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terça-feira, 25 de junho de 2013

Real valor

Anastasia Zavalo, Chairs

E se tudo quanto existe fosse apenas impressões digitais únicas do Tempo, quanto valeria uma mancha numa parede de memórias ou as partes de uma história antiga desarrumadas pelo chão? Que valor teriam as ruínas de uma casa em nós há muito tempo desabitada?...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Alma de rede

J. Le Montagner, Ice

E se, na vida, nós temos um grande sonho e a ele faltamos, que vida acontece no vazio? E se, na vida, descobrimos um propósito fundamental e ele nos falha de repente, que diferença na vida nos faz a deriva? E se, na vida, encontramos o sentido essencial e o evitamos por inépcia, que vida é essa sem corpo nem chão? Porque a alma humana é vítima da dor e a dor da alma ninguém sabe como se evita. Sofre-se o desconforto e o incómodo de estarmos vivos sem sonho, sem propósito e sem sentido. A dor insidiosa de quem estando vivo não se dá conta, faz mirrar a alma e há até quem morra cuidando que vive mais do que o resto do mundo. Aqueles que se escolhem a si mesmos acima de qualquer suspeita perderam a imaginação e o sonho. Porque onde não existe margem para uma ou outra pergunta, o chão é gelo que torna a alma fria, deserta e ausente do mundo. Esta incapacidade de ser não é vida. A inconsciência é um perigo maior que muitos abraçam pela dor que os estremece à noite, perdidos no seu próprio vazio.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Feliz e quase nada

Gordon W. Rock Sand, 2005

Como é possível ter pouco ou quase nada e ser infinitamente feliz e, depois, ter tudo, ou quase tudo e perder o essencial como areia entre os dedos? O sonho cumpre-se e perde-se o Amor? É a pressa de viver ou o viver depressa demais que o Amor não acompanha? Ou é o ruído do mundo onde antes era apenas o som de duas vozes que assusta e retrai a força desse Amor que nasceu e cresceu incondicional? Dava tudo para voltar a ter quase nada mas  ter a luz do infinito nos braços desse Amor.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma vez

Linda Mingay, Is it a sign, 2005

Quantas vezes o Amor nos acontece na vida? Quantas vezes descobrimos alguém e esse alguém nos descobre em sintonia? Quantas vezes, na vida, acontece essa descoberta absoluta e sublime? Quantas vezes podemos dizer com certeza 'És o amor da minha vida!"? E quantas vezes podemos esperar  ouvir, com verdade, o mesmo da boca de alguém com a mesma intensidade com que o sentimos? Quantas vezes o Amor vem bater à nossa porta aberta de par em par para o receber? Quantas vezes na vida teremos disponibilidade para amar, segurar e cuidar para sempre?... Uma, se tivermos sorte... muita sorte.

terça-feira, 12 de abril de 2011

O que sinto...

Linda Mingay, Broken Hearts On The Mend, 2004

E se o Amor é esta força incontornável que descobri em mim, através de ti, que outras forças me sobram senão o bem que te quero e o bem que quero que sintas em mim?...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Movimento pela igualdade - MPI

Kevin Rolly, Greystone VII, 2009

Convido todos quantos por aqui passam a assinar a petição do MPI :
e a visitar o site em www.igualdade.net/
Porque um Estado de direito democrático existe para defender os direitos e garantias fundamentais de TODOS os cidadãos e não apenas de alguns e porque não podemos permitir que a sociedade se baseie no príncipio de que 'todos somos iguais mas alguns MAIS IGUAIS do que outros'.

Constituição Portuguesa - Artigo 13.º da PARTE I
(Direitos e deveres fundamentais - Princípios Gerais)
(Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Não será isto suficientemente claro para todos sem excepção?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A propósito de casamento

Karen van Nijkerk, Proposal

Não é nada pessoal.
Não é que eu viva com ansiedade a ideia do casamento nem a urgência de casar. Não é para fazer eco da voz do movimento. Não é que eu tenha pensado muito sequer sobre isso. Não é que eu ache sequer que isso mude alguma coisa na vida de duas pessoas que se amam e se partilham. Mas não será anti-democrático discriminar cidadãos com base em critérios da vida íntima de cada um? Não é uma violação dos Direitos Fundamentais dos cidadãos desconsiderar alguns nos princípios básicos de dignidade, liberdade e igualdade? Não é um direito que me assiste eu escolher com quem quero casar? Não é lógico a pessoa que amo ser a única autorizada a dizer SIM ou Não à minha vontade? Não é que eu queira casar - não é uma questão pessoal, é universal. Mas não é absurdo não ter legalmente o direito de escolha?

