quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

De corrida

Yannis Logiotatides, Stair, 2008

Neste intervalo, que não tenho mas que invento para te chegar, confesso que as horas do dia acontecem mais plenas nos instantes em que te sonho e me sonho contigo. E sorrio. E tudo o resto me parece insignificante pelo que lhes falta de nós. Porque tudo o resto acontece num contra-relógio para te voltar. Neste intervalo, que o tempo real não me permite, mas que eu insisto em inventar, regresso-te vezes sem conta e, em ti, descanso da corrida, das subidas e das descidas, e em ti permaneço o tempo suficiente para recuperar a força necessária para dar a volta e fazer tudo o me falta para te poder voltar de alma inteira e corpo sedento do teu abraço. O coração fica sempre contigo, aninhado, à espera de nós no mesmo espaço. E sorrio, contente, por ser assim, sempre eu em ti e tu em mim.

2 comentários:

White disse...

Encontros e reencontros, subir e voltar a subir, num ritmo que é próprio e com a sensação que o tempo nunca vai faltar. Sensação óptima.

Always disse...

White,

Sorrio ao encontro do que tu dizes :).
É, de facto, óptima esta sensação do encontro num tempo próprio, fora de todos os relógios do mundo.