Mostrar mensagens com a etiqueta Conceitos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Conceitos. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 10 de abril de 2012

Como o branco das flores

Franky2005, Winter Melody, 2009

Um dia feliz é feito de coisas simples como o branco das flores que acabaram de florir nos canteiros da minha varanda, semedas, de noite e á toa, pela vontade de quem não desiste da primavera... Um dia feliz é feito desse estado constante de primavera adivinhado em cada gesto que nos desenha no olhar dos outros... Um dia feliz é uma vontade louca de correr para chegar depressa a quem nos faz falta e, de nós, sente a mesma falta também. Um dia feliz é sufocar e suspirar, vezes sem conta, daquela saudade que, de noite e de dia, nos bate forte no peito. Um dia feliz é acreditar que tudo vale a pena, porque temos fé no lado bom das coisas e na força do bem sobre a adversidade. Um dia feliz é sentir que amamos, que nos damos, que não competimos, que somos simplesmente capazes de amar.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Matéria

Anabark, Geometria Obscura (JAN2012)

Tudo muda, tudo é relativo, o próprio universo é parte de uma infinidade de universos, como se o todo, afinal, não representasse nada ou apenas a ideia de um acto de criação contínuo. No universo não existe um centro mas múltiplos pontos de expansão. Não há um centro porque não existe um limite. O espaço é a geometria do universo. As mudanças no tamanho ou na forma do espaço acontecem por causa do movimento da matéria e da energia no universo. Somos nós, a matéria, que muda na sua densidade e o universo transforma-se. E ainda que o sol permaneça no mesmo sítio, não é único e, como tudo o que é matéria, tem a sua morte anunciada, porque a matéria nasce, vive e morre, para renascer, reviver e tornar a morrer, tal como nós, pela desagregação de energia, já que nada se cria e nada se destrói, tudo se transforma, sempre. E ainda que cada transformação implique uma perda, um consumo, um desgaste, um atrito e um esforço de superação, ficar no mesmo sítio é morrer, porque o movimento é a essência da substância. Importa, e muito, deixar que o sol nos acenda a dança dos átomos e nos renove continuamente a velocidade de ser.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Amor-granito

Anabark, Penedo (AGO2011)

O gostar de alguém não se desfaz como açucar fino num copo de água. Permanece, sobrevive, mesmo quando esse alguém nos morre. É a derradeira prova de que a alma existe, o ser lume que nos ilumina, nos aquece e nos mantém. Gostar de alguém é sentir que estamos vivos e com alguma finalidade, acreditar que existimos fora de nós, que não somos pontos isolados numa paisagem sem fim. Gostar de alguém é ter voz por dentro e um coração cheio de coisas para dizer, abraçar sem tempo e receber o abraço daquilo que dá pelo estranho nome de 'Amor', essa imaterialidade que nos sustenta o equilíbrio primordial. Gostar de alguém é amar e o Amor é um penedo nascido das entranhas da terra que nem o tempo nem a morte arredam de lugar.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Absoluto, o Amor

Anabark, Parked sky (AGO2011)

Não é, concerteza, relativo o Amor. É absoluto no que se sente de tão livre da nossa vontade. Pode desmentir-se, negar-se e mascarar-se. Pode até fingir-se outra coisa qualquer, mas não é relativo e, se assim se pensa, não será Amor certamente. Relativa é a forma como se vive de dentro para fora. Mas na alma só tem uma definição: infinito... e o infinito é a absoluta impossibilidade de indefinição. Logo, o Amor nada tem de relativo. O Amor existe e, não sendo nem  concreto nem explicável, toma conta de nós e devora-nos qualquer outra vontade que não seja a vontade do Amor, porque tudo o resto é ligeiro, opaco e escurecido, perante essa claradidade que vem de dentro de quem o sente, porque o Amor é essa aventura que não se imagina, de valor incalculado, depois de o descobrir ficamos exigentes e mal habituados. O Amor não é relativo. Pode disfarçar-se, ignorar-se, fingir que não se sente. Podemos  esconder-nos, fugir, mas dele sentimos uma falta absoluta, concreta e definida. Porque a sua ausência é um céu para sempre noite, eternamente sem sol.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Amar por definição

