sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Devagarinho?...

Bruce Berrien «Rush 2», 2004

Devagarinho, dizes tu. Onde pensas chegar devagarinho? E assim devagarinho, se chegares, não será demasiado tarde para ambos os lados e para ti também? Que cresceste entretanto nesse devagarinho em que te dizes? Tens tudo o que precisas para viver melhor? Já és mais feliz do que eras há um ano atrás? Espero que sim. Espero que percebas que devagarinho leva muito tempo e morre-se lentamente nessa falta de qualquer coisa que não nos deixa andar mais depressa. Queres um conselho? Não te deixes adormecer numa morte lenta, nesse lado escuro onde vives de portas fechadas. Respira-te. Sente-te, ao menos. Deixa uma porta encostada e sente a corrente de ar. Embrulha-te um pouco na liberdade do vento que nos empurra um bocadinho mais além. Não te deixes morrer sem te conseguires no que te falta para seres tu completamente. Devagarinho perdes calor e ficarás só quando não precisarem mais de ti. Fria, morta por dentro, como as manchas que se escondem na escuridão. Vive-te como nos versos da canção...
"...Enfim de uma escolha faz-se um desafio / enfrenta-se a vida de fio a pavio /navega-se sem mar, sem vela ou navio / bebe-se a coragem até de um copo vazio /e vem-nos à memória uma frase batida / hoje é o primeiro dia do resto da tua vida..."

Sérgio Godinho "O Primeiro Dia"
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Para reflectires

6 comentários:

Anónimo disse...

Gosto mais da versão da Pillar Homem de Melo (ai, que não consigo encontrar álbuns antigos da menina).
A frieza é apenas uma maneira de proteger aquilo que se sente e não se quer sentir. E depois quando a gente se habitua à escuridão é muito difícil voltar à luz.. é verdade que uma boa parte de nós se perde em todo o processo.

wind disse...

Bom texto, sério e para todos reflectirmos, não só a Blue:)
beijos

analogic_iridescente disse...

afasto as cortinas dos dias, deixo entrar luz pela vida; acendo as noites com as estrelas e aclaro as horas, os minutos, e os segundos com raios de Sol, raios de Lua; com o brilho dos rios escorro luminosidade pelas ruas; com os arcos-céus-íris, pinto sorrisos; mas maior, a mais intensa claridade descobre-se no quente reflexo de olhos nos olhos, quando os fazemos espelhos da nossa vontade, de partilha, amor e amizade.

Always disse...

Isobel,

Bem-vinda!
Não conheço a versão da Pilar Homen de Melo, mas acho a do Sérgio Godinho perfeita.

E dou-te razão no que dizes. Quem se habitua à escuridão poderá nunca ter regresso, o que é uma pena. Mas é uma escolha. Existem alternativas.

Always disse...

Wind,

O link para o texto da Blue é apenas um complemento ao que quero dizer no texto. E o que quero dizer é sempre o mesmo... existem alternativas quando existe coragem de assumir o que se sente, nem que seja para nós mesmos. A escuridão é viver uma mentira interior.

Always disse...

Analogic

A tua luminosidade entra-me pelos dias num abraço de partilha do que somos e do que queremos ser. Os teus raios de sol constrõem universos de claridade e há um mundo inteiro por descobrir na luz de cada janela aberta em que nos debruçamos, neste encontro em que crescemos no passar dos dias.