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sábado, 12 de fevereiro de 2011

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Nick Yoon, Person in grief?


"(...) Quando precisares de força para não ceder pensa nisto: ela cuida de ti se estiveres a chorar? Ela pergunta se jantaste, se tens dormido? Ela diz que viu uma coisa qualquer e lembrou-se de ti? Isso é que é importante, não é ela receber passivamente o teu blog e dizer que te ama e depois ter um perfil assim. É falar-te num livro que é igual a vocês, é levar coisas para a tua casa que sejam para ti. É a diferença entre manipular e dar-te as mãos abertas."


F.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Welcome to Lisbon F.

Senhora Saudades (aka F.), Postcard at De Wilderman (NOV06)
Dear F.,

You may be right, I'll never get to see the frozen canals of Amsterdam, but I don't mind, I already know what they look like. Probably you will never experience the magic of watching the snow falling over Lisbon, but you already know by heart this strange feeling of 'saudades'. I can only wish you feel at home now that you're around - Lisbon welcomes you. Your coming to town was my favourite Christmas' gift this year. And now that you're here, you must have realised 'saudades' never come to an end.
Merry Christmas in Portuguese land.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Não te sou

Peter Eklöf, Vasteras, 2006

Partes todos os dias que passam por mim e todas as horas sem ti são a hora da despedida. Revisito o adeus frio que serviste à mesa no dia em que te foste embora. Fico a ver-te partir uma e outra vez, tantas vezes que não consigo lembrar-me de outra coisa. Recordo-te a voz da partida, memorizei o tom em que disseste que não poderias voltar a ver-me ou estar exposta ao que te sou, fui, porque hoje já não existo em ti. Revejo-me aos pedaços, espalhada pelo chão, sem conserto, caída do céu à velocidade vertiginosa do teu desamparo e da tua falta de amor. Desconheci-te e desconheci-me nesse instante. Não te detiveste. Tiraste-me o chão, continuei a cair. Enterraste-me. Deixei de existir, porque eu era tu comigo. Morri-te, resolveste-me com brevidade, telegraficamente. Sou passado, uma memória, a ausência de que não sentes falta nem saudade. Sou a tua fantasia realizada, o intervalo na tua vida. A pessoa que hoje não te sou deixou de te importar, tornou-se indesejável e incómoda nos teus dias. Aceitei a derrota, não posso obrigar-te a escolher-me nem a fazer-te sentido, como me juravas antes de teres medo dos fantasmas que carregas de um tempo antigo. A pessoa que não te sou tem pena que não saibas gostar de ti. A pessoa que não te sou tem pena do que não sabes crescer para além dos outros por não te saberes amar. A pessoa que não te sou perdeu o teu amor, mas quanto vale esse amor frágil e obtuso que tem a duração de um intervalo entre estações? A pessoa que não te sou não roga amor onde ele existe numa linha tracejada.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Neste nada de nós

Wind «Vasos que estão à Janela» (2006)
Neste nada que nos fica no tempo que passa, há perguntas sem resposta e respostas ao que nunca questionámos. Neste nada que nos esgota a memória de 'nós', há uma orquestra de silêncio a acompanhar imagens que o tempo dilui. Neste nada que nos espreita de alto a baixo dia após dia, há um caminho abandonado na escuridão que nos separa. Na ausência que me dás, eu invento o esquecimento. Voltares-me deixou de ser uma hipótese e esqueço-me de nós para me regressar sem danos. Vou desfazendo a hipótese de ti, porque agora sei que ela nunca existiu para além de mim.
Neste nada que sobrou de ti, conto as horas que faltam para não me recordar de nós. Não me esqueço de ti, esqueço-me de 'nós'. De ti recordo-te a pele na minha pele, o perfume eterno do teu corpo em mim e o desejo sem controle que nunca conseguimos esgotar. E desse tudo vem-me também à memória a frieza com que me deitaste fora e o egoísmo com que me cortaste a voz.
Acredita, neste nada que me resta vou lembrar-me de ti.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

O gato que se tornou rato

Senhora Saudades aka F. - Trapped (Amesterdão, OUT06)

