terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Volta - Não Volta

Zenmatt, Dirty Van, 2006
Se eu conseguisse dar-te a volta como tu dizes que sim, não estarias tu aí e eu aqui. Se eu conseguisse dar-te a volta que quero dar, quem sabe o que ganharias em vez do que pensas perder se isso acontecesse. Assim, vou dando outras voltas até chegar-me a mim e, entre as voltas que dou e as que dá o mundo, reparo em quem me dá balanço para dar a volta por outro lado. E, assim, um dia não voltarei a dar a volta por ti. Sei que precisas de mim, embora eu não seja completamente o que precisas. A paz de espírito que não tens não virá nunca nos conselhos fáceis dos que procuras como voz 'amiga'. São conselhos asseados, muito correctos, que outra coisa esperas que te digam? Se fossem verdadeiramente amigos olhavam bem para ti e ouviam seriamente o que ainda não sabes dizer em voz perceptível. E, então, aconselhar-te-iam algo realmente útil, em vez de se apressarem na resposta mais fácil e oca que a desatenção lhes dita, porque até vozes desconhecidas dizem bem mais do que isso. Precisas de mim, porque só eu conheço verdadeiramente o outro lado de ti e tu sabes que sim. Se eu não existir onde tu me sabes, morre mais um bocadinho do que te resta de ti, até te perderes num insuportável vazio... se eu conseguisse, realmente, dar-te a volta, percebias ao menos isso que te quis dizer. Leva-me a dar uma volta que o inverno chega mais depressa do que tu imaginas.

8 comentários:

wind disse...

Possa que tu insistes!
Deixa-a chegar ao Inverno caramba!
Esquece-a!
Fogo que és teimosa!
Por acaso não és Sagitário? lol
bjs

Always disse...

LOLLOL...

Pior do que isso, sou Touro!! :))
E os touros nunca esquecem, mas pronto, dá-me tempo, pá!

Bjo.

SK disse...

Oh piquena... com tanta volta até já eu perdi o equilíbrio...
Eu tb gostava que ficassem infinitamente à espera de mim, tb gostava que mas não posso permiti-lo, não consigo suporta-lo. Andar de roda, de roda, tecendo a teia que há-de agarrar o outro, como a uma presa... estaria a ser demasiado egoísta, a infligir demasiado sofrimento a alguém de quem se gosta, e que não merece ser infeliz… merece aliás toda a felicidade do mundo, mesmo que ela não passe por mim, não me inclua. Cada um sabe de si, saberá ainda definir necessidades básicas, prioridades, todas as razões levianas e verdadeiramente imperativas, de sobrevivência... cada um terá de viver com as consequências dos pp actos…
E vou-me… senão ainda te deixo aqui um testamento que nada tem a vem com nada…
Tu vê lá se te agarras aí ao corrimão para não caíres dessa vertigem…
Bjo

Jaime disse...

E sabes o que é que não volta? O tempo, o passado, a história. Aparentemente até se pode repetir, mas isso são as partidas que o cérebro nos prega à procura de regularidades, razões e causas/efeitos mecânicos para parecer que há uma lógica subjacente à vida. Ena, que agora sou eu às voltas... Beijos

Anónimo disse...

Se lhe desses a volta tu ganhavas e ela perdia. E isso não seria justo nem para uma nem para outra, nem vocês estão em competição para ver quem ganha e quem perde, ou sequer quem ganha mais ou quem perde mais...

No amor só pode haver ganhos e não perdas! Quem ama e é amado de volta, da mesma forma, ganha sempre e sente que o outro também ganha por ter escolhido amar e deixar-se amar assim! Quem escolhe não amar, esperar, fugir (mesmo que volte de vez em quando)... é quem perde, e sempre!

I wish you'd give it a rest girl... I'm with you on helping you turn your back on someone who doesn't deserve that which you are and that which you have to give!!

Always disse...

SK,

Nas voltas que dou mantenho o equilíbrio. As árvores morrem de pé e eu, depois de morrer, quero renascer como árvore e crescer em direcção ao céu como uma catedral.

Percebo o que queres dizer e dou-te razão. Arrepia-me a teia e a aranha que nela espera. Arrepia-me o tempo que passa e que não se volta a recuperar. Arrepia-me a ideia de morrer lentamente fora de mim. Tenho a pressa de quem tem ainda um mundo inteiro para descobrir e dói-me o egoismo de quem centra o mundo em razões inventadas e construídas sobre falsos pressupostos e indícios aparentes.

É certo, cada um justifica à sua maneira o peso da sua vontade, nem que seja escondendo-se atrás de justificações baseadas no que os outros vão pensar. E, às vezes, julgamos muito mal 'os outros' que (até mesmo os da série «Lost»), imperfeitos também, são humanos e quem ama perdoa. Quem não tiver pecados, atirará a primeira pedra...

Beijo.

PS - Bem, a minha resposta é que não tem nada a ver com nada. Por isso, sente-te à vontade para escrever testamentos e atirares as pedras (negras ou não) que te apetecer... o copo é de vidro, mas não é frágil. :)

Always disse...

Jaime,

É verdade sim senhor, o tempo é aquilo que não volta e essa é, sem dúvida, uma das minhas inquietações. A única lógica subjacente à vida é certeza da morte. O tempo que nos separa do fim é o que soubermos ser e viver no melhor de nós. A vida não é um ensaio de teatro, é uma estreia continuada das nossas capacidades.

Beijos

Always disse...

Blue,

Mas eu não quero 'dar a volta' a ninguém, não quero que me ponham em dúvida, quero que confiem em mim.
O amor é uma escolha livre, um querer, uma vontade certa, um dessassôssego constante - amar é ganhar sempre pela certeza de que que existe alguém que nos faz sentir, por isso defendo a incondicionalidade e sei lidar com ela. Outros não. Não posso mudar a cabeça de ninguém. Dei a volta a quem não amei, mas quem amo prefiro que acredite em mim.

Obrigado pela força, sei que estás comigo do mesmo lado. E sei que mereces tanto ou mais do que aquilo que me desejas.

Beijo
Um beijo.