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Cresce e fortalece

Bill Warren, Building in Red Clay

Quanto tempo é preciso para construir um coração? Como se constrói um coração? Não sei. Sei apenas como construi o meu e quanto tempo levei para pô-lo a funcionar. Sei o momento exacto em que me dei conta de que a vida é o que o coração sabe guardar e fortalecer. Nada mais nada menos. No meu cresceste tu. Cresceste o infinito, indiferente ao tempo e à distância, para além de limites conhecidos. E todos os dias te sinto mais o absoluto e o insubstituível. O meu coração não tem tamanho definido, tem a tua medida exacta e do que lhe acrescentas neste passear dos dias. E este tanto é quase nada porque tudo nunca é demais. Porque o Amor é um perpétuo movimento, um sonho constante da vida, um eterno começar sem nunca chegar ao fim. O Amor é crescer para além de tudo e viver para sempre. Nasci contigo um coração. Tudo o que vale a pena pena está lá dentro. Amor. A vida é apenas isso.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Prenda de Natal

Swatch 'Secret Code'

Já te disse hoje que te amo?

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Sombra

Michel Corboz, Haut les Mains

De mãos enormes erguidas no ar, a sombra caminha rente ao chão. A sombra não dá nem sabe segurar porque a inconsistência da matéria que a define torna inviável uma vontade própria e a libertação do corpo em que permanece condenada. A sombra é um esboço de vida, uma projecção de um corpo contra luz, a impalpabilidade do ser que existe e que passa ao lado. A sombra é retrato de gente mas nunca será mais do que isso e por isso se distorce e se prolonga pelo chão. E nesse vazio de ser e na inconsistência de querer eu te encontro e te quero resgatar. Dei um passo e a distância não diminuiu. A ponte que seguro entre os dedos de nada me serve, tenho de ficar aqui na sombra da promessa que te fiz de não atravessar. Suspensa nesta ponte de silêncio que me estendes e que esperas de mim. Que fazes tu por amor?...

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O toque do divino

Zenmatt, Le Doigt de Dieu, 2006
Acreditas em Deus?
Gostava que acreditasses realmente.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

De que são feitos os teus dias?

Zenmatt, Chain, Chain, Chain, 2006

De que matéria é feita a corrente que nos prende a alguém contra todas as probabilidades de segurar o que foi desfeito? Há elos invisíveis que o tempo não corrói e que a distância não consegue abrir. A minha verdade é diferente da tua. A tua verdade não me inclui para coisa nenhuma, a tua verdade desconsidera-me e segura-te no teu caminho. Compreendo a tua escolha, mas isso é tão pouco quando me pergunto 'afinal o que compreendeste de mim?' A minha verdade alguma vez te fez perder as horas da noite a pensar que tenho alguma razão ainda que não concordes comigo? Compreendes o que sinto? Não podes - adivinho-te resposta. Não podes porque eu não existo no teu aqui e agora, sou um resto de ontem e ontem já não existe também e não se perde tempo a compreender o que é passado e já não tem importância, o que está arrumado numa qualquer prateleira invisível do armário que guardas interiormente, fechado a cadeado. A minha verdade é feita da matéria das correntes que me prendem ainda a ti. Incomoda-te o que eu sinto, eu sei, mas sinto. Não tenho nada a ganhar ou a perder. Seja como fôr, não te vou atrapalhar com o meu querer, importa-me apenas que, mesmo longe, sejas feliz. Conseguiste cumprir o que a tua razão impera? 'O teu coração e o teu corpo já desistiram de mim' como querias? Gostava tanto de saber como preenches, por dentro, os teus dias...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Quantas vezes...?

Bruce Berrien, There, 2005


Quantas vezes te procuras onde não estás?
Quantas vezes olhas para o relógio a pensar que as horas se repetem e é sempre o mesmo dia? Quantas vezes te perguntas se amanhã será diferente e um bocadinho mais do que hoje? Quantas vezes te olhas ao espelho à procura de algo mais de ti do que o que vês reflectido? Quantas vezes te perdes dentro da tua própria casa sem saber onde descansar? Quantas vezes te apetece ficar só com a tua solidão sem que te incomodem? Quantas vezes gostavas de escapar à noite por entre sonhos e lembrar-te de manhã de um sonho feliz? Quantas vezes, acompanhada por quem escolheste, te sentes mais vazia do que nunca? Quantas vezes te sentes cansada do que tens e instisfeita pelo que perdeste de ti? Quantas vezes deitas fora o que viveste comigo para teres paz de espírito? Quantas vezes desejas que eu e tu nunca tivéssemos acontecido? Quantas vezes te exiges esquecer-te de mim?
E será que alguma vez lamentas ter-me magoado como, antes, lamentavas ter magoado quem vive outra vez contigo?

