sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Homem ao mar

Inês, Contrastes Lisos, 2006

E enquanto oiço os remos mesmo sem ver a água, mantenho a força de braços ao encontro de um mar de constrastes feitos da luz que sei que existe para além das ondas altas da tempestade. Navego ao meu encontro, o longe é para dentro, para bem fundo de mim. Procuro-me onde me perdi e assim voltarei a encontrar-me. Desistir do que não vale a pena é regressar-me e continuar por mim adentro ao encontro de terra firme. Vou deixar-te em alto mar. Quis lançar-te uma bóia e salvar-te. Mas tu dizes que nao estás em perigo e, sendo assim, levo a bóia comigo. De tanto ir ao fundo, aprendi a respirar debaixo de água, não preciso da bóia, mas alguém pode precisar e tu só precisas de ti. Salvas o comandante e condenas o marinheiro. Num barco pequeno e mal tratado, vou navegando para fora das ondas da tua tempestade. Sou o marinheiro atirado borda fora, sou quem sujeitaste à morte sem deixares sequer uma bóia. Proteges o comandante contra todos os riscos. Não és justa e nunca perceberás porque digo isto, porque não sabes ouvir nem ver para além da tua verdade e daquela que te convém. O marinheiro não perdeu as graças do mar. Deixou de ser marinheiro, tornou-se remador. E, no seu barco mal tratado, teima, rompendo a tempestade, em direcção ao mar infinito que tem dentro de si. Não desistiu do amor.

11 comentários:

Presença disse...

Não desistindo do amor poderá ser marinheiro outra vez...

Bjo

SK disse...

É bom começar a ler assim.
Gosto dessa música. Não conhecia. Mt bom.
Bj

Always disse...

Presença,

O remador acredita no amor. Rema com a fé de encontrar esse mar.

Bjo

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SK,

"It's Enough Now", como todas as canções dos Mandalay, é uma bela canção.

Até logo. :)

Bjo

Blue disse...

"Desistir do que não vale a pena"... é saber que a esperança se perpetua enquanto houver vida em ti! Tentaste salvar quem não queria ser salva, quem pelo contrário te atirou borda fora.

Outras almas haverão que procurarão em ti esse muito que ainda tens para dar. Outras almas haverão que quererão navegar contigo num mar calmo e pacífico, rumo a um nascer do sol que saberá melhor partilhado por quem quiser efectivamente remar ao teu lado...

Beijos grandes e abraço apertado.
Também gosto mais de te ler assim! :)

whitesatin disse...

E eu também gosto :)

Always disse...

Blue,

Tal como diz o ditado "Há mais marés do que marinheiros". Vou remando e apreciando a paisagem. Há muito para ver e descobrir, ando de olhos fechados há tempo demais. Aquela que eu quero não me quer, logo tenho de querer outra coisa que me queira tanto e tal como eu quero. :)

Um abraço.

wind disse...

Gostei muito:))))
beijos

desabafos disse...

Não duvides que as tuas palavras tocam. E muito. Por vezes, dou por mim com uma lágrima no olho quando te leio. Adoro a forma como te exprimes, mas não gosto que vivas com tanto sofrimento dentro de ti. Não se deve desistir do amor, mas o nosso amor próprio é mais importante que lutarmos por quem não nos merece. E, parece-me, que é isso que tens feito. Se o teu amor não te quer assumir é porque não te ama verdadeiramente. Ruma para outros mares, pode ser que encontres uma sereia disponível para te amar incondicionalmente.

Always disse...

Whitesatin,

Lembrando do que que tu escreveste a propósito de 'self pitty' - o ser humano é inconstante e, por vezes, irracional nas suas acções/escolhas/decisões. Seja como for, o meu sentimento permanece - Amor é luz em mim. :)

Bjo

Always disse...

Wind,

Gosto de te saber de volta! :)))

Bjos

Always disse...

Desabafos,

Bem-vinda por aqui.
Agradeço a tua atenção. Escrevo com a certeza do meu sentir - a dor existe pelo que perdi, mas o sentimento não desiste. O meu amor-próprio não está em causa, não me questiono, sei o quanto valho e o quanto me valoriza o mundo à minha volta. Perdi, mas não fui eu que falhei. O que sinto é incondicional e sem tempo.

Mas a perda doi-me e sofro por isso. Sei que mereço melhor sorte. À minha frente estendem-se novos caminhos para andar, novos rios correm para o meu mar, mas como cantavam os Heróis do Mar nos anos 80 "Só gosto de ti (dela) / porquê não sei"... até que uma sereia inesperada me encante incondicionalmente.

Bjo