John Hamers

Amar é ser indiferente ao tempo que passa e nos envelhece porque, quando amamos, o tempo só incomoda quando estamos longe de quem não queremos deixar de abraçar por um instante que seja. Amar é acreditar que vivemos para sempre porque o que temos dentro é infinito, não se esgota numa vida nem se apaga por força da razão. Amar é confiar que somos capazes de nos dar e receber por inteiro porque no amor não há metades nem partes desiguais. Amar é ficar de pé e não desistir quanto nos foge o chão e o céu cinzento nos amanhece. Amar é saber ouvir para poder conversar porque o que ouvimos aprendemos e reduzimos o erro pela vontade que temos de acertar. O Amor é ter a paciência de gostar incondicionalmente, sem interrupções  nem intermitências, de quem nos ama com igual entrega, porque é um bem raro encontrar amor de igual tamanho. Se acontecer, importa segurá-lo e torná-lo forte para que nos seja sempre firme e infinito. 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Recapitulando


Anabark, Braços ao vento (AGO2010)
No outro dia, enquanto tu não estavas à distancia de um abraço e eu ficava suspensa no contar dos dias, entrei no carro, no fim do entardecer, ausente do mundo a minha volta, e deixei-me surpreender por um pedaço de sol e gratidão da natureza reflectidos no meu retrovisor. Fiquei quieta com receio de desmaterializar o momento que me espreitava do lado de fora do vidro traseiro e, só a custo, acordei a ideia e recuperei o gesto para poder guardar a imagem dessa liberdade e sintonia que só existem na natureza e nos afortunados que experimentaram o amor pleno. Quando penso em ti, consigo definir dois ou três conceitos primordiais que nos distinguem enquanto espécie humana: amor, felicidade e vida. Não por lógica ou pensamento inteligente, mas porque sei que, contigo, aprendi coisas essenciais e porque, hoje, sou maior, muito mais e melhor graças ao que consegui aprender desde o momento que nos descobrimos uma na outra. E os dois ou três conceitos que julgo saber definir acontecem inseparáveis, vivo-os num só, porque se implicam reciprocamente. A vida não existe sem Amor e quem não ama não pode ser uma pessoa feliz. Porque o Amor é o princípio de tudo e o infinito da vida. Porque a felicidade é o estado que se alcança quando percebemos a importância dos braços que nos amam à nossa espera. Porque nada vale a pena sem esse sentido de dádiva desinteressada e livre. Porque a vida é, acima de tudo, um acto de amor. Não se vive em desertos áridos e num coração vazio e moribundo cabem todas as pessoas infelizes do mundo. És em mim esta clarividência das coisas.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pulsar


Gerla, Dreaming of a white christmas, 2009

O amor não é uma planície a perder de vista. O amor não é um horizonte plano onde não se passa nada para além da luz que alterna a noite e o dia. O amor não é um traço contínuo numa estrada nem uma linha recta geometricamente calculada. O amor não é branco que não é cor nenhuma mas ausência dela. O amor não é uma esfera, monótona, sem pontas por onde pegar. O Amor é uma montanha, alta, íngreme e agreste que nos faz olhar para cima e nos desafia a subir, na esperança de tocar o céu com a ponta dos nossos dedos e sentir os pés vitoriosos sobre a vertigem da escalada. O amor é um pedaço de gelo cheio de arrestas e muitos lados, uma forma prismática de perceber quem somos, o que vemos na complexidade dimensional que nos estrutura a existência. O amor é uma parede rugosa, irregular, viva e de personalidade difícil que não nos deixa encostar, que nos incomoda e nos faz reparar em coisas que nem suspeitamos em paredes lisas. O amor é velocidade, é cor, é estado líquido e estado sólido alternados e em simultâneo, é fogo e gelo, como uma ilha islandesa mais do que qualquer outro lugar no mundo. É um livro sem texto permanente, que se escreve a si próprio sem nunca chegar ao fim. Porque o amor é selvagem, cheio de tempestades, um movimento em espiral que nos leva numa viagem alucinante dentro e fora de nós. O amor é o infinito matemático, as casas decimais intraduzíveis. Amar é perceber que o Amor é acima de tudo um ritmo, um pulsar, um coração que bate, o milagre da vida na sua complexidade microscópica em que tudo se transforma, tudo evolui. Tu e eu somos vida, o reboliço que nos vem de dentro é Amor. Nem mais nem menos do que este perpétuo movimento de uma em direcção à outra. Sempre sem parar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Menos é mais