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

A resposta certa àcerca do amor

Peter Elköf, 2006

Do filme «THE MEXICAN» (A Mexicana, Real: Gore Verbinski, 2001, EUA):

LEROY (James Gandolfini): I wanna ask you a question. It's a good one, so think about it. If two people love each other... but they just can't seem to get it together... when do you get to that point of enough is enough?
JERRY (Brad Pitt): Never.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Diálogo com o vento

Anabark, Sony Ericsson K750i - Self-portrait (2006)

Olha-me nos olhos... sabes o que dizem?... 'Penso em ti'.
Ainda que eu te pudesse perguntar 'Pensas em mim?',
sei que a tua resposta seria: 'Manter contacto para quê?'

sábado, 23 de dezembro de 2006

E se depois?...

Bruce Berrien, Ready Broom, 2005

E se depois mudo de ideias? Não posso resolver a vida como quem muda a cor das paredes entre estações. E se me arrependo? Só me arrependo se fôr infeliz. E se não fôr capaz? Aprendo a conseguir. E se me faltar a força? Concentro-me no que realmente quero e vivo um dia de cada vez. E se deixar de acreditar? Enquanto sentir amor, acredito incondicionalmente. E se me enganar? Procuro o erro e tento percebê-lo. E se me enganarem? Pergunto porquê. E se me perder? Volto ao local de partida as vezes necessárias para encontrar o caminho. E se deixar de amar? Explicarei com cuidado e com ternura e segurarei com força para que doa o menos possível. E se me magoarem? Vão magoar-me certamente. E se depois me abandonarem? Quem me ama escolhe-me e fica para sempre na minha vida.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Pergunta-me

Anabark, Um coração no céu da cama (MAI06)
Neste silêncio que se ouve tão estrondosamente, pergunto-te 'Que perguntas me farias que me quisesses saber?' É um exercício em vão, eu sei. Tu não respondes nunca. E pensar que me queres saber é presunção da minha parte. As minhas perguntas, como tudo o que te disse desde que não somos, são-te dispensáveis. Incómodas, eu sei. Mesmo assim, pergunto-te 'Que gostarias de saber de mim se quisesses saber alguma coisa?'. Sentir saudades é sentir muitas perguntas a estilhaçar o silêncio. Saudades, digo eu... se as tivesses. Para sentir saudades é preciso liberdade para sentir. Tu não te deixas ser livre em ti mesma e, mesmo que não repares, tudo à tua volta vive espartilhado nessa tua prisão invisível. Mesmo que não te dês conta do que não dás, o mundo à tua volta reflecte essa ausência de ti. Não fui eu que te afastei do que te é essencial. És tu que estás ausente porque te rejeitas livre para te sentir verdadeiramente. O teu medo é antigo, eu fui apenas um pretexto para te justificares. Mesmo assim insisto 'Que resposta me imaginas a uma hipotética pergunta tua?', porque sentir saudades é fazer perguntas sem sentido como todas as que aqui vou deixando cair…

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Ainda te lembras?...


Hugh Macleod «So Tell Me», 2006 (Stormhoek label designs)
O que é que eu te respondia quando tu me dizias 'Amo-te' ?

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Respostas

Anabark, Frágil (MAI06)

Lisboa, Agosto. 2006
"Que sabes tu do que me tem custado a mim? Perdi-te a ti, perdi-me a mim, e só aos poucos recomeço a encontrar-me. (...) Não desisti de ti, nunca desistirei, continuarei a querer-te e a amar-te à minha maneira (quem sabe, egoísta e cobarde, como dizes). Pode parecer-te crueldade da minha parte não querer saber dos teus sentimentos, te garanto que não é. Dói-me mais a mim que a ti – tenho quase a certeza."
Como podemos avaliar isso? Em noites sem dormir, dias sem comer, lágrimas permanentes, horas à deriva pelas ruas a tentar fugir de nós mesmos?... Achas que não me dói saber que tu aí também sofres? Achas-me tão egoísta que não pense que te dói também a ti? Achas que as minhas lágrimas não são as tuas também? Achas que não vou viver para sempre essa dor? Com que balança se pesa a dor? Foste tu que partiste. Quem criou a escuridão? Parece-me que és tu quem tem de caminhar até mim, se algum dia me quiseres voltar a encontrar, e não o contrário.

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Pele

Anabark - Restos na pele (OUT06)


Lembras-te das noites em que entre palavras tuas me dedicavas também o poema de David Mourão Ferreira?
"Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que a tua pele ser pele da minha pele"

Se fosse verdade a tua pele envelheceria nos dias que passam sem tocar a minha.
Se fosse verdade
a tua pele estaria gasta e seca pela distância que a separa da minha.
Não envelheceste nem secaste na minha ausência.
Vives bem na tua pele.
A minha pele não é mais do que minha
e envelheceu uma vida na saudade da tua.