segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dias sem geometria

Peter Sussex, Ashtray on the floor, 2007

Passam dias demasiado voláteis, quase translúcidos, feitos de matéria impalpável que só a alma toca e segura. Passam dias em que me escondo em ti do mundo e, nesses dias, deixo-me ficar quieta, imóvel, sem tocar em nada para que o encanto não se quebre e as cores não desapareçam e se instalem os cinzentos infinitos que nos vigiam como aves de rapina do lado de fora do que é nosso. Nesses dias suspensos, quase mágicos, pelo desafio de não obedecerem às leis habituais do espaço e do tempo, gosto de te observar sem dares conta, como fazem os anjos invisíveis que, supostamente, olham por nós no alto dos edifícios. Nesses dias tudo fora de ti é superficial, monótono, plano. Procuro-nos, sobretudo, a irregularidade porque nos dá graça e consistência em três dimensões. Procuro-nos a relevância dos planos a partir de dentro, porque assim existimos fora do desenho, para além da projecção. Interessa-me essencialmente a realidade em que tu e eu somos percurso e linha do horizonte.

4 comentários:

analogic disse...

um abracito tridimensional

Always disse...

Os abraços não se agradecem, pois não?... :)

White disse...

Existem demasiados dias tranlucidos e vazios. Dias em que temos de funcionar de modo automático sem pensar em nada para não nós perdermos ainda mais. São dias de produção intensiva onde o que interessa é concluir rápido trabalhos que quase nenhum interesse têm. Sim, porque vivemos na sociedade quantitativa e a baixo preço.
Conto os dias decrescentes a espera de conseguir voltar a passear no meu caminho, a percorrer o meu sentido, a tentar encontrar o significado.
Vou aí e já volto.

Bjs

Always disse...

White,

Estamos a precisar de férias, certo?

Eu estou! :)

Bjos