Andrei Baciu, Haiku 4339, 2010

Reagindo à hiperemotividade e ao expressionismo abstracto da arte dos anos 50 e 60, o despojamento e a simplicidade do minimalismo deixa-nos perceber que menos pode ser mais. Não sei porquê, esta paisagem mergulhou-me no conceito como num sonho de pura objectividade...
'O minimalismo não se refere directamente ao conceito de "pouco", e sim de ampliar a essência do que realmente é importante, chegando ao ponto de tornar todo o restante dispensável perante o verdadeiro foco da criação, podendo ser dito como a redução da variedade visual numa imagem.' (Alexandre Aguirre)

terça-feira, 25 de maio de 2010

O todo pelas partes

Anabark, Parede Tripla, MAI10

A superfície de todas as coisas é feita de várias camadas. Todas distintas em testemunho de espaço e tempo específicos, como impressões digitais das experiências que nos constroem, umas boas, outras más, outras nem uma coisa nem outra porque não as recordamos com o pormenor de quem aprendeu algo pertinente. Camada sobre camada vamos construindo a pessoa que somos. O interior vai ficando cada vez mais para dentro, longe do que se vê de forma descuidada. O centro esconde-se sobre camadas de muitas coisas diversas, às vezes incoerentes, que reforçam ou condenam a essência pelo que condicionam a nossa forma de existir e ser no mundo dos outros. A superfície não nos define nem o meio nos explica simplesmente. Somos a soma do que trouxemos connosco ao nascer e o que nos vamos sobrepondo em camadas. Nem sempre fazemos sentido e muito raramente somos por inteiro as competências acumuladas. Mareamos por entre a expectativa dos outros e a nossa vontade. No fundo, a nossa maior liberdade é o espírito de contradição.

terça-feira, 9 de março de 2010

Parece que é

Cosmo, Dusseldorf Hafen #2, 2009

No fundo, vemos o que queremos, da forma que melhor nos convém. A realidade será outra coisa qualquer, nem concreta nem definida, algo elástico, variável em função de factores inconstantes como a luz, o ponto de observação ou a capacidade cognitiva do sujeito, por exemplo. No fundo, nada do que parece é e de nada do que é realmente temos absoluta certeza. E ainda que acreditássemos na realidade tal como a observamos, erraríamos, porque a verdade é inatingível como a essência do tempo, que só usamos de forma conceptual por uma questão funcional e porque temos absoluta necessidade de medir o universo à escala humana. Porque não sabemos de onde viemos nem para onde vamos. No fundo, a dúvida define-nos como espécie viva. No fundo, a maior parte dos mortais não tem a menor ideia do seu propósito de vida. Respiram apenas um dia atrás do outro. A realidade é o que cada um conseguir perceber de si próprio na sua relação com o mundo. No fundo, o Amor é um estado avançado de percepção do ser.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A dimensão do básico

