quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Espalhadas pela casa

Robin Mitchell, It is Fall once again, 2007

Na nossa casa não faltam coisas que, por tudo e por nada, nos lembram do amor que vivemos sempre mais e maior na passagem dos dias. Na nossa casa espalhámos por todo lado instantes únicos e intemporais, que nos saltam à vista mesmo depois de vencidas pelo sono. Na nossa casa, embrulhamos o presente em memórias do passado que nos encontrou numa mesma rua e nos fez sonhar as duas o mesmo futuro. Nos quatro cantos da casa há partes de nós em diversos tempos e num mesmo movimento de alma que se entrega por inteiro. E, por tudo e por nada, as coisas que não faltam para dar conta do amor que vive cada vez mais amplo no que transborda de nós cobrem o chão e as paredes e tornam-se incontornáveis. Já não sei quando, talvez ontem ou, se calhar, num outro dia qualquer, deixou de haver tecto, porque tudo cresce à nossa volta e o espaço, que sendo grande é pequeno para um 'nós' do nosso tamanho, falta-nos para as coisas novas que, amanhã, espalharemos pelo chão para agarrar as coisas do dia seguinte e depois disso até ao fim dos dias. A nossa casa guarda o que vive o coração e a eternidade do que sente e do que somos tu e eu, sem princípio nem fim.

7 comentários:

Anónimo disse...

Minha Querida
Hoje estou em casa com um Quico constipado e aproveitei para te vir sentir aqui.
Lembrei-me de um livro de poesia que me deste e fui procurá-lo "Rosas da China" da Ana Mafalda Leite.
"acordo ao primeiro raiar do sol como quem acorda
para o dia inteiro acordo por ti e para ti
estrela da manhã"
...podias ter sido tu a escrever isto...
Gosto de ti
Beijos com saudades

Anónimo disse...

minha Querida
Ando para te dizer há algum tempo, obrigada por teres partilhado o teu blog,
agradeço-te com todo o coração, o facto de me teres dito para vir aqui.
outra vez eu, Sofia

Principezinho disse...

eu quase diria ao contrário...ou seja q vocês são maiores e q por isso a casa é q mora espalhada em vós...
isto faz-me lembrar algo muito bonito-Nick Cave" in to my arms",

bjs

Presença disse...

Marcas de dia... que crescem e preenchem...
bjo carinhoso

Always disse...

Sofia,

Obrigado pela visita e pela amizade de sempre. :-)
Espero que o Quico esteja recuperado - um beijinho grande para ele e um abraço para ti.

Always disse...

Principezinho,

'...vocês são maiores e q por isso a casa é q mora espalhada em vós...'

A tua visão das coisas é sempre enriquecedora... Se calhar tens razão, as paredes estão a mais quando entre elas mora o infinito.

"Into my Arms" é uma canção lindíssima (tens bom gosto...), mas, aqui em casa, 'Love Letter' é muito especial. Pode ser que Nick Cave cante ambas em Abril, em Lisboa...

Bjos

Always disse...

Presença,

Fico contente de voltar a encontrar-te por entre as palavras que aqui deixas. :)

Beijos