quinta-feira, 6 de setembro de 2007

No centro

Niki Conolly, 18 days without rain... the color of delirium, 2007

Nas minhas horas desocupadas de bom senso sofro a angústia de estar a desperdiçar tempo com pensamentos supérfluos que me desviam do centro e da essência das coisas. O centro é o espaço onde apenas tu e eu cabemos num ponto único, convergente e tão concreto quanto absoluto. Divagar em círculos mais ou menos concêntricos, mais ou menos equidistantes, fora do que somos nós, é deixar acontecer hiatos de sentido e neles errar de forma quase patética. Quando não sei exactamente de ti, procuro-te no centro e ali estás sempre. E no centro onde te encontro ao centro tu és eternamente a minha vida, o princípio de tudo o que não tem fim. De que me servem as horas de alma vaga quando te sei o centro do universo? Que perda de tempo insensata pensar-te num sentido incerto e impreciso quando te sei tão mais profundamente para além das impressões que ficam. No centro do que eu sou tu habitas-me completamente numa certeza absoluta e translúcida de terra, água, ar e fogo. O Amor é a verdade com que te sinto e vivo nas horas e fora delas. No centro que é a essência de tudo somos o Amor indelével e infinito que muitos imaginam como mito. Meu Amor, a distância possível entre nós é a de lábios contra lábios num beijo.

4 comentários:

wind disse...

Belíssimo!:)
beijos

Always disse...

Obrigada, Wind. :)

Beijos

Iu disse...

e que o centro seja eterno, na eternidade do sentimento.

Always disse...

lu,

A eternidade é uma sucessão de dias e de vida em cada um deles. Para sempre não é tempo demais para quem ama completamente. :)