quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Chega-te a mim

Wenche Aune, Winter 06, 2007

E havia fogo sepultado no gelo das horas vazias porque a chama permanece na alma tão naturalmente como a fome e a sede habitam o corpo vivo. E o gelo nunca fica porque se transforma em água que mata a sede ou que aquece o estômago à procura de conforto. Longe de nós pouco existe, a consistência perde-se e as coisas derivam numa lógica imprópria porque incompreensível. Até as palavras que nos abandonam procuram formas de nos alcançar com uma urgência incontornável que, por vezes, não sabemos acompanhar. Erros de percepção são reflexos no espelho, imagens imperfeitas que se sustentam numa inversão da realidade. Descubro-te lentamente descubrindo-me. Os dias de tempestade são apenas nuvens num céu de azul infinito. Por cima das nuvens o sol não dorme. A luz permanece num plano absoluto de imortalidade. Assim nos sinto eu, assim nos vivo sem equívoco do que te sinto em mim. Porque há um lume aceso em nós como o céu luminoso e sem limites para além das nuvens.

6 comentários:

orquídea disse...

Always, por aqui poderei não soltar gargalhadas, mas sorrisos e prazer de leitura é prémio garantido sempre que prolongo o meu olhar pelas suas palavras.
Beijos.

S-Kelly disse...

Viver sem limites e conseguir atingir o eterno voo que se ergue em nós, é sem dúvida uma dádiva que norteia qualquer ser.
Mesmo que o nosso voo seja na abstracção das palavras...
Um abraço

kris disse...

li, e reli...e quero ler mais...

Always disse...

Orquídea,

Obrigada :).
É bom saber que as palavras que enchem o 'Copo...' fazem sorrir por dentro.
Contudo, as gargalhadas fazem bem à saúde! LOL...

Beijos

Always disse...

S-Kelly,

Tens toda a razão! Felizmente o meu vôo vai para além da abstração das palavras, porque não vôo sozinha.

Um abraço

Always disse...

Kris,

Dentro do copo há sempre qualquer coisa mais... :)