Lembras-te quando me escreveste que 'a liberdade é a única forma de amar'? Talvez hoje percebas melhor o que disseste, se calhar, sem te dares inteiramente conta do que isso significa. Porque é a única verdade que sei acerca do Amor, embora reconheça que essa liberdade essencial seja um esforço difícil quando amamos perdidamente - porque somos animais territoriais e assumimos o sentimento com absoluto egoísmo, porque queremos guardar para nós o tesouro que só a nós pertence. Mas a verdade é que quando amamos alguém devemos, acima de tudo, fazer com que esse alguém se sinta totalmente livre e que a escolha de ficar seja realmente uma escolha, porque aprisionar não é um acto de amor mas de dominação sobre o outro.
E a propósito das tuas suposições a meu respeito quando ainda mal me conhecias, expliquei-te que 'gostar' não é 'amar' e que há uma certa crueldade em receber amor e não dar igual. Não digo a palavra 'amo-te' facilmente, nunca sem o sentir, porque sei o quanto vale o verbo 'amar'. Não minto, omito. Seria uma má pessoa se mentisse e não minto em relação aos meus sentimentos. Não faço promessas que não posso cumprir. Quando oiço a palavra 'amo-te' baixinho no meu ouvido, não respondo o que não sinto ainda que goste muito, mas 'gostar muito' não é amar. Não engano. E sim, sinto-me responsável pela pessoa que diz que me ama, mesmo quando não sinto igual, e respeito-a, mas tal como tu, não obrigo ninguém a ficar. Dizes tu que temos sentimentos nobres e um bom coração, mas sabemos muito bem que isso é pouco para dar a quem nos confessa amor. A responsabilidade de ficar ou partir é de quem se sente mal com a situação, não achas? A culpa reparte-se - é menor quando não mentimos em relação aos sentimentos, mas ninguém sai ileso.
Quanto à palavra que não digo, não a temo. Não é por medo que não digo - não a sinto e se não a sinto, não vou mentir. Sei distinguir as coisas, já amei, muito poucas vezes, mas amei tão completamente que hoje já cresci o suficiente para não confundir 'amar' com 'gostar muito'. Quando te conheci vivia segura e intocável, com mil cuidados para ninguém me surpreender, para não me magoar. Esperava como um caçador espera a presa e era o mundo que vinha ter comigo e eu avisava quem chegava 'Por favor, não te apaixones por mim'. E tu disseste-me, 'Haverá um dia em que o caçador se torna a presa!' É verdade. 'É o risco e o desafio da caça - há animais que não conseguimos vencer, estejamos ou não preparados. Só posso desejar - tal como tu desejas - que seja um desafio justo - um dar e receber sem condições e em partes iguais.' – respondi eu.
E vieste tu. O que aconteceu entre nós foi tudo em partes iguais. E a meio de tudo, a luta pela sobrevivência.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Respostas

Anabark, Frágil (MAI06)

Lisboa, Agosto. 2006
"Que sabes tu do que me tem custado a mim? Perdi-te a ti, perdi-me a mim, e só aos poucos recomeço a encontrar-me. (...) Não desisti de ti, nunca desistirei, continuarei a querer-te e a amar-te à minha maneira (quem sabe, egoísta e cobarde, como dizes). Pode parecer-te crueldade da minha parte não querer saber dos teus sentimentos, te garanto que não é. Dói-me mais a mim que a ti – tenho quase a certeza."
Como podemos avaliar isso? Em noites sem dormir, dias sem comer, lágrimas permanentes, horas à deriva pelas ruas a tentar fugir de nós mesmos?... Achas que não me dói saber que tu aí também sofres? Achas-me tão egoísta que não pense que te dói também a ti? Achas que as minhas lágrimas não são as tuas também? Achas que não vou viver para sempre essa dor? Com que balança se pesa a dor? Foste tu que partiste. Quem criou a escuridão? Parece-me que és tu quem tem de caminhar até mim, se algum dia me quiseres voltar a encontrar, e não o contrário.

