quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Fatalmente

Marlene Dietrich e Gary Cooper em «Morocco», de Joseph Sternberg (1930, EUA)

Um simples olhar pode ser ser quase tudo e deixar quase nada. Nos olhos que se encontram sem palavras e desvendam a alma de alto a baixo, acontece a magia, quase cinematográfica, do que fica para sempre de uma explosão de sentires inexplicável. Os olhos são armas perigosas, umas vezes porque nos descobrem mais do que queremos revelar, outras vezes porque doem pelo nada que têm para dar. Em ambos os casos, olhares fatais que, mais do que a carne, a alma sente como ecos de catedral ou frias lâminas de punhal. Olhos nos olhos amamos e caímos, mostramos o que somos e o que sentimos. E por vezes fugimos. O que seduz mata, se não tivermos cuidado. Aprendemos no cinema a fatalidade do jogo que, para além de uma hipótese de beijo, também sabe dizer 'I changed my mind. Good luck.'...

18 comentários:

SK disse...

É isso mesmo o que um olhar pode provocar: "a alma sente como ecos de catedral ou frias lâminas de punhal".
Ontem aprendi que os olhos, consoante as situações que nos colocam, podem revelar se estamos a falar verdade ou a mentir... confesso que fiquei fascinada com a aula de “neuro-psicologia” e com as reacções inatas do corpo. O problema são os estímulos que não nos deixam quase sempre ver estes sinais verdadeiros da alma.
Bjo.

Angell disse...

"Um olhar vale mil palavras". O olhar tem um poder absoluto. Pode ser meigo, carinhoso, romântico, feliz, irado, aflitivo... O olhar é o espelho da nossa alma. A porta que mostra os nosso verdadeiros sentimos. O corpo pode mostrar algo; que o olhar pode pura e simplesmente negar!

Always disse...

SK,

Parece-me que tiveste uma aula bem interessante!

O verdadeiro problema é a cegueira aos estímulos bons da alma.

Bjo

Always disse...

angell,

Os olhos nunca mentem, pelo menos essa certeza existe.

Bjs

(' ') disse...

MAS, para onde estará ela a olhar?

whitesatin disse...

Ah...quem é que consegue resistir a um olhar hipnotisante como aquele? :D

Grande Diva! Intemporal :)

Always, o que são os "estimulos bons da alma"?

DUCA disse...

always

"Os olhos nunca mentem..."

Hum...Definitivamente retiro o nunca da tua frase...É que há pessoas que mentem com o olhar, pessoas que interpretam emoções através do olhar. São raras essas pessoas, mas não duvides que existem.

Gostei do texto e do blog.
Bjo :)

ic disse...

"Os olhos nunca mentem", seria bom! Não, diria mesmo magnífico! Mas discordo completamente. ;)

I.

porquinho/a feliz disse...

the hands that touch and the heart that feels, but the eyes reveal your true emotions.

saudades, F. [sorry i change my nick again. after all i'm an andro, yes? :)] fabulous seduction without one kiss is my type of film, for there is a certain exquisite pleasure in the pursue! the glance of the eye can be an equally potent projectile.

Always disse...

(' '),

Assim visto daqui, está a olhar para mim! ;)

Always disse...

whitesatin,

Eu não resisto a NADA que venha desta senhora e congratulo-me saber que ela também não resistia ao charme feminino. :D

Respondendo (ou tentando responder) à tua questão - estímulos bons para alma são todos aqueles que nos despertam sentires que nos dão prazer e nos fazem felizes. Sem medo de sentir.

E agora em vez de dar os exemplos habituais (arte, literatura, etc) dou-me a liberdade de ser 'incorrecta' dizendo que a Marlene Dietrich é um bom exemplo de estímulo bom para a alma. ;)

E acrescento que o teu abraço, através da 'via rápida', no meu dia difícil foi também um bom estímulo para alma. Obrigada. :)

Bjo

Always disse...

DUCA,

Sê bem-vinda à transparencia do copo e obrigado pelas palavras simpáticas de apreciação. :)

Acredito que os olhos nunca mentem. O que acontece é que, por vezes, vemos neles que queremos ver e não o que realmente lá está. Se calhar, não se trata de uma mentira no olhar, mas talvez de um erro de interpretação de quem procura alguma coisa.

Bjo

Always disse...

Inês,

A mentira não vem pendurada no olhar. O erro de cálculo é de quem neles olha e vê o que quer acreditar. Citando (abusivamente) Shakespeare em «Júlio César»: 'A culpa não é dos astros, mas de nós mesmos.'

Bjo

Always disse...

Dear Porquinho/a feliz,

Thank you for this particular postcard. You've put a smile in my face. As for what you wrote in it, my answer is 'No, I haven't changed my mind'. I owe you more than just a beer... in Lisbon or Amsterdam? :)

I agree with you, the film is a masterpiece of seduction.

Beijos.

SK disse...

Sabes que é disso que tenho medo. Da cegueira aos estímulos bons da alma e do entorpecimento dos sentidos, da capacidade de entrega, de começar de novo.
Daí falar em necessidade de desaprendizagem há algum tempo no pedras.
Bjo

whitesatin disse...

Obrigada pela tua explicação, Always.
E que belo exemplo de estímulo bom que a Grande Diva é ;D

Os estímulos expontâneos são os mais verdadeiros :)

Bjs e bom descanso.

Always disse...

SK,

Partilho do teu medo. Conheço esse deserto do entorpecimento dos sentidos como a palma da minha mão. Não é bom, faz-nos ficar pequeninos e seca-nos a alma. Reaprendi a sentir - posso não estar feliz, mas, pelo menos, sei que consigo sentir e distinguir em mim o que é verdadeiramente essencial. Tenho medo de regredir e perder essa capacidade, que não é fácil de gerir porque requer grande maturidade e uma identidade solidamente definida.

Always disse...

Whitesatin,

A minha explicação vale o que vale, não agradeças... :)

A espontaneidade tem a enorme vantagem de ser sempre uma coisa verdadeira, por isso, tens razão - 'os estímulos espontâneos são sempre os mais verdeiros'.

Um beijo e obrigado pelo teu espontâneo cuidado. :)