domingo, 12 de outubro de 2008

Quinta Dimensão

Jakob Ehrensvärd, Stockholm Gloom, 2005

Olho à minha volta e para dentro também. Observo as marcas, os rasgos na paisagem que vai mudando na sucessão dos dias. Tudo acontece naturalmente como uma queda de água durante o degelo que anuncia a Primavera. Tudo é tão inevitável, tão cheio e dramático também. À minha volta observo objectos envelhecidos e todas as outras coisas que, a seu tempo, chegarão ao fim maltratadas pela inevitabilidade dos anos que passam. O tempo envelhece por fora mas nem sempre por dentro, nem sempre nós e o tempo que nos assiste caminhamos em simultâneo. Nós, por exemplo, respiramos à margem do tempo e vivemos para além dele. Nós, por exemplo, rejuvenescemos por dentro ao cumprir cada beijo que nos falta dar, porque te devo, e tu a mim, todos os beijos que não demos antes de nos encontrarmos. Nós, por exemplo, abraçamos o Amor como se os dias tivessem pouca importância na força do abraço que é sempre mais intenso e mais demorado, imenso. Nós, por exemplo, não somos o tempo, somos a força de vontade contra a qual o tempo nada pode. Porque queremos passado, presente e futuro tudo na mesma hora, porque o que nos habita não é tridimensional. O Amor é a nossa dimensão de corpo e matéria sem fim.

4 comentários:

White disse...

A sensação do tempo nunca chegar para nada é muito boa. Das melhores diria. O estar com alguém que num abraço nos faz cada vez mais falta. Beijos que nunca acabam mas que antecipam a immensa vontade de mais beijos. São nestes momentos em que o tempo não existe que as coisas crescem e sedimentam. O mundo fica lá fora, bem longe donde estamos. Não queremos o mundo para nada, só precisamos de nos sentir verdadeiros.

underadio disse...

: )

Always disse...

White,

Que importa o mundo lá fora, quando aquilo que nos é essencial acontece no espaço de um abraço que não tem fim?... :)

Always disse...

Underadio,

:) x 2