámos, do que queremos hoje e do que caminharermos amanhã. O futuro é essa vontade que nos embrulha uma na outra para chegarmos ao mesmo tempo onde quer vamos. E porque ninguém sabe realmente onde consegue chegar, porque o horizonte é uma miragem no coração de uma floresta, nós caminhamos convictas de que o mais importante não é a chegada mas a viagem que fazemos juntas. Porque nos cumprimos na partilha da paisagem, porque o futuro é um acto de fé e uma viagem de esperança. Porque o Amor é a nossa viagem sem fim, sem distância nem tempo. A intemporalidade do teu primeiro beijo é, para mim, uma visão luminosa de futuro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Pisar o risco

Yves Rubin, Above And Beyond, 2010

Que maçada seria se a vida fosse apenas um traço contínuo, numa recta sem altos nem baixos, nem direcções alternativas! Se andar em círculos é um desperdício de tempo, seguir involuntariamente uma linha, só porque tem de ser porque é a ordem das coisas, é caminhar moribundo para um ponto indefinido, incerto, inconsistente, numa viagem que deixa de fora qualquer esforço de descoberta. E quando caminhamos pela vida sem o prazer de descobrir a paisagem, sentimos o corpo velho antes do tempo, privado do sobressalto de espreitar desvios que nos desvendem segredos e nos revelem o desassossego interior que nos faz sentir vivos. A vida que quero contigo é a aventura da eterna descoberta, porque não te sei completamente e quero aprender-te tudo. Quero o desassossego permanente de te adivinhar o jeito, o corpo e o pensamento. Quero que corras atrás de mim para me atirar da cama para o chão e do chão para a cama, no divertido reboliço ateado pela pele incendiada uma na outra. Quero que as nossas noites de corpo aceso nunca cheguem ao fim, porque o desejo é infinito e nunca fica satisfeito. Quero continuamente pisar o risco, contigo, sempre, sentir-nos em alto e baixo relevo, sentir-te à flor da pele e em profundidade. Arriscar. Desvendar-te uma e outra vez, mil vezes mil, e inventar-nos segredos para nos partilharmos infinitamente com o mesmo brilho no olhar de quem se apaixona pela primeira vez. Quero arriscar continuadamente contigo, pisar o risco ao teu encontro, ao meu encontro, ao encontro do que a vida tem para nós.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um castelo de seda

Lester Weiss, Spider web in abandoned shed, San Francisco, Ca., 2004

A nossa casa é a luz que nos sabemos acrescentar na alma dia após dia. Porque é na alma que a vida se reproduz, se desenvolve e se estende ao que fica do lado de fora. Porque é na alma que devemos permanecer abrigadas, longe de todos os perigos, imunes aos temporais. Na alma viva nada é impossível, de tudo se recolhe força e vontade de ser maior. É na alma que nos devemos preservar e viver o que acreditamos sermos nós e o nosso sentido de existência. Muitas coisas se passam do lado de fora, muitas delas são ruído e distorção e nós sabemos que assim é. O que está do lado de dentro de nós importa como luz fundamental. A nossa casa são esses fios de seda em que nos embrulhamos indestrutíveis, como numa teia de aranha que, apesar da sua aparente fragilidade permanece eficaz e suficiente. A alma não tem paredes de cimento nem telhado. Porque a alma não tem limite, é tudo o que tu eu soubermos construir como a NOSSA casa, resistente e inviolável.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Supernova

 Lester Weiss, Modern Nature series

Logo mais à noite, as estrelas esperam por nós indiferentes ao céu de tempestade que se abateu desde a noite e durante todo o dia. A luz das estrelas, que não é de hoje mas de há muito tempo atrás, continuará cintilante, a iluminar-nos gestos, pensamentos, palavras e acções. Logo mais à noite, seremos nós a intemporalidade dessas estrelas e não há vento nem chuva suficientes que nos extingam a chama que vive de dentro para fora, quando somos um corpo só. Pele da minha pele, dirás tu, coração único, acrescento eu. Nem a noite invernosa nos arrefece o sentir que nos queima incondicionalmente e nos deslumbra como explosões de luz pelo universo fora.