terça-feira, 19 de julho de 2011

O que se perde

David R. Yee, Teddy On Bryant Lake

O que é nosso e deixamos de ter, nunca se perde realmente, porque a nós retorna naturalmente. O que nos pertence por lei do universo mais forte do que a própria vida, perdendo-se, voltamos a encontrar. O Amor só existe quando é nosso. O que é meu realmente nunca de mim parte e, se partir e não voltar não tem de ser, não é meu porque não é nosso. Tudo o que não tenho porque perdi completamente nunca foi meu e, não sendo meu por inteiro, não me vai voltar. Só quero aquilo que me procura livremente e me encontra no que me reconhece seu também. O que não me escolhe por força de um querer livre e absoluto nunca será meu. Dispenso tudo o que passa por mim sem vontade de ficar.

10 comentários:

http://oefeitoplacebo.blogspot.com disse...

um texto decidido, triste mas corajoso; hugs

Mia disse...

"O que nos pertence por lei do Universo mais forte do que a própria vida,perdendo-se, voltamos a encontrar."
É tudo em que acredito, porque também eu perdi, mas também eu acredito que era tão forte, tão cosmicamente inevitável e certo, tão puro, que mesmo não sendo meu, esse Amor é meu, é nosso, porque não consegue não ser Amor. E porque assim é, inevitavelmente nos voltaremos a encontrar...
Obrigada pela profundidade dos textos.

Lábios de Caprichos disse...

Até mesmo o que passa por nós, traz uma mensagem, uma lição, um ensinamento que vale a pena reter e sentir. Nao o dispenses.
Quanto ao que pensamos ser Nosso e que mais tarde parte sem regresso, é mesmo isso, um Momento, que apesar de nao nos pertencer, aconteceu por algum motivo. *

Always disse...

R. aka 'efeito placebo'
As tomadas de consciência são momentos que envolvem sempre alguma tristeza...
Um abraço de volta!

Always disse...

Mia,

Se for mais forte do que as leis do universo, o reencontro é inevitável. Faz parte do projecto e do sentido de existência de dois seres que se querem infinitamente e apesar de tudo. Sem isso nunca existirão completamente...

:)

Always disse...

LC,

Devemos tirar lições de vida de tudo o que passa por nós e nos faz acontecer. Devemos aprender sempre em vez de nos fecharmos a explicações. Claro que sim! :)
Tudo acontece por algum motivo, tudo tem uma causa, nada acontece por acaso. Também isso importa analisar e compreender que mais não seja para tomar consciência das nossas próprias limitações e da nossa própria responsabilidade no universo.

Beijos

whitesatin disse...

E o que é realmente nosso? Eu pertenço-me e nada mais...tudo o resto são lições de vida e momentos. A minha única responsabilidade é viver os momentos e aprender as lições que a vida me der, porque no fim desta estadia é só isso que vou levar: as memórias do que vivi e aprendi... Por isso, amiga, estou a aprender a apreciar os momentos e a tomar consciência das lições. Quanto ao resto, tenho perfeita noção que nada, nem ninguém me pertençe, nem eu pertenço ou tenho nada, consequêntemente, nada se perde.

Um abraço

YeuxdeFemme disse...

Onde é que eu assino por baixo? Aqui? Pois então...
Muito interessante. :)

Always disse...

Nat,

Não escrevi no sentido de as pessoas serem propriedades de outras. Escrevi sim dando conta que a relação que eu estabeleço com outra pessoa é algo que me pertence na exacta medida de que eu sou responsável pela sua construção e evolução no sentido do um 'nosso'. Se tal não se verifica e tudo é frágil e cai ao primeiro sopro de vento é porque o 'nosso' não se construiu - existiu um 'tu' e um 'eu', um 'meu' e um 'teu 'que nunca se encontraram num território comum. O que nos pertence numa relação é o que é 'nosso', os momentos que se vivem nessa plenitude (ou seja, '1+1=3). Se esse 'nosso' tiver de ser 'meu', acredito que o universo se encarregará de o fazer entender e acontecer.
O resto é 'faz de conta' pelo desequilíbrio implícito de uma relação baseada na equação '1+1=2'.

Always disse...

YeuxdeFemme!
Voltaste!! Que bom!!... Já tinha saudades tuas... :)