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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Ano após ano

Anabark, Na varanda [MAI 2015]

Flores minhas com votos de muitos anos de vida em cada pétala e o desejo de sonhos cumpridos para além da imaginação.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Vida em muitos anos

Wolfgang Tillmans

E porque o tempo passa mais depressa do que conseguimos vivê-lo e preencher-nos, hoje seguro o dia como teu e, nele, o mesmo voto de sempre: que tenhas muito tempo para te cumprires e seres feliz. Festejo o teu dia desejando-te essa eternidade.

domingo, 18 de agosto de 2013

Coração inteligente

Shihya Kowatari,Transparent 1, 2012

Com toda a transparência como água que é vida, assim te assumo em mim. E querendo-te, quero-te com a mesma relevância, no bom e no mau que tiver de ser. De outra forma não seria inteligente porque não seria verdadeiro e eu dispenso mentiras no sentir. Conheço-te bem, sei o que podes, o que queres e o que sonhas ser, e tu conheces-me também, sabes o que sou e o que de ti não desisto mesmo quando me chegas no gelo dos dias frios. Esta inteligência que temos uma da outra distingue-nos no mundo depois de 'nós', porque há nela uma incondicionalidade que, ainda que negada, sobrevive ao tempo em que 'nós' não existimos. Amando por inteiro aprendi que Amor é coisa de pessoas inteligentes e corajosas. Os outros, os que não entendem o sentir nem confiam no coração, desistem a meio caminho. É preciso ser inteligente para perceber que encontrámos o Amor e é preciso ser corajoso para reconhecer o seu valor e fazê-lo crescer incondicional no que as horas, inevitavelmente, nos envelhecem. Os outros, por muitas vezes que se apaixonem, confundem e confundem-se, amam apenas a ideia de Amor e vão procurar a vida inteira o Amor verdadeiro que nunca chegarão a reconhecer. E morrerão como sempre viveram, desencontrados em si mesmos.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Sem tempo contado

Dario Puggion

Sabes que minto quando te reclamo 'cinco segundos'. E já não tenho idade para te mentir. Sabes tão bem quanto eu que 'cinco segundos' em nós foram sempre muitas horas de dias de desassossego e noites incendiadas. A única inocência dos 'cinco segundos' que proponho é porque sei que será sempre assim para toda a vida. Apenas contigo, 'sem remédio', de corpo e alma fundidos. O estado de urgência que não envelhece em nós é a nossa eternidade indesmentível. Por ser tão verdade não haverá, nunca, mais válido compromisso do que aquele que prevalece debaixo da pele sem tempo, por muitas voltas que dê, sem 'nós', o mundo. Já não tenho idade para mentir-me.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Apontamentos

Kristina Lerner, Isolation Series

Gosto de te ouvir falar, das coisas que dizes sem querer dizer, dos pensamentos soltos que completas como quem escreve palavras novas num caderno de apontamentos. Gosto que te oiças no que aprendes, no que sentes e no que és livre de dizer. Gosto do que me ouves no que te reconheces e sorris. Gosto do que te conheço e que ninguém te descobriu ainda. E gosto do que a tua pele me diz. Gosto do que te encontro sem te dares conta quando me engano. Sei quem és e o que podes ser ainda. Não gosto do que te perdes no esforço de controle como quem anda, por dentro, desencontrada, porque não gosto da dúvida disfarçada de certeza da boca para fora. Gosto do sonho em que és tu por inteiro sem que o tempo te magoe essa força de liberdade absoluta. Conheço o que não te conheces e gosto do que és capaz de te descobrir. Não gosto quando não te permites ser apenas tu, nem mais nem menos.

sábado, 10 de agosto de 2013

A Escolha

Alessandro Puccinelli, In Between

Se pudesse escolher outra vida, escolheria a que tenho, mesmo sabendo da dor em que nela morri mais do que uma vez, se fosse esse o preço a pagar para te ter e para que o instante de deslumbramento em que, um dia, acontecemos permanecesse intacto até à hora da nossa morte. Porque me arrependo do abraço que não te dei e que talvez esperasses de coração nas mãos como eu sempre esperei o teu em cada segundo. Porque me arrependo de todos os beijos que não te roubei nos dias em que os lábios nos secavam por falar demais da boca para fora. Da alma para dentro ficaram demasiados beijos e abraços que, hoje, me fazem falta com a mesma urgência de ontem. Arrependo-me do tudo que não fiz, do amor que não te disse e não te ouvi, e lamento as horas que perdi calada, desencontrada de mim em ti. E, acima de tudo, arrependo-me do momento em que fiquei surda à voz do coração, emaranhada na razão que julguei que tinha, porque sei que enlouqueci no dia em que troquei o coração pela minha razão contra a tua, porque sem ti descubro que ter razão e o coração frio é a morte. E eu escolho a vida, amar-te como sempre amei, por instinto e sem razão nenhuma.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Hoje sei