Cindy Diaz, Wiltered Flower, 2005

Espaço básico, a dimensão do que somos dentro de nós e não o espaço que apropriamos. Espaço básico. As fronteiras são por dentro e por dentro o espaço tem o tamanho da alma que nos anima. Na alma tenho-te a ti e a fronteira do que te quero não tem fim. O espaço básico do meu querer é um infinito de nós, sempre em frente um horizonte sem longe em que o abraço em que nos embrulho tudo torna perto aqui e agora. Neste espaço básico em que te enlaço não existem recantos abertos ou pontos de fuga. Tudo é amplo, tudo é desejo de mais. Maior e mais além. Porque nada limita o tamanho do coração. O que somos dentro do espaço que a vista não alcança, tem a grandiosidade de todas as coisas impossíveis de medir numa escala precisa. O que sentimos é palpável como espaço básico de existência. Por dentro existes como minha vontade infinita de vida.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Uma ideia de fé

Jasontheaker, Photographic paradox, 2009

Viver é acreditar. Acreditando vivemos mais coisas no mesmo tempo de vida. Acreditando vivemos, sem dar conta, duas vidas numa só. Acreditar é crescer em altura e em comprimento, porque construímos uma alma maior, mais preparada para chegar a todo o lado. Acreditar é saber que não estamos sós e poder contar sempre com isso, porque fica mais pobre aquele que escolhe desfocar o mundo e ver tudo de um só lado. Acreditar é aprender um pormenor diferente em cada dia que passa, decorá-lo até saber falar dele de cor, sem hesitações. Acreditar é confiar que o lado bom é infinitamente superior ao pior que se imagine, porque vivem bem aqueles que fazem dos obstáculos pontos de apoio para alargar conhecimento. O Amor, que é coisa que não se vê, acredita-se porque se sente e vive-se acreditando que aquilo que não vemos nem tocamos é uma razão maior do que a nossa capacidade de raciocínio. Amar é confiar e confiar é admitir que há coisas que não sabemos explicar e crescer em busca de respostas, sem desistir nem vascilar no que sentimos como força maior, centro do mundo. Assim te sinto eu.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Sem desvio

Adrian Reilly, One Way, 2006

Em todas as paredes dos lugares por onde passo, vou escrevendo o teu nome no seu verdadeiro sentido e não com as letras que o formam. Por todas as estradas, caminhos ou encruzilhadas, vou deixando pistas da direcção que te escolhe sempre antes de tudo. Em frente é por onde vou, sem memória de outra coisa senão aquilo que vivi para te encontrar. Em frente sem passado senão aquele que me esculpiu o sonho e o tornou palpável. Caminho na linha recta do indefínivel e assim te partilhas na mesma caminhada. O Amor, que ninguém sabe definir senão por aproximação, é uma estrada de sentido único sem desvios e a vertigem da velocidade de querer ir mais longe e ter mais história partilhada. O Amor, que não tem peso nem contorno, é uma direcção irreversível. Não seria Amor se nos distraíssemos a olhar para trás.

domingo, 9 de novembro de 2008

Am(arte)

Sharon Rrogers, Lace, 2006

Haverá arte maior do que o rendilhado do Amor? Porque a malha que o tece exige-nos uma inegualável disponibilidade e porque somos absolutos e verdadeiros para nós mesmos quando amamos. Se te sinto de forma plena nada me faz desistir da parte que és em mim, porque sem ti não sou eu, sou apenas um estado de existência transitório. Amar-te é ser mais do que apenas eu, é acreditar que tenho um sentido e que me cumpro na arte de viver. Porque o Amor é vida e o contrário é morrer. Sem ti cuidei que morria e morri todos os dias e todos os dias sobrevivi porque acreditava que eras tu a minha vida e que, um dia, me voltarias. Porque, apesar da dor do longe e da distância, acreditei em nós, porque o Amor vivia em mim e sempre soube que em ti também. Haverá maior arte do que esta que me esculpe, no coração, o teu nome?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Iluminada