sábado, 4 de novembro de 2006

De copo vazio

Anabark, Parabéns (MAIO6)
Lisboa, 18.Agosto.2006
Escrevo-te para te dizer que desisto de ti como tu desististe de mim através do silêncio e da distância que escolheste para delimitar territórios e seguires em frente pelo caminho mais fácil. Não voltarei a incomodar-te - compreendi que não te faço falta, que as saudades não te incomodam a alma e que nada do que me disseste e juraste foi verdadeiro, logo não faz sentido eu continuar a perder tempo e a morrer aos poucos naquilo que só eu sinto.
Passaram alguns meses de distância e durante este tempo desvalorizaste os meus sentimentos para 'seguir em frente'. Tens a vida que querias, onde não há espaço para mim, nem sequer como amiga. Pediste para me ir embora, como se tivesses vergonha do que aconteceu entre nós. Esperei que as saudades te fizessem pensar melhor, que o amor te fizesse olhar para trás e que percebesses que há outras saídas. Só falou o silêncio e o silêncio disse-me "Não vale a pena. Se ela te amasse não poderia viver sabendo-te infeliz – a culpa seria demasiado pesada para aguentar a distância."
Obviamente não sentes culpa, sentes, sim, medo de ti própria porque, comigo, descobriste a verdade de ti mesma e não sabes lidar com isso – vives num processo de negação e recalcamento e, como funcionas por objectivos, vais conseguir desligar e ‘seguir em frente’ pelo caminho por onde sempre andaste, pelo que pude perceber, sem te sentires especialmente feliz e muito menos realizada como pessoa. Não digas que não tens outra saída, porque não é verdade. Um dia talvez percebas que a vida é demasiado curta para deixar de ser vivida por inteiro. Um dia talvez entendas que só a morte não tem remédio e que os problemas, por incontornáveis que possam parecer, têm sempre uma solução se amarmos verdadeiramente, formos pacientes e pensarmos com bom senso. Viver é um risco constante, quis correr esse risco contigo porque acreditei em nós e numa relação discreta, equilibrada e saudável para ti e para as tuas filhas, tal como tinhas planeado quando te apaixonaste por mim.
Tenho de respeitar o teu 'seguir em frente', ou melhor, o teu 'andar para trás' e, acima de tudo, tenho de me respeitar. És o amor da minha vida, mas tenho de ser adulta, aguentar a dor e curar-me amando alguém que me mereça mais do que tu demonstraste merecer – quem não nos acompanha atrasa-nos. Não tenho vergonha nem me arrependo de te amar – voltaria a fazer tudo de novo. Fizeste-me imensamente feliz, deste-me vida e algo que vai ficar para sempre, deste-te por inteiro enquanto acreditaste em ti, em mim, em nós. E eu correspondi, acreditei em ti, num compromisso, dei-te felicidade e amor incondicional, fiz-te sentir inteira, completa e fiz-te amar com uma intensidade única. Para mim, não foi uma aventura.
Pediste para me afastar - quem ama não faz isso, quem ama protege e segura. Está bem, vou embora, não volto a incomodar-te para além do teu dia de anos. Não tenho feitio para arrastar-me como vítima triste e abandonada, 'cos I’m much too tall to feel that small', como diz uma canção dos Eurythmics. Perdi-te, mas a tua perda é maior: perdeste-te a ti mesma e a oportunidade de seres tu por inteiro com alguém que te ama perdidamente e sem condições. Se alguma vez sentires a minha falta, tens um muro de paredes duplas à tua espera para destruíres. Não te amo menos mas... 'you have placed a chill in my heart', como diz a mesma canção dos Eurythmics.
Um beijo meu. Always.
A.
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PS (Novembro.2006) - Se pensas que és a única mulher heterossexual, comprometida com um 'homem fantástico' e com duas filhas, que se apaixonou perdidamente por uma mulher, ouve quem viveu o teu dilema e soube resolvê-lo respeitando os envolvidos:
Triste de facto (autoria: Blue)

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Adoecer-te

Anabark, Memória (MAI06)

