quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Como vais?...

Peter Elköf, Vasteras 2, 2004

Quase um ano depois, desconheço-te. Já passou mais tempo sem nós do que aquele em que fomos uma. Hoje nada sei de ti, não sei como estás, o que sentes, o que pensas, o que te faz rir, o que te preocupa. Hoje já não sei o que te faz correr - o amor sei que não é, não o meu pelo menos, e a paixão é para ti uma doença, pelo menos assim te fiz sentir. Hoje já não sei como és nem como estás. E dirias tu, se me ouvisses falar, 'Não tens de saber nem de te preocupar, já não fazes parte da minha vida. Que interesse tem saberes de mim?' E eu ficaria calada a dar-te razão. Já não estou na tua vida, não tenho nada a ver com o que nela se passa nem com o que sentes ou como estás. Mas tu existes, não posso fingir que não. E mesmo que não queiras, penso-te, preocupo-me e interrogo-me. Sei que não devia, que não queres isso de mim. Sei que não te preocupas nem queres saber como estou. Mas isso não me interessa. Já que não somos almas gémeas, como tu não deixaste de dizer no pouco que disseste quando te foste embora, posso ser e sentir de forma diferente à tua, aqui baixinho, de mim para mim, sem fazer barulho. Fica descansada, aqui neste silêncio em que me queres e na distância que me impões, vou viver a vida inteira sem te incomodar, cumprindo a tua vontade. Quanto tempo é 'para sempre'? Muito tempo certamente.

12 comentários:

Presença disse...

Quero-te dar os meus parabéns... e sabes porquê?
Consegues querer bem alguém mesmo da dor e da perda... isso chama-se verdadeiramente AMOR...

Mtos Bjs

P.S.- Tenho que fazer uma pesquisa de mercado... qntos blogs são abertos por dores de amor?... risos

Always disse...

Chama-se verdadeiramente AMOR e também se pode chamar ESTUPIDEZ, mas não me dês os parabéns pela estupidez, por favor... ;)

Entendo o amor verdadeiro como um sentimento incondicional. Não sei deixar de querer bem a quem amo, independentemente da dôr e da perda que sinto ou do que ela sente ou pensa de mim.

PS - Este blog surgiu porque me foi cortado o acesso directo e eu tinha muito por dizer. É preferível dialogar com o vento, do que calar coisas que nos fazem morrer por dentro. E mesmo que ela tivesse a atenção de me ler, nada do que aqui digo lhe importa ou faz diferença. Escrevo para mim e para quem me lê e percebe o que eu digo e também pela diferença que, às vezes, faço na vida daqueles que me lêem e me acompanham todos os dias. :)

Um abraço.

whitesatin disse...

Always,

Não tenhas a menor dúvida de que fazes diferença.
Ao espantares a tua dor, tens-me ajudado a limpar o pó que tenho no meu sótão das dores. Tem sido uma limpeza...! Nem te conto! ;D

Anónimo disse...

Querida Always,

Mais do que perceber, eu sinto o que tu dizes e isso não tem preço... e nem que fosse só por isso mas nem sequer é só... porque tu escreves tão bem! E por isso acho uma tremenda injustiça que tenhas a esperança de quem esperas que o leia... enfim... não ligues, a esta hora tardia já divago...

Queria apenas deixar-te um grande beijo na esperança, esta minha, de que nunca pares de escrever sobre o que te vai na alma, se é isso que sentes que tens que fazer para que ela te deixe de doer...

Always disse...

Whitesatin,

Por essa diferença, já valeu a pena. Nunca esperei tanto. :)

Always disse...

Blue,

Que te posso responder, quando tu conheces tão bem o que me (nos) vai na alma? O que sentimos ambas e a intensidade com que o sentimos não se esgota nas palavras. Escrevo quase sem pensar, não é preciso pensar muito no que se sente tão completamente.

Não comecei o blog com esperança de ser lida pela pessoa sobre a qual escrevo. Nunca estive à espera que ela viesse até aqui - deixou claro há uns meses atrás que não me quer ouvir nem saber... morri-lhe, enterrou-me.