Linda Alstead, Sunshine on Teasel, 2005

Todos os dias nasces em mim como a Terra amanhece debaixo do mesmo Sol de sempre. Todos os dias és mais centro e mais verdade em mim. E a minha verdade é aquela que me faz ter a certeza de que existem histórias de amor felizes, porque a felicidade de amar é sentir profundamente cada instante debaixo de sol ou chuva e amanhecer inteira a vontade de um sempre incondicionalmente. O Amor, aprendi, não é um estado superficial de embriaguez dos sentidos. O Amor é extâse e contratempos e um constante bem-querer que nos transcende e que nos segura cada passo mesmo que caminhemos às escuras. Porque nunca é noite no Amor. Sei por onde vou, caminho sob a luz que me amanhece todos os dias num beijo infinito e num toque de pele sem tempo. O Amor não sabe contar as horas que passamos lado a lado. No Amor só existe o tempo infindável da espera e da saudade. Sei por onde vou. Vou contigo para todo o lado. Porque sou esse caminho de vontade e nós somos um destino de eternidade.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Inquebrável

CM Kwan, Grey Hairs, 2008

Se tudo correr bem, e vai tudo correr bem, os meus e os teus cabelos serão tornados brancos, sem excepção, pelo tempo por onde passeamos demasiado depressa para viver mais e chegar mais além. E eu vou olhar para esse teu branco de neve que os anos acumularem na tua cabeça e vou sorrir feliz como quem chega ao cimo de uma montanha. Por dentro pouco muda porque o Amor não envellhece. O Amor nasce e cresce e nunca chega a morrer. Amadurece porque isso é conhecer mais um bocadinho de nós a dois. O Amor é a força com que vencemos a montanha, a mão que nos segura a queda e nos levanta do chão para continuar. O Amor é a habilidade de olhar para dentro e mudar de sítio as peças soltas para arrumar melhor o lado de fora. E mesmo que tudo nos pareça virado ao avesso, o Amor é acreditar numa ordem primeira e inalterável, aquela que nos segura uma vontade de vida infinita, um querer intocável. Mesmo quando os dias acontecem fechados num círculo escurecido, sei que te tenho comigo tão de dentro que não perco de vista essa luz que és em mim e que me aquece a alma que se me aninha no coração.

quarta-feira, 7 de março de 2007

E = mc2

Zenmatt, Snowflake glove. Magic abounds, 2006

Porque acredito que tudo na vida é relativo, às vezes, é reconfortante encontrar nas ciências exactas princípios que validam a nossa observação do mundo e que nos reasseguram de coisas que pensamos de forma emocional (e, portanto, sem grande sustentação), porque, às vezes, precisamos de demonstrar a nós próprios que temos razão. E quando me faltam argumentos contra mim ou a meu favor, dá-me sempre jeito evocar a Teoria da Relatividade de Einstein, da qual, no meio de todos os cálculos e explicações matemáticas que não entendo, fixo a teoria e alguma filosofia que, teimosamente, lhe atribuo.
A relatividade do tempo fascina-me do princípio ao fim, partindo do pressuposto que existe um fim e um princípio. Supondo que me dispunha a medir o intervalo de tempo gasto na ocorrência de um fenómeno, aprendi (com alguma dificuldade e enorme incerteza quanto à correcção do meu entendimento do que li...) que uma das consequências dos postulados de Einstein é que o valor do intervalo de tempo depende do ponto de referência do observador. Ou seja, se tivermos dois observadores situados em dois pontos de referência (inertes) diferentes, mantendo velocidade constante um em relação ao outro, os intervalos de tempo medidos por esses observadores serão diferentes. Segundo o que percebi (não é certo que seja assim, mas existem boas probabilidades de eu acertar) parece que um relógio que esteja num ponto de referência que se mova em relação a nós "anda" mais devagar do que nosso relógio.
Resumindo a teoria da relatividade do tempo (e não da relatividade geral, que isso é um assunto mais complicado que ainda vou demorar alguns anos a aprender completamente), o intervalo de tempo em que dois eventos (emissão e recepção de luz) ocorrem no mesmo local, é designado de tempo próprio. Para qualquer outro ponto de referência inerte o intervalo de tempo é maior do que o tempo real. Pois bem, a boa notícia nisto tudo é que esta relação é válida para todos os processos físicos, incluindo reações químicas e processos biológicos.
E pronto, explico assim as divergências de perspectiva de um mesmo fenómeno, envolvendo dois observadores em pontos de referência distintos. Torna-se, assim, muito mais fácil compreender as diferenças e relativizá-las, situando-as num determinado contexto, de acordo com a experiência de cada observador. E mesmo que estejamos a falar da mesma coisa, a ciência demonstra e comprova a existência de tempos de observação diferentes de um mesmo fenómeno e isso deixa-me muito mais descansada, mas feliz, nem por isso. Ainda bem que existem pessoas excepcionalmente inteligentes que perdem vidas inteiras em busca de uma equação matemática que nos descomplica a vida. Que seria de nós sem esses génios loucos?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Mentiras