A última vez que me falaste de ti disseste que te adoeci...
A acreditar nas tuas palavras, adoeci-te profundamente (e a mim também) e isso não me posso perdoar. Há oito meses atrás nunca acreditaria que a pessoa que eu sou alguma vez pudesse magoar a pessoa por quem me apaixonei perdidamente. Hoje, os factos falam por si e falam mal de mim. Quem eu sou fez-te mal, o meu toque tornou-te frágil. Fui a tua doença, a tua ‘morte lenta’. Tive tanto cuidado – nunca na vida tive tanto – e de nada me valeu . Fui veneno. Fui vil. Fui ‘nao-eu’, ou melhor não sei quem fui mas não fui eu porque eu não sou uma doença!... Vivo agora com o sabor do mal que fiz sofrer. Vivo sabendo que ficaste pior do que antes mim, mesmo quando me dizes que fui a tua "mais bonita história de amor" e que 'provavelmente não voltarás a amar assim'. Vivo triste e viverei, porque, depois de tudo o que vivemos, não acreditas nesta minha dor que é tudo menos passageira.

Não tenho palavras novas para te convencer de que te quero bem e que tudo o que disse, pensei, desejei, foi por amor. No pouco tempo que tivemos, reconheci-te como aquela a quem gostaria de ensinar tudo o que sei e dela aprender outro tanto. E aprendi porque estiveste sempre à altura de me ensinar. Acredita em mim, por favor. Mas um dia decidiste que não querias aprender mais comigo. E eu, sem perceber totalmente os teus argumentos, fui falando cada vez mais baixinho e os dias passaram até que percebi que tinha de calar-me e assumir que não sei ensinar nem talvez transmitir uma ideia sequer do que aprendi. E um muro de pensamentos obscuros, dilemas, dúvidas se ergueu. Fechei-me num novelo sem pontas. E quando falei, disse coisas que já não querias ouvir - falei-te de amor quando tentavas esquecer o que sentias. Perturbei a tua paz de espírito, até que me calaste de vez, magoando-me de forma irremediável. A culpa pode não ser de quem ouve, mas é seguramente de quem fala, porque torna a proximidade dolorosa, porque fala quando devia estar calado, porque escolhe mal as palavras ou, muito simplesmente, porque não respeita a distância do outro. Provavelmente cometi todos esses erros.

Não sou melhor do que tu para dizer bem ou mal de ti. Não me posso armar em Deus e listar as tuas qualidades e defeitos. Pensando melhor, talvez eu devesse ter feito uma lista de qualidades quando duvidaste de mim a primeira vez. Serias tão mais feliz a esta hora (e eu também)! Fui ingénua, confiei demais. Durante todo este tempo pensei que percebias que a intensidade dos dias em que existimos uma na outra era o maior elogio que te podia fazer. Errei, pensei por mim e não me apercebi que tu não és eu e não podes ser o que eu te imaginei.

Pedir uma certeza de que o passado existiu não é pedir muito. Bastava que me dissesses, uma vez por outra, que pensas em mim para eu acreditar que a paixão que senti queimar a pele do meu corpo no teu existiu, que não foi inventada por mim. Pensei que no meu-aqui-longe-de-ti havia uma forma de adivinhares com segurança as noites e os dias em que me perdi no desespero da tua ausência. Pensei que saberias a falta que me fazes e que me importa o que vai na tua cabeça e que te quero bem. Pensei que fosse inquestionável a certeza com que te repeti tantas vezes 'és o amor da minha vida’. Enganei-me.

Não sei dizer melhor. Sei que te sinto elogiosamente na intensidade do que vivi contigo, mas apercebi-me que não sei dizer-te isso de forma convincente. Sei apenas que o que eu sou te obriga a defenderes-te de ti mesma e a recalcares o que sentes, porque queres muito que o teu corpo e o teu coração desistam de mim, porque te faço sentir algo que não sabes controlar e que causa incómodo na tua vida certinha e igual à de toda a gente. Como todos os medos, o teu é irracional, cheio de equívocos, paralisante e internamente conflituoso.

