terça-feira, 13 de março de 2012

A curva da vida

Stanko Abadzic, Road with Light and Shadows, 2011

Que triste, imagino eu, ser velho antes do tempo nos envelhecer! Que pobreza de espírito é pensar e acompanhar o mundo de forma estagnada, sem perceber que não existem linhas rectas onde as coisas acontecem tal como como programadas. Que maçada deve ser viver sem o sobressalto das curvas e contracurvas e morrer igual ao que se nasce, espartilhados ora no preto ora no branco, ignorando outras formas de ser e de estar mais coincidentes com o que o mundo, ele próprio, evolui. Lamento tão profundamente os que dormem fechados em visões de existência estanque, presos a um deve e um haver ultrapassados, como se a verdade fosse um caminho de sentido único e a nossa humanidade perfeita. O desvio existe e ainda bem, porque é na aventura do desvio que o tempo não nos vence e não nos deixamos envelhecer à sombra de ideias feitas e esvaziadas de conteúdo. O desvio é, acima de tudo, vontade de vida e sonho.

2 comentários:

TB disse...

O desvio é o que nos mantém acordados! E as curvas impelem mudanças que evitam que nos mantenhamos estanques, amorfos e sem luz.
Mais um belo texto!

Abraço

Always disse...

Precisamente, TB! :-)
Entristecem-me as pessoas cristalizadas numa visão estanque (e cheia de clichés) do mundo emprestada pelos outros, sem se permitirem acrescentar, a si mesmos, o desafio das curvas e da vontade de serem mais plenos, mais iluminados, mais fiéis ao seu sentir indiferentes ao julgamento dos outros.

Abraço!