Anabark, MM Blue (FEV07)

O que é mentir?
É fingir que sentimos?
É pensar que sentimos?
É fazer acreditar que sentimos sem sentir?
É enganar sabendo que não sentimos?
É simular o que não sentimos?
É sentir por alguém o que não sentimos na relação que escolhemos?
É recalcar o que não queremos sentir porque não é conveniente?
É mentirmo-nos desistindo daquilo que se sente?

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Àcerca do mentir

Peter Elköf, 2005

O que são mentiras? Uma mentira não é uma verdade relativa, porque se assim fosse nada seria verdadeiro - as verdades absolutas não existem. Que fundo de verdade existe realmente na mentira, se é que existe algum? Há quem viva numa mentira esforçando-se por acreditar que duma verdade se trata. Há quem se distorça na realidade ao ponto de acreditar na mentira como a única verdade possível, com princípio, meio e fim, na certeza absoluta daquilo que está certo e daquilo que deve ser, como se a vida fosse feita numa escala de preto e branco puros, ignorando que entre o preto e o branco se passam infinitas cores, tudo dependendo da luz que deixarmos entrar. A mentira é a distorção do que somos no que existimos, é uma verdade conveniente que não é verdade, só o é porque nos convém. E nesse mentir somos uma manta de retalhos, sempre demasiado curta para nos tapar o corpo por inteiro. E chega-se a fingir tão completamente que acabamos por acreditar que não mentimos, que tudo o que somos é verdadeiro e transparente. E, no entanto, sentimos o vazio construir-nos uma inevitável solidão, porque a mentira deixa-nos cada vez mais sós e desamparados, pendurados no que não é, no que apenas inventámos porque é mais fácil ser assim. Somos capazes de relativizar a verdade ao ponto de não haver nela nada de verdadeiro nem mesmo em nós que lhe demos origem. Defendemo-nos como verdadeiros quando construímos para nós mesmos uma mentira que nos segura numa imagem frágil e falsa o que somos e a vida que não temos e que nos esconde daquilo que não sabemos nem ser nem ter por falta de coragem. São sempre os mentirosos os primeiros a dizer que não sabem viver na mentira. O que é uma mentira senão uma fuga calculada ao que não sabemos responder? E quando nos mentimos a nós mesmos para nos justificarmos, que verdade defendemos afinal? Mentir é viver pela metade, fingir que está tudo bem na vida que sentimos cada vez mais desordenada. Mentiras são as partes de nós que roubamos e que escondemos de nós e dos outros, para acreditar que existimos realmente.

sábado, 25 de novembro de 2006

Amor concreto e definido

E o que é o amor
para além desse fogo ardente
que não se vê só se sente,
dessa vontade que corrói por dentro
e nos mata de saudade?
Prisão de alma talvez
uma dôr sem corpo, um respirar descontrolado
uma força maior que se nos impõe em todo o lado
um querer tudo e nunca ter suficiente
amor é um chorar e andar contente
num abraço que desejamos para sempre
mesmo sabendo que não existe a eternidade