Não te escrevo para me queixar, de nada me adiantaria, só o silêncio me responde e tanto vazio entre nós põe em dúvida a tua existência real. E, se existes, alguma vez gostaste realmente de mim?

sábado, 7 de outubro de 2006

Uma hipótese

Anabark - Behind Walls (SET06)

Uma hipótese: encontras-me onde me deixaste, mas não da mesma forma como me encontraste a primeira vez.
Tudo está no mesmo sítio, aparentemente o mundo não mudou, só o tempo passou. Os dias lá fora e cá dentro são diferentes. Aqui as horas não passam, todos os dias são o dia em que te foste embora. Aparentemente não há nada de novo à minha volta. Mas eu mudei - deixei de querer-te inocentemente. Desfizeste a martelo o encanto que segurava a minha alma à tua, num desejo de estar permanentemente em ti e contigo. E eu pergunto 'O que fazia um elefante na minha loja de porcelanas?', como naquela velha canção dos Clã que só eu sei de côr.
Empurraste-me para fora de nós. O medo turvou-te a razão e os sentidos e encolhei-te a alma. Já não existes como no dia em que me apaixonei por ti. És outra coisa qualquer que nem tu saberás o quê. Dizes-me que não existem universos paralelos e, no entanto, vives paralela a ti mesma, numa alternativa segura e confortável que não és tu completamente.
Empurraste-me para fora de ti e, no entanto, dizes ainda que me amas e amarás sempre. Estou do lado de fora de ti onde me pediste para eu ficar e onde deixaste de fazer sentido. Tenho na mão um copo vazio e se o apertar com demasiada força partirá e os estilhaços de vidro vão enterrar-se debaixo da pele e aí ficarão para sempre.
Não te amo menos, mas perdi a inocência - o que amo em ti não existe e, mesmo que existisse, tu não lhe dás relevância. És um esboço em que te desenhas e reinventas constantemente, talvez porque te sentes aborrecida ou insatisfeita. Eu sou a tonta que olhou para o desenho e viu um projecto - todos nós precisamos de mentiras na nossa vida, às vezes é uma forma de acreditar num sentido de existência. Por mais que me digas que não consegues viver na mentira, os factos falam por si com eloquência - escondes-te todos os dias de ti mesma. Queres uma mentira maior do que viver às escondidas de nós próprios?

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Imagina só

«Imagina Só» (Ol Parker - (EUA, Reino Unido, Alemanha -2005)
A história de uma rapariga que se apaixona no dia do seu casamento... mas não pelo noivo.
Luce: I think you know immediately. As soon as your eyes... Then everything that happens from then on just proves that you have been right in that first moment. When you suddenly realize that you were incomplete and now you are whole...


Rachel: You make me feel something I absolutely cannot feel.
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O filme é uma comédia romântica, a vida não. Todas as semelhanças com a realidade são coincidências irritantes e se, por vezes, a ficção é inspirada por situações reais, o contrário raramente - se não nunca - acontece. A ficção é, por definição, irreal, inconsequente, não existe e no que não existe tudo é possível. O credível e o inverosímel são níveis no expectro de avaliação do sujeito. No que não é real nada é vinculativo. A vida, pelo contrário, é uma sucessão de páginas em branco preenchidas por sequências de pensamentos, actos e omissões consequentes, às vezes irreversíveis.
A nossa história aconteceu e, por muito que tenha em comum com o filme (ou talvez nem tanto), os personagens são reais, as acções vinculativas e as decisões consequentes. Tu e eu temos responsabilidade sobre a história. Tu e eu reconhecemos no olhar o momento em que nos tornámos completas, inteiras. Tu e eu escolhemos, tu e eu decidimos. Tu e eu fomos felizes, tu e eu acreditámos. Eu acreditei em ti, tu deixaste de acreditar. Escolheste o fim como escolheste o princípio - de um momento para o outro. Fiquei a meio e queres-me longe.
No silêncio e na distância que me dás imagino coisas. Imagino-te, imagino-me e projecto-nos numa tela imaginária. Não somos nós - nós não existimos. São imagens apenas, segmentos como num filme. Provavelmente nem existes, fui eu que te inventei, imagina só!