Só por te saber acompanhada, o esforço destas páginas valeu a pena, porque sei que cada palavra que escrevi foi ouvida e sentida no tom em que foi escrita. Já isso me basta, porque é muito.

Um beijo grande.

wind disse...

Muito bem escrito, mas porque sofres ainda?
Sei que é fácil falar, mas tenta esquecer.
beijos

Always disse...

Wind,

Em jeito de resposta deixo-te palavras de Albert Camus (in «O Homem Revoltado»):

"Desejamos que o amor perdure e sabemos que tal não acontece; e ainda que, por milagre, ele pudesse durar uma vida inteira, seria ainda assim um amor imperfeito. Talvez que, nesta insaciável necessidade de subsistir, nós compreendêssemos melhor o sofrimento terrestre, se o soubéssemos eterno. Parece que, por vezes, as grandes almas se sentem menos apavoradas pelo sofrimento do que pelo facto de este não durar. À falta de uma felicidade incansável, um longo sofrimento ao menos constituiria um destino. Mas não; as nossas piores torturas terão um dia de acabar. Certa manhã, após tantos desesperos, uma irreprimível vontade de viver virá anunciar-nos que tudo acabou e que o sofrimento não possui mais sentido do que a felicidade."

Bjo

PS - Fico contente que tenhas gostado do texto em termos formais.

Anónimo disse...

Just do it

Isso pode parecer amor, e respeito-o. Mas é também a desgraça de uma pessoa. Quem ama sem ser amado, ou no mínimo, respeitado por amar, deixa a porta aberta para a erosão dos quotidianos sem nunca encontrar outra nova e verdadeira voz. A sua própria voz.
Ninguém merece isso. Eu sei o que é isso. Amei muitos anos a pessoa errada. ou pelo menos pensei nisso durante muitos anos. E no fim?. Muito mais que um copo vazio. O abismo. Em que nem sequer quem entretanto me amou pude reconhecer porque estava presa a esse outra ideia. Veja bem o que faz, desculpe a sinceridade. LArgue-a. Se você não merece uma pessoa é porque essa pessoa não a merece a si. Pense nisso.

Always disse...

Anónimo (gostava de, ao menos, ter um nickname...),

Tudo o que diz é verdade.
Escolhi mal a pessoa, já assumi. Escolhi (e fui escolhida porque não me envolvi sozinha) alguém que não me merece. Aceitei a derrota, saí de cena e vivo para além dela. Não posso obrigar ninguém a escolher-me e amar-me quando não é essa a vontade da pessoa. Não sou o que ela quer, aliás, tenho dúvidas de que ela saiba o quer - tudo isso eu sei e as consequências também.

Mas, pelo que escreveu, saberá que não se apagam sentimentos de um dia para o outro, por mais que o desejemos. Ela apagou-me porque, provavelmente, nunca me amou como eu acreditei que sim. Fui um intervalo na vida que ela sentia aborrecida. Ou, muito simplesmente, 'a culpa foi do vinho' (e não espero que entenda esta minha última afirmação...). No fim de contas, não fui nada sério na vida dela, fui um desvio de percurso apenas, ou, diria ela, 'uma insanidade temporária'. Ou talvez não, talvez ela viva mais sozinha do que nunca e de consciência pesada. Talvez se procure eternamente sem nunca se encontrar. Talvez viva aprisionada, com medo de si própria. É uma mulher frágil, confusa, insegura e mal amada e acredita-se o contrário (ela chamar-me-ia egoísta ao ler isto... LOL). Eu tenho consciência da minha dôr, da perda, da ausência e do amor que lhe quis dar e este 'copo vazio' é preenchido com esses estilhaços.

Sei que mereço melhor do que um intervalo na vida de alguém. Mas é com os erros que aprendemos também. As estações mudam e nós inevitavelmente também. Acima de tudo não ponho em causa o que sou nem o que quero. Hoje sou ainda mais exigente!

Agradeco-lhe a sua sinceridade. :)

sergio disse...

Mas um dia será lida por esta pessoa...uma mensagem ou várias outras mensagens escritas com as lágrimas represadas e tingidas de rímmel, sangue e vinho tinto.
Receba meu carinho todo.

Always disse...

Sérgio,

Surpreende-me a sua intuição masculina!!