segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Quantas vezes...?

Bruce Berrien, There, 2005


Quantas vezes te procuras onde não estás?
Quantas vezes olhas para o relógio a pensar que as horas se repetem e é sempre o mesmo dia? Quantas vezes te perguntas se amanhã será diferente e um bocadinho mais do que hoje? Quantas vezes te olhas ao espelho à procura de algo mais de ti do que o que vês reflectido? Quantas vezes te perdes dentro da tua própria casa sem saber onde descansar? Quantas vezes te apetece ficar só com a tua solidão sem que te incomodem? Quantas vezes gostavas de escapar à noite por entre sonhos e lembrar-te de manhã de um sonho feliz? Quantas vezes, acompanhada por quem escolheste, te sentes mais vazia do que nunca? Quantas vezes te sentes cansada do que tens e instisfeita pelo que perdeste de ti? Quantas vezes deitas fora o que viveste comigo para teres paz de espírito? Quantas vezes desejas que eu e tu nunca tivéssemos acontecido? Quantas vezes te exiges esquecer-te de mim?
E será que alguma vez lamentas ter-me magoado como, antes, lamentavas ter magoado quem vive outra vez contigo?

10 comentários:

wind disse...

Perguntas que se calhar nunca saberás a resposta.
E também o que interessa?
Não foste "descartada"?
Desculpa a minha frontalidade:)

Anónimo disse...

Como diz a wind, as tuas perguntas possivelmente nunca terão resposta. Eu arriscaria a dizer-te que é todos os dias e várias vezes por dia porque ninguém se esquece de uma coisa assim de um momento para o outro...

A paz de espírito nunca chegará àqueles que se reprimem e se negam... podem morrer por dentro, mas essa tranquilidade aparente não é igual a paz de espírito...

Beijos grandes

sergio disse...

Eu há poucos dias tive notícias de que falecera, em outro Estado, o primeirolegítimo amor da minha vida...aquele amor que me fez ver que havia um caminho (que eu encontrei 3 anos depois e dura até hoje. Sou grato a este primeiro amor porquê rompeu em mim uma rotina vazia e diária de novas caras, novas relações, novos nadas. No more questions. Não adianta viver no passado...guarda dele as coisas boas que ninguém te arranca, always...

SalsolaKali disse...

Serão certamente algumas das questões se lhe colocam, e angustiante é tb imaginar as respostas...
Espero para ti, para ela, para todos, assim como espero para mim, que nos deixemos ser felizes, e aos outros. Cada um de nós tem de procurar o seu próprio caminho para a felicidade, e se não nos deixamos, pouco haverá a fazer. Se há quem renuncie… ebm, não sei que se passará.
Um dia, mal ou bem, pagaremos o preço da renúncia, da rejeição, nem que seja pelo tempo perdido, e além do tempo, pelo amor deitado janela fora.
Vamos! Para a frente!

Presença disse...

Estes ecos... estas perguntas retoricas... são tão pessoais, quando interpessoais.
Gostava também que alguém em especial e especial, respondesse... mas também acho que ficará assim, perguntas retoricas, simplesmente.

Eu ainda procuro, mas já no silêncio da calmaria da dor... E fico na duvida se será teimosia ou persistência?!

Bjs

whitesatin disse...

É um árduo caminho que tem que ser feito, esse das perguntas sem resposta, até as mesmas deixarem de fazer sentido.
Só então poderás iniciar o caminho de regresso à paz de espírito.

Tens a minha compreensão, mas tens que o percorrer sozinha. Só espero que a força nunca te abandone. Lembra-te que o amor assume várias formas.

Beijos e abraços

ps- you've got mail.

Always disse...

Wind,

Se reparares bem, as minhas perguntas são afirmações interrogativas. Eu sei as respostas. :)

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Blue,

Não perguntei para saber as respostas. O código é o silêncio. São divagações interrogativas, eu tenho certezas no que pergunto e pergunto para passar o tempo e escrever qualquer coisa.

A paz de espírito só chega aos espíritos livres e puros. Os que se escondem deles próprios morrem lentamente, vão secando até não terem nada para dar, embrulhados na frustração que se instala e os consome dia após dia, para o resto da vida, como condenados acorrentados numa auto-sentença de prisão perpétua.

(LOL, esta dos condenados saiu-me bem, hehehe... Onde terei ido buscar esta imagem tão sugestiva?!... Ai, ai... LOL)

Always disse...

Sérgio,

Lamento muito sinceramente a sua perda. Sabermos da morte de alguém que amamos e/ou importante na nossa vida é o mais duro golpe que temos de suportar. Só a morte não tem solução. Infelizmente, conheço essa dôr.

O primeiro amor dura para sempre. Mas o tempo vai corroendo as recordações. A sucessão dos dias, e depois dos anos, vai-nos roubando a memória do passado, diluindo-a no esquecimento involuntário que seja. Não vivo do passado - o presente é a única coisa de que tenho (quase) absoluta certeza.

Always disse...

SK,

São perguntas angustiantes de resposta igualmente angustiante, é certo.

Às vezes, a nossa infelicidade é a felicidade dos outros e vice-versa. Conheço os dois lados.
Não sou nada romântica, mas acho que o amor devia ser um ponto de partida para duas pessoas que se amam construirem um caminho seguro. Os renunciantes têm outras prioridades na vida - para esses, o amor é supérfulo e as pessoas que se aproximam descartáveis. Quem sabe não terão razão? A solidão tem o lado sedutor da anestesia.

Tens razão, adiante contra ventos e tempestades enquanto estamos vivos. :)

Um beijo.

Always disse...

Presença,

São mais do que perguntas retóricas. São quase respostas. Não perguntei para ouvir respostas da pessoa a quem dirijo as questões, seria excusado. Esse alguém é-me, actualmente, uma ideia sem voz, sem expressão seja ela qual fôr - jamais ousaria dar respostas, nem sequer em voz baixa para ela mesma.
Enfim, não digo no texto nada de surpreendente, é até provável que a pessoa em questão já se tenha auto-interrogado nestes pontos. Ou não. Pelo sim pelo não, perguntei.

Bjos

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Whitesatin,

Agradeço-te o cuidado. :)
As perguntas nunca vão deixar de fazer sentido. São importantes até para me colocar a mim própria ao longo do meu caminho, seja ele qual fôr.

Um abraço.

PS - Got your mail. :)