domingo, 23 de outubro de 2011

De pedra

Anabark, Coração de mámore (FEV2008)

Os olhos que, de vez em quando, se perdem entre o céu e a terra, encontram no chão sinais convictos do bater do coração. O acaso desgastou a pedra rasgando-lhes um coração á vista de todos, ali, no mármore frio, á espera de ser encontrado. Eu vi, mas não agarrei. Já me basta o meu arrastar-se comigo de um lado para o outro, pesado como pedra. Toquei com os olhos e parti - espera-me outra viagem. No peito colecciono coisas com forma de alma e o  tamanho da minha. O coração que me pesa fica, por agora, em casa, até ganhar asas e poder voar.

2 comentários:

NanBanJin disse...

Coração que há-de colher a graça do cinzel do Tempo, esse grande escultor.

(Soubesse a A., o quanto este testemunho pesa noutros e o quanto isso importa.
Sem voyeurismo, sem indiscrição, sem perguntas tolas, simplesmente porque importa, e porque outros, outros vazios sentem, sob outras nuances, e esta partilha do vazio de um copo, outros copos vazios enche.)

Obrigado, do Coração,

LFA/NBJ, Longe e sempre Aqui.

Always disse...

Obrigado L. pela companhia, pelas palavras e pela partilha de vazios, ainda que de vazios nós não tenhamos nada.

Obrigado pela fé e pelo coração que sabe ler o sentido do que um coração desconhecido escreve em sobressalto.

Obrigado por esse longe que vai daqui até aí, ser, afinal, tão perto. Aqui e sempre não nos perdemos pelo que nos sabemos encontrar, mesmo que em cores diferentes, dentro de um mesmo copo.
Gosto muito de o ter por cá! :)

Um abraço desde esta cidade á beira do atlântica até ao país do sol nascente.

A.