Andrey Belkov

Não fomos por acaso e não somos por acaso no que, hoje, nos sentimos ainda na pele e para além dela. Somos mais do que uma história que sobrevive ao tempo e ao teu desencantamento. E se eu, hoje, moro no teu livro de desventuras, tu moras na minha alma e nela te seguro nos dias, nos anos, nas vidas que me sobrarem. ‘Sempre’ é mais do que uma intenção, é a minha forma de estar contigo, porque gosto infinitamente do que és em mim sem tempo e a vida é o que abraçamos incondicionalmente com a alma e o contrário disso é a morte. Hoje sei que não há porto que me abrigue o desassossego infinito em que te revisito e viajo. Desassossegam-me coisas simples como o brilho dos teus olhos escuros quando amas apaixonadamente. Porque há uma luz que só eu conheço em ti e tu em mim, antes e depois de nós. Hoje sei que, em mim, nenhuma tempestade é mais forte do que o Amor. Só a tua falta de fé me condena ao passado.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sem passado II

Autor desconhecido

A segunda vez que morri, fui estrangulada pela tua partida magoada e sem regresso e não paro de morrer no nada em que nos encontramos desencontradas em coisas que não queremos e coisas que não sabemos por no lugar. A dor que te atrapalha ainda, tornei-a minha dor também. No passado ficou tudo e esse tudo é muito por cumprir e, por isso, morro todos os dias pela oportunidade que não tive de curar-te em Amor. Guardo em mim o abraço interrompido e sinto em ti o passado mal resolvido e o medo das saudades que não te morreram. A minha morte é a tua ausência nos meus braços. A tua vida é querer outros braços que não os meus. O meu passado é a vontade de perdão do Amor. O teu passado é a dor de amor eternamente revisitada. O presente, por comparação, é nada.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Sem passado I

Autor desconhecido

Já adoeci vezes sem conta de saudades e até delas morri duas vezes. Da primeira vez morri de copo vazio na mão quando tu partiste com o teu meio cheio. E o vazio tomou a forma do que me faltavas, desse amor que não se esquece, não se apaga e não chega ao fim. E, vazio do que não te tinha mas cheio desse infinito e do teu lugar em mim, o meu copo não quebrou. E tu voltaste-me um dia. E eu limpei a dor em que morri na tua ausência e abracei-te sem sombras no passado, abracei-te como da primeira vez em nós e, nesse mesmo instante, o Amor curou-me as cicatrizes e renasci contigo num presente a construir. Abracei-te tudo sem a dor do passado a pesar-me nos meus braços, senti a tua força segurar-me em cada passo e o Amor aninhar-nos para além da dor das saudades em que fui juntando todos os pedaços de nós que me ficaram entre a carne e a alma. Porque o teu sorriso vence-me, porque o brilho dos teus olhos no encontro dos meus cura, porque és TU e tu serás sempre um beijo infinito nos meus lábios incondicionais.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Demais

Geert Goiris, White

Amei demais, pensava eu para me explicar o tombo e a minha morte depois de ti. Amei demais, desculpava-me eu para encontrar paredes onde me agarrar para levantar-me do chão. E em todas as paredes havia sombras e nenhum sol com calor suficiente. E as saudades dos anos por onde passei contigo encontrei-as espalhadas em todas as ruas e em todos os sítios onde não consegui voltar porque tu e eu, para sempre, ali moramos. Amei demais, julgava eu, e tudo o que dei perdi por amar demasiado. Mas enganei-me. Depois de tantos anos à procura de ti e de mim, não pode ter sido por amar demais que nos perdemos, porque o Amor não tem medida, é a proporção divina. Demais foi a nossa imperfeição humana que, tão estupidamente, nos tornou pequenas para abraçar esse Amor que nos chora ainda por ser, em ti, distante e, em mim, tão infinito. Amar demais é um pensamento banal e nós, ainda que imperfeitas, nunca seremos banais uma na outra.

domingo, 4 de agosto de 2013

Milhares de razões

Britta Jaschinski

Gostava tanto de poder dizer que te encontrei. Gostava tanto de dizer que passei por ti entre milhares de gentes e os meus olhos te encontraram e em ti ficaram. Gostava de ter passado por ti e atrasado o passo para poder guardar-te em pormenores infímos, para hoje ter mais para recordar-te. Gostava tanto de ter sido eu a encontrar-te na vida e não fui. Foste tu quem me encontrou. E essa é a minha eterna dívida contigo que nunca poderei pagar, porque soubeste encontrar-me, eu que te procurei tanto e por todo o lado e não consegui. Depois 'foi fácil' ficares em mim para sempre e 'sem remédio'. Ainda hoje te encontro o sorriso da primeira vez que nos vimos. E, às vezes, quando estás distraìda e baixas a guarda, os teus olhos incendeiam-me na mesma ansiedade dos tempos em que fomos infinitas. Tenho milhares de razões para encontrar-te e sentir-te hoje em mim, as mesmas que, um dia, nos fizeram para sempre. Nenhuma delas mudou, nenhuma delas esqueci.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Floresta

Gerhard Richter

Lá longe havia pontes que atravessávamos vezes sem conta para nos encontrármos sempre a meio caminho. Nesse longe havia forças combinadas que nunca nos abandonavam, mesmo com ventos fortes nos nossos corpos desabrigados. E andávamos depressa e nunca nos cansávamos. E nunca caímos da vontade de sermos infinitas porque nunca soubémos ser, uma na outra, de outra maneira. Lá longe nunca nenhuma tempestade nos deteve porque sabíamos sobreviver escutando o coração. E não sabíamos desistir do que sentíamos porque nos ouvíamos com alma e tínhamos sede do que dizíamos com o olhar. Este tudo eu sei de cor e ainda sou eu, ainda é a melhor parte de mim. O resto são apenas árvores arrancadas do chão nos dias de tempestade. As pontes desapareceram mas a floresta mantém-se de pé, viva e renovada.

domingo, 28 de julho de 2013

(es)correndo

Mia Minor

O relógio chegou mais depressa do que eu. Odiei os ponteiros, os carros, os caminhos. Tentei voar, mas não me cresceram asas quando foram precisas. Não sou um anjo na terra e o meu corpo, gota a gota, assim o confirma. Odiei o relógio, o Tempo e o desencontro. Porque cheguei atrasada aonde a minha vontade sempre esteve e permanece, nunca esgotada em mim.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Prova material

Ricardo Machado

5 segundos!... Que não chegaram a ser.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Sem lados

Sharon Johnstone

O Amor é como uma bola, é redondo, não tem lados. O amor não quer ter razão, quer dar-se e ser retribuído em partes iguais. O Amor não quer fazer braço-de-ferro com quem ama, só tem braços de ferro para abraçar. O amor é justo, não tem ângulos nem pontos de vista. O amor não divide, une quando está dividido. O Amor não compete por um lugar nem disputa o lugar que ocupa, nivela altos e baixos. O Amor não impõe nem se impõe. O Amor não se põe em bicos de pés para poder chegar. O Amor não se cala, fala mais alto do que  vozes desencontradas. O amor não é dois 'eus', é um 'nós' aprendido e guardado. O Amor não tem lados, é redondo como o brilho no olhar de quem o sente realmente incondicional.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Em falta...

Bertil Hansson. Red, 2010

Braços que carregam, que seguram sem cansar. Braços que não deixam cair e que apanham do chão se chegar a cair. Braços que não se viram de costas quando o frio lhes chega. Braços que, em dias do avesso, surpreendem e estremecem o corpo de quem amam. Braços que esticam até à alma para dissolver tempestades. Braços que abraçam simplesmente e secam lágrimas. Braços que esperam outros braços esticados e que, unidos, alcançam o inalcancável. Braços com a força de montanhas por quererem demasiado. Braços que são a força na fraqueza da ausência de palavras. E nesses braços, os abraços são tudo na alma em abandono, porque dizem pele na pele e debaixo dela 'estou aqui porque quero estar, porque tu és em mim todos os lugares no mundo'. Abraços que são Amor quando faltam as palavras.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Nem de um lado nem de outro

Nuno Borges

Dizes que não sabes mas afirmas-te quase sempre como se tivesses em ti todas as certezas do mundo. Porque te conheço para além do que 'não sabes' acho que não sabes porque tens medo de saber-te. Eu sei e sei-me. Procuro, não temo as minhas próprias perguntas, confio, duvido e revejo tudo o que aprendi. O que é conveniente não me serve, nunca me serviu. Tu não sabes do que estou a falar porque escolhes não querer saber. Mas eu conheço-te muito para além disso e sei que és mais do que afirmas e te conheces. O resto 'não sei, sei lá'... nem me interessa.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Um dia?...

Alessandro Puccinelli, Mare Series -Cascais, Portugal

- Não sei, sei lá!

sábado, 15 de setembro de 2012

"Lá em baixo"

Emmanuel Correia 

"...Toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como á espera do comboio
na paragem do autocarro..."

In "Lá Em Baixo", SÉRGIO GODINHO

terça-feira, 17 de julho de 2012

Cenário

Marcos Calamato

Procurei-te uma cadeira que não encontrei e tive de fazer de raiz. Passei noites acordada a esculpir palavras para te sentares e te sentires sem fim. Procurei-te uma cadeira feita de luz e trago debaixo do braço um filme antigo que conheces bem como me conheces a mim, o mesmo que levo para toda a parte sempre comigo. A história é única e cabe dentro de um copo que inventei sem tempo nem tamanho onde guardei o Infinito. Nela encontrei-te mares, ventos e tempestades e o Tudo em que acredito. Deitei fora o Tempo por me ser indiferente porque ele não passa no que abrigo de sentimento. E porque descobri que o Infinito dura o tempo do inesquecível. Deixa-te ficar um bocadinho no que me resta dessa Eternidade que se tornou indizível.