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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mil e uma noites

Anabark, Paris - 3 W Kafé (SET07)

Faltam poucos dias para os nossos dias grandes que amanhecem e anoitecem sem que nos incomode a luz, ou a falta dela, q nos entra pela janela, porque a nossa luz vem de um sol que temos dentro e que irradiamos no olhar. Falta pouco para deixarmos de ter tempo para tudo o que fica do lado de fora de nós. Falta pouco para vivermos muito em pouco tempo, porque o nosso tempo é sempre pouco, porque os nossos dias grandes, sem dia nem noite, passam na vertigem de um segundo. Porque tudo é pouco para este tanto em que te vivo, porque o Amor é sempre mais e a falta que me fazes também. Porque as saudades não se resolvem, adiam-se apenas. Falta só um bocadinho para estarmos dia e noite por nossa conta e risco onde só nós sabemos e o resto do mundo nos julgue em parte incerta. Falta mesmo muito pouco para vivermos mil e uma noites e outros mil e um dias num abraço sem horas, a não ser as da chegada e, inevitavelmente, as da partida. Falta pouco, meu amor, e desespero neste pouco que nos falta para a nossa prenda de Natal...

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O que não vem nos livros

bluebookparis

Entre o sonho e a realidade estamos nós. Procuramos nos livros e encontramos sempre menos do que esperamos. Não temos explicação. Somos mais do que lemos ou ouvimos dizer. Somos tudo e o que resta para além disso. Quando fecho os olhos encontro-nos sempre em mil lugares não muito diferentes do mundo que te quero mostrar. Depois acordo e a luz da manhã devolve-me a graça de um beijo quente na pele dos lábios. Entre o sonho e a realidade acendemos dia após dia de improviso e intensidade. A nossa pressa de viver é a pressa do Amor que não vem nos livros nem se ensina porque o Amor vem da alma que se ilumina tocada pelo coração. O Amor estala-nos a pele de dentro para fora e faz-nos correr para além do espaço e do tempo. Sem explicação, entre o sonho e a realidade, vivemos duas vezes porque vivemos completamente o que poucos sabem sentir por inteiro e viver infinitamente. Somos esse inexplicável que vai de sempre à eternidade.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Je t'aime...

Anabark, Pontos de vista (SET07)
Je t'aime non seulement pour ce que tu es mais pour ce que je suis quand nous sommes ensemble.
Roy Croft (1919-1977)

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A dormir


Anabark, Última noite (SET07)

Adormeci e sonho. Sonho-te e sonho que adormeci. Longe é para dentro, por onde passo quando adormeço à procura de ti. Longe é a distância que percorro nesses lugares que não reconheço nem nunca vi. Longe é esse outro mundo onde o tempo pára e o espaço nem sempre tem sentido. Descubro-te numa paisagem diferente, como num pedaço de filme, e corro a agarrar o sonho que me abraça a ti. Aproximo-me até um beijo de distância e pergunto-te 'Estavas a sonhar comigo?', e espero que me digas que sim. E mesmo que não te lembres como chegaste a mim, pouco importa, aninho-te no que sonho, feliz, que te vivo enquanto o corpo descansa e espera por ti. Sonho-te dia e noite no desfilar das minhas horas lentas cheias de impaciência de te chegar. Longas são as noites que passo sem dormir. Lentos são os dias que passam sem me acordares.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Prisioneira

U-Turn / Anabark, Algemadas (SET07)

Voluntariamente prisioneira do que te descubro todos os dias e das vidas que me quero embrulhada em ti, adormeço num beijo sem tempo e espero-te em sonhos de olhos fechados. Não preciso de luz, a claridade com que te vejo vem de dentro, do que alma te colecciona em mãos cheias de assombro. Reparo-te mesmo a dormir pelo que te sinto o meu centro de gravidade. Reparo-te mesmo quando tu não estás pelas saudades que ficam em teu lugar. Não sei perder-te de vista, tudo és tu e a vontade de sermos nós infinitamente orienta-me os sentidos. Nem a noite te esconde nem o dia te ilumina, adivinho-te à luz do que te sinto em mim desmesuradamente. O sorriso dos teus olhos nos meus estende-me os braços que me prendem a ti. Amanhã quando acordares, chega-te a mim, desperta-me devagarinho e deixa-me ficar sempre assim, fechada no teu coração eternamente.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Caminhar sobre as águas

Anabark, Bord de Seine (SET07)

Embrulhar-te no meu abraço é segurar o tempo à beira rio e dizer-te que os meus braços à tua volta não têm fim. Abraçar-te é garantir-te firmemente que não acabamos nas margens do rio. Seguro-te a certeza de um presente que é passado e futuro todos os dias com a mesma intensidade. Quando te encostas no meu ombro sentes-me a vontade de caminhar para além do sonho. E enquanto passeamos por cima e por debaixo de água, mergulhamos à procura do tempo perdido e, nesse entretanto, encontramo-nos completamente neste tudo com que erguemos pontes do sonho até nós. O rio navega-nos um sentir do tamanho de um mar infinito e intemporal. E se os nossos corpos se confundem embalados pela água é porque somos um só coração e uma mesma alma. Quando te espreito por dentro e te espero em cada beijo, regresso-me por inteiro por seres a minha melhor parte e porque parte de ti sou eu. Acontecemos no encontro e somos muito mais lado a lado, na soma das partes como um todo único e indivisível. Muito para além do tempo moramos nós, maiores do que a vida, eternamente Amor.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Quarto duplo

Anabark, Opera (SET07)

Para mais tarde recordar o que as paredes que nos observam seguram através dos anos, porque há momentos que fazem o tempo e a vida, porque é impossível esquecer pormenores que nos viveram e que testemunharam a nossa existência neste tudo que se estende como um mar sem princípio nem fim, colecciono-te em mil cores, formas e feitios. Porque existes em tudo à minha volta e eu só existo por inteiro no caminho que somos nós, porque és a parte de mim à qual me regresso depois de mil anos à espera de ser completamente, invento estradas de palavras em que todos os cruzamentos me levam a ti. Porque te adivinho sem saber como e te pressinto e sei porquê, porque me sei e sabendo-me sei-te a ti, porque nem a distância nos separou e nunca desistimos, aprendo a vida através do que me vai na alma e na alma tenho a calma do que me ensinou o coração. Amor és tu no que sinto tão completamente como o ar que respiro. Amor é a voz que oiço quando me falas ao ouvido. Amor é o que o coração explicou à alma num beijo que ficou para sempre tatuado debaixo da pele. Sinto-te inevitável, eterna, uma pedra precisosa que guardo num abraço que nunca chega ao fim. Colecciono-te milímetro a milímetro em pleno desassossego dentro e fora de mim.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

We will always have Paris

Alain Bublex, Plan de Paris, 2006

Porque te sonhei de mão dada pelas ruas de uma cidade do nosso tamanho e porque te quero com a mesma intensidade da luz eterna que a ilumina, passeei-te de corpo, alma e coração seguindo o mapa do Amor. Não pergunto direcções, sei o quero e por onde vou, mesmo quando baralho o norte com o sul. Em todos os meus pontos cardeais estás tu e tu és do tamanho do mundo. Passear-te é viajar-te apaixonadamente e sem destino porque é infinita a minha vontade de encontrar-te em cada esquina. E não existem distâncias impossíveis quando queremos tão intensamente a viagem. Todo o longe é perto quando o abraço não tem fim. Nos beijos com que nos celebrámos na cidade que inventou o perfume, caminhámos perfumadas pela certeza de que o tanto que temos é infinito e incontornável. Uma na outra somos a vontade de sempre em qualquer